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Palpiteiros
profissionais
Os ex-craques
que viraram
comentaristas de TV têm a vida
com que o torcedor sonha: ganham um bom dinheiro e mordomias para analisar,
elogiar e criticar a seleção
Fotos Ricardo Corrêa
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| Falcão:
a experiência como jogador e treinador ajuda nos comentários |
Júnior
e Leivinha: quilos a mais e preocupação com a elegância |
No
país em que todo bom torcedor se considera uma espécie de
técnico da seleção, dando palpites no atacado sobre
o time, há um pequeno grupo de especialistas que ganham muito bem
a vida fazendo exatamente isso. São os ex-craques que se transformaram
em comentaristas de TV e viraram os palpiteiros que o Brasil inteiro ouviu
durante a Copa do Mundo. Quando conversavam entre eles, fora do ar, a
linguagem soava incompreensível para um leigo. Falavam em desenhos
táticos complicados, com linhas e deslocamentos de alas e volantes
de contenção que apenas os profissionais conseguem visualizar
dentro de campo. Diante das câmeras e dos microfones, faziam certo
esforço para ser compreendidos. "Tento imaginar que estou numa
mesa em que se reuniram desde pessoas que só acompanham futebol
a cada quatro anos até torcedores fanáticos", dizia Paulo
Roberto Falcão, que comenta futebol para a Rede Globo há
sete anos. "Meu objetivo é prender a atenção de todos
eles sem aborrecer ninguém."
Falcão revezava-se nos comentários com Walter Casagrande
Júnior. São quase antípodas. Elegante e diplomata,
Falcão pesa cada palavra que diz. Casagrande está sempre
meio despenteado e fala sem parar. Na cabine, vestiam ternos azuis idênticos,
mas enquanto o de Falcão tinha um caimento impecável as
calças de Casagrande eram largas e viviam amarrotadas. Casagrande
atrapalhava-se para colocar a gravata. Usava a mesma desde a estréia
brasileira, com o nó já feito para ele por Falcão.
Como Falcão, o antigo atacante Leivinha zelava pelo visual. Aos
52 anos, mantinha os cabelos impecavelmente pintados num tom acaju.
Os comentaristas trabalharam duro. Além de comentarem jogos, Roberto
Rivellino, Júnior e Leivinha participavam diariamente no Sportv
do programa Copa em 2 Tempos, uma espécie de bate-papo de
botequim. "Nós estamos disputando nossa própria Copa do
Mundo", acreditava Júnior, que se assume como torcedor, grita na
hora dos gols e usa gírias de boleiro em suas intervenções.
Nenhum deles sofreu tanto nas transmissões quanto o comentarista
de arbitragens Arnaldo Cezar Coelho, cuja carreira de trinta anos como
juiz de futebol incluiu a final da Copa do Mundo de 1982. Para tirar eventuais
dúvidas, ele levava para o jogo um livrinho de regras, mais o apito,
um cartão vermelho e um cartão amarelo. "Faço questão
de ter os instrumentos à mão porque acompanho as partidas
como se o árbitro fosse eu", garante. "Marco mentalmente as faltas,
assinalo os impedimentos, faço advertências e termino as
transmissões quase tão esgotado como se tivesse corrido
durante noventa minutos."
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