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O
rei das finais
Cafu foi
o único jogador
na história
das Copas a participar de três
decisões seguidas
AFP
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| O
craque, em ação contra a China: experiência e
habilidade |
Ao erguer o troféu do penta no Estádio de Yokohoma, no Japão,
o capitão Cafu bateu um recorde: foi o jogador que mais participou
de finais consecutivas na história das Copas. Nos três últimos
mundiais, Marcos Evangelista de Moraes ocupou a lateral-direita brasileira.
Como já ocorrera em outras ocasiões, o craque chegou à
competição cercado de desconfiança. Pouco antes do
torneio, muitos especialistas da crônica esportiva lamentavam que
a posição só continuava em seu poder por absoluta
falta de concorrência. O técnico Luiz Felipe Scolari mudou
o desenho tático do time, colocando em campo um zagueiro extra
para reforçar a cobertura no setor de Cafu. Aos 32 anos, ele teria
perdido uma de suas principais qualidades, o vigor físico, fundamental
em sua posição.
Se não
exibiu o mesmo fôlego que o destacou no começo da carreira,
Cafu mostrou nas sete partidas da campanha que continua sendo um jogador
imprescindível, em função de sua habilidade e experiência.
Depois da contusão do volante Emerson, às vésperas
da estréia contra a Turquia, ele herdou a braçadeira de
capitão. Inaugurou um estilo próprio de liderança,
sóbrio e discreto, importante para ajudar a colocar os nervos do
time no lugar em momentos cruciais, como na partida das quartas-de-final
contra a Inglaterra, quando a seleção teve de segurar o
resultado atuando com um homem a menos nos momentos finais.
A virada
de Cafu, que chegou desacreditado e conquistou o título, foi a
última de uma história pontuada pelo esforço de vencer.
Nascido na periferia de São Paulo, sempre quis ser jogador de futebol.
Ganhou o apelido de Cafu porque corria como um atacante do Fluminense,
um ponta-direita chamado Cafuringa. Ele era capaz de correr uma maratona
inteira mantendo uma média de velocidade próxima à
de um fundista profissional. "Com treinamento adequado, poderia ser maratonista",
disse o fisiologista Turíbio Leite de Barros. Quando era criança,
tentou entrar no Corinthians e foi reprovado. O mesmo aconteceu no Palmeiras,
na Portuguesa e no Atlético Mineiro. Acabou entrando no time do
São Paulo. Ainda assim só depois de quatro testes. Cafu
continuou a enfrentar adversidades depois de virar profissional. Jogando
pelo São Paulo, certa vez o técnico Telê Santana passou
a criticá-lo por cruzar errado. O atleta tinha de fato um defeito
grave. O que acontecia é que, depois de correr feito louco, cruzava
a bola para ninguém. Diante da crítica, Cafu passou a se
dedicar obsessivamente a treinos específicos. Com o talento lapidado,
foi campeão por quase todos os clubes em que atuou, do São
Paulo à Roma, da Itália, onde é hoje um dos principais
ídolos da torcida.
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