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O paredão
invisível
Seguro
na marcação
e jogando com
muita sobriedade, ele foi um xerife
sereno, introvertido e firme

Gilberto
Silva em ação: ele não brilha, carrega o piano para estrelas brilharem
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A
contusão do capitão Emerson dias antes da estréia
do Brasil na Copa do Mundo mudou a vida de Gilberto Silva. Se participar
do Mundial já era um feito e tanto, substituir uma das peças
mais importantes do time de Luiz Felipe Scolari parecia ser responsabilidade
demais. Apesar de ter menos experiência internacional do que Vampeta,
o concorrente direto à vaga deixada por Emerson, Gilberto Silva
foi o escolhido pelo treinador para a partida de estréia do Brasil
na Copa, contra a Turquia. Seguro na marcação e jogando
com muita seriedade, conquistou a confiança do técnico e
assumiu o posto de xerifão do time brasileiro, como Dunga na conquista
do tetracampeonato. Diferentemente de Dunga, Gilberto Silva é um
xerife sem estrela. Ele não brilha, não grita, não
se impõe pela forte personalidade. Embora não apareça
muito para a torcida, é fundamental para o time. Incansável,
corre por todos os setores do campo, dá chutão quando é
preciso e raramente comete falhas o tipo do jogador que encanta
o técnico Luiz Felipe Scolari. Enfim, carrega o piano para estrelas
como Ronaldo e Rivaldo brilharem.
Único
filho homem de um siderúrgico aposentado e de uma dona-de-casa,
Gilberto Silva chegou a desistir da carreira de jogador de futebol para
ajudar no orçamento familiar. Aos 17 anos, trocou o América
Mineiro por um emprego numa fábrica de balas, onde recebia pouco
mais de um salário mínimo. Foram os amigos que o convenceram
a retomar o caminho do futebol. Voltou ao América e, com 20 anos,
tornou-se titular da equipe. Seu potencial chamou a atenção
do Atlético Mineiro, que o contratou para disputar o Campeonato
Brasileiro do ano 2000. Mas ele demorou para deslanchar. Sofreu uma fratura
por stress na tíbia direita, que o deixaria afastado por alguns
meses. Foi apenas no ano passado que se firmou na equipe, sendo um dos
destaques do time que chegou à fase final do campeonato brasileiro.
Gilberto
Silva demonstra a mesma seriedade dentro e fora de campo. Introvertido,
fala pouco e é avesso a badalações. Nas concentrações,
em vez de participar das brincadeiras com o restante do time, prefere
ficar lendo em seu quarto. Seus livros preferidos são os de auto-ajuda,
como Quem Mexeu no Meu Queijo?, de Spencer Johnson, e A Revolução
dos Campeões, de Roberto Shinyashiki. Às vezes, participa
das rodas de pagode, mas gosta mesmo é de música sacra.
A celebridade imediata proporcionada pela Copa o obrigou a superar a timidez.
Mas não tem sido fácil conviver com a exposição
contínua. Para aqueles que cobram uma liderança maior dentro
do grupo, ele responde que, afinal, ainda tem muito tempo pela frente.
"Essa é só a minha primeira Copa", afirma. Aos 25 anos,
já tem um grande feito na carreira: jogou tão bem que, ao
término do Mundial, ninguém mais se lembrava do capitão
Emerson. *
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