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30 de junho de 2002
Gilberto Silva

nestaedição
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Índice

A glória dos pentacampeões
Corações em campo
A imagem do sucesso
O país do futebol
Oriente loiro
Palpiteiros profissionais
Quarenta e quatro anos de glória
O esporte mais democrático
Talento à venda
Os juízes: trapalhadas sem fim
O penta em números
Os avanços da bola

Perfis
A vitória de Big Phil
Ronaldo
Rivaldo
Ronaldinho Gaúcho
Roberto Carlos
Gilberto Silva
Cafu
Kléberson
Juninho Paulista
Denilson
Marcos, o verdadeiro Kahn
O trio de ferro
Kaká
O Brasil do banco

Papel de parede: pôster da seleção pentacampeã
 


 

O paredão invisível

Seguro na marcação e jogando com
muita sobriedade, ele foi um xerife
sereno, introvertido e firme

 

Gilberto Silva em ação: ele não brilha, carrega o piano para estrelas brilharem

A contusão do capitão Emerson dias antes da estréia do Brasil na Copa do Mundo mudou a vida de Gilberto Silva. Se participar do Mundial já era um feito e tanto, substituir uma das peças mais importantes do time de Luiz Felipe Scolari parecia ser responsabilidade demais. Apesar de ter menos experiência internacional do que Vampeta, o concorrente direto à vaga deixada por Emerson, Gilberto Silva foi o escolhido pelo treinador para a partida de estréia do Brasil na Copa, contra a Turquia. Seguro na marcação e jogando com muita seriedade, conquistou a confiança do técnico e assumiu o posto de xerifão do time brasileiro, como Dunga na conquista do tetracampeonato. Diferentemente de Dunga, Gilberto Silva é um xerife sem estrela. Ele não brilha, não grita, não se impõe pela forte personalidade. Embora não apareça muito para a torcida, é fundamental para o time. Incansável, corre por todos os setores do campo, dá chutão quando é preciso e raramente comete falhas ­ o tipo do jogador que encanta o técnico Luiz Felipe Scolari. Enfim, carrega o piano para estrelas como Ronaldo e Rivaldo brilharem.

Único filho homem de um siderúrgico aposentado e de uma dona-de-casa, Gilberto Silva chegou a desistir da carreira de jogador de futebol para ajudar no orçamento familiar. Aos 17 anos, trocou o América Mineiro por um emprego numa fábrica de balas, onde recebia pouco mais de um salário mínimo. Foram os amigos que o convenceram a retomar o caminho do futebol. Voltou ao América e, com 20 anos, tornou-se titular da equipe. Seu potencial chamou a atenção do Atlético Mineiro, que o contratou para disputar o Campeonato Brasileiro do ano 2000. Mas ele demorou para deslanchar. Sofreu uma fratura por stress na tíbia direita, que o deixaria afastado por alguns meses. Foi apenas no ano passado que se firmou na equipe, sendo um dos destaques do time que chegou à fase final do campeonato brasileiro.

Gilberto Silva demonstra a mesma seriedade dentro e fora de campo. Introvertido, fala pouco e é avesso a badalações. Nas concentrações, em vez de participar das brincadeiras com o restante do time, prefere ficar lendo em seu quarto. Seus livros preferidos são os de auto-ajuda, como Quem Mexeu no Meu Queijo?, de Spencer Johnson, e A Revolução dos Campeões, de Roberto Shinyashiki. Às vezes, participa das rodas de pagode, mas gosta mesmo é de música sacra. A celebridade imediata proporcionada pela Copa o obrigou a superar a timidez. Mas não tem sido fácil conviver com a exposição contínua. Para aqueles que cobram uma liderança maior dentro do grupo, ele responde que, afinal, ainda tem muito tempo pela frente. "Essa é só a minha primeira Copa", afirma. Aos 25 anos, já tem um grande feito na carreira: jogou tão bem que, ao término do Mundial, ninguém mais se lembrava do capitão Emerson. *



 
 
   
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