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30 de junho de 2002
Roberto Carlos

nestaedição
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O canhão

O Roberto Carlos que se viu
nos campos da Ásia foi um atleta
maduro. Um ponto de equilíbrio
e uma referência para o grupo

 
AP

Roberto Carlos fechou o lado esquerdo da defesa brasileira: ele provou que não é só um chute

O chute forte é a marca do lateral Roberto Carlos. Quando o craque brasileiro cobra uma falta, a bola atinge uma velocidade de 120 quilômetros por hora. Pode ferir gravemente um adversário que cruzar o caminho de seu tiro fatal. Na Copa de 90, o lateral Branco acertou uma bola a 100 quilômetros horários na cabeça de um jogador escocês. O pobre foi parar no hospital, com concussão cerebral. Se o chute tivesse sido de seu sucessor na posição, a vítima poderia ter ido direto para o necrotério. Logo no segundo jogo da Copa, contra a China, a artilharia pesada desse paulista de Garça cuspiu fogo. Cobrando uma falta de fora da área, ele mandou a bola numa trajetória ascendente que acabou na rede adversária sem esboçar sinal de queda, numa prova de que tinha gás para viajar ainda umas boas jardas com a mesma potência. Um golaço.

Além do chute forte, Roberto Carlos, 29 anos, exibiu as outras qualidades que o transformaram em 1997 no melhor lateral e no segundo melhor jogador do mundo, segundo a Fifa. Uma proeza e tanto para um defensor. Um prêmio para seu desempenho no time do Real Madrid, da Espanha, onde é titular absoluto. Com apenas 1,68 metro de altura e uma massa muscular superdesenvolvida (apenas 7% de gordura corporal), Roberto Carlos tem físico de velocista. Suas coxas, de quase 60 centímetros de diâmetro, propiciam arrancadas mortais. Faz os 100 metros rasos em 10,6 segundos.

Nascido numa família de agricultores, Roberto Carlos viveu uma infância pobre. Não tinha brinquedos. Quando o dinheiro chegou, ele foi à forra. "Agora ele compra tudo o que vê", dizia seu pai, Oscar. Como a maioria dos jogadores brasileiros, é doido por automóveis. Chegou a ter em sua garagem oito carrões, além de uma moto.

Roberto Carlos carregou por muito tempo a fama de mascarado. "Conheci um mascarado que deu certo: o Zorro", provocava. Hoje ele investe na humildade. A ponto de ter recebido, sem reagir, uma cusparada do goleiro Chilavert, do Paraguai, no final do jogo pelas eliminatórias da Copa, em Porto Alegre. Na Coréia e no Japão, tirou lições do que provoca a arrogância. Diante da desclassificação das "favoritas" França e Argentina, ensinou: "A única forma de mostrar que se é favorito é indo à final".

O Roberto Carlos que se viu nos campos da Ásia foi um atleta maduro. Um ponto de equilíbrio e uma referência para o grupo. Revelou traços de um verdadeiro campeão.

 
 
   
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