O
canhão
O
Roberto Carlos que se viu
nos campos da Ásia foi um atleta
maduro. Um ponto de equilíbrio
e uma referência para o grupo
AP

Roberto
Carlos fechou o lado esquerdo da defesa brasileira: ele provou que
não é só um chute |
O
chute forte é a marca do lateral Roberto Carlos. Quando o craque
brasileiro cobra uma falta, a bola atinge uma velocidade de 120 quilômetros
por hora. Pode ferir gravemente um adversário que cruzar o caminho
de seu tiro fatal. Na Copa de 90, o lateral Branco acertou uma bola a
100 quilômetros horários na cabeça de um jogador escocês.
O pobre foi parar no hospital, com concussão cerebral. Se o chute
tivesse sido de seu sucessor na posição, a vítima
poderia ter ido direto para o necrotério. Logo no segundo jogo
da Copa, contra a China, a artilharia pesada desse paulista de Garça
cuspiu fogo. Cobrando uma falta de fora da área, ele mandou a bola
numa trajetória ascendente que acabou na rede adversária
sem esboçar sinal de queda, numa prova de que tinha gás
para viajar ainda umas boas jardas com a mesma potência. Um golaço.
Além do chute forte, Roberto Carlos, 29 anos, exibiu as outras
qualidades que o transformaram em 1997 no melhor lateral e no segundo
melhor jogador do mundo, segundo a Fifa. Uma proeza e tanto para um defensor.
Um prêmio para seu desempenho no time do Real Madrid, da Espanha,
onde é titular absoluto. Com apenas 1,68 metro de altura e uma
massa muscular superdesenvolvida (apenas 7% de gordura corporal), Roberto
Carlos tem físico de velocista. Suas coxas, de quase 60 centímetros
de diâmetro, propiciam arrancadas mortais. Faz os 100 metros rasos
em 10,6 segundos.
Nascido numa família de agricultores, Roberto Carlos viveu uma
infância pobre. Não tinha brinquedos. Quando o dinheiro chegou,
ele foi à forra. "Agora ele compra tudo o que vê", dizia
seu pai, Oscar. Como a maioria dos jogadores brasileiros, é doido
por automóveis. Chegou a ter em sua garagem oito carrões,
além de uma moto.
Roberto Carlos carregou por muito tempo a fama de mascarado. "Conheci
um mascarado que deu certo: o Zorro", provocava. Hoje ele investe na humildade.
A ponto de ter recebido, sem reagir, uma cusparada do goleiro Chilavert,
do Paraguai, no final do jogo pelas eliminatórias da Copa, em Porto
Alegre. Na Coréia e no Japão, tirou lições
do que provoca a arrogância. Diante da desclassificação
das "favoritas" França e Argentina, ensinou: "A única forma
de mostrar que se é favorito é indo à final".
O Roberto Carlos que se viu nos campos da Ásia foi um atleta maduro.
Um ponto de equilíbrio e uma referência para o grupo. Revelou
traços de um verdadeiro campeão.
|