Publicidade
30 de junho de 2002
Imprensa

nestaedição
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice

A glória dos pentacampeões
Corações em campo
A imagem do sucesso
O país do futebol
Oriente loiro
Palpiteiros profissionais
Quarenta e quatro anos de glória
O esporte mais democrático
Talento à venda
Os juízes: trapalhadas sem fim
O penta em números
Os avanços da bola

Perfis
A vitória de Big Phil
Ronaldo
Rivaldo
Ronaldinho Gaúcho
Roberto Carlos
Gilberto Silva
Cafu
Kléberson
Juninho Paulista
Denilson
Marcos, o verdadeiro Kahn
O trio de ferro
Kaká
O Brasil do banco

Papel de parede: pôster da seleção pentacampeã
 


 

Palpiteiros profissionais

Os ex-craques que viraram
comentaristas de TV têm a vida
com que o torcedor sonha: ganham um bom dinheiro e mordomias para analisar, elogiar e criticar a seleção

 
Fotos Ricardo Corrêa
Falcão: a experiência como jogador e treinador ajuda nos comentários Júnior e Leivinha: quilos a mais e preocupação com a elegância

No país em que todo bom torcedor se considera uma espécie de técnico da seleção, dando palpites no atacado sobre o time, há um pequeno grupo de especialistas que ganham muito bem a vida fazendo exatamente isso. São os ex-craques que se transformaram em comentaristas de TV e viraram os palpiteiros que o Brasil inteiro ouviu durante a Copa do Mundo. Quando conversavam entre eles, fora do ar, a linguagem soava incompreensível para um leigo. Falavam em desenhos táticos complicados, com linhas e deslocamentos de alas e volantes de contenção que apenas os profissionais conseguem visualizar dentro de campo. Diante das câmeras e dos microfones, faziam certo esforço para ser compreendidos. "Tento imaginar que estou numa mesa em que se reuniram desde pessoas que só acompanham futebol a cada quatro anos até torcedores fanáticos", dizia Paulo Roberto Falcão, que comenta futebol para a Rede Globo há sete anos. "Meu objetivo é prender a atenção de todos eles sem aborrecer ninguém."

Falcão revezava-se nos comentários com Walter Casagrande Júnior. São quase antípodas. Elegante e diplomata, Falcão pesa cada palavra que diz. Casagrande está sempre meio despenteado e fala sem parar. Na cabine, vestiam ternos azuis idênticos, mas enquanto o de Falcão tinha um caimento impecável as calças de Casagrande eram largas e viviam amarrotadas. Casagrande atrapalhava-se para colocar a gravata. Usava a mesma desde a estréia brasileira, com o nó já feito para ele por Falcão. Como Falcão, o antigo atacante Leivinha zelava pelo visual. Aos 52 anos, mantinha os cabelos impecavelmente pintados num tom acaju.

Os comentaristas trabalharam duro. Além de comentarem jogos, Roberto Rivellino, Júnior e Leivinha participavam diariamente no Sportv do programa Copa em 2 Tempos, uma espécie de bate-papo de botequim. "Nós estamos disputando nossa própria Copa do Mundo", acreditava Júnior, que se assume como torcedor, grita na hora dos gols e usa gírias de boleiro em suas intervenções. Nenhum deles sofreu tanto nas transmissões quanto o comentarista de arbitragens Arnaldo Cezar Coelho, cuja carreira de trinta anos como juiz de futebol incluiu a final da Copa do Mundo de 1982. Para tirar eventuais dúvidas, ele levava para o jogo um livrinho de regras, mais o apito, um cartão vermelho e um cartão amarelo. "Faço questão de ter os instrumentos à mão porque acompanho as partidas como se o árbitro fosse eu", garante. "Marco mentalmente as faltas, assinalo os impedimentos, faço advertências e termino as transmissões quase tão esgotado como se tivesse corrido durante noventa minutos."

 
 
   
  voltar
   
  Editora Abril S.A. - Copyright © 2000. Todos os direitos reservados