Publicidade
30 de junho de 2002
Amor pelo Ocidente

nestaedição
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice

A glória dos pentacampeões
Corações em campo
A imagem do sucesso
O país do futebol
Oriente loiro
Palpiteiros profissionais
Quarenta e quatro anos de glória
O esporte mais democrático
Talento à venda
Os juízes: trapalhadas sem fim
O penta em números
Os avanços da bola

Perfis
A vitória de Big Phil
Ronaldo
Rivaldo
Ronaldinho Gaúcho
Roberto Carlos
Gilberto Silva
Cafu
Kléberson
Juninho Paulista
Denilson
Marcos, o verdadeiro Kahn
O trio de ferro
Kaká
O Brasil do banco

Papel de parede: pôster da seleção pentacampeã
 


 

A síndrome da Suécia

O futebol faz crescer entre os jovens
japoneses e coreanos a mania de pintar
o cabelo de todos os tons e de mudar
o desenho das pálpebras


AFP


Aquela imagem dos jovens asiáticos nerds, certinhos, obedientes e uniformizados, se ainda existia, mudou definitivamente com a Copa do Mundo. Ao lado dos jogadores de várias seleções que desfilavam nos gramados com cabelo de moicano, trancinhas, rabo-de-cavalo ou reluzentes cabeças escanhoadas, os jovens torcedores japoneses e coreanos chamavam a atenção como nunca pelo visual exibido nas arquibancadas. Os urahara, rapazes que radicalizaram mais que as moças, apareciam com o cabelo pintado de loiro ou de cores chocantes, como vermelho ou azul. As garotas, conhecidas como gyaru, trocaram a palidez por bronzeamento artificial, piercings e penteados que iam do punk ao tingimento em todos os tons da escala cromática. Tudo isso sem abandonar a camisa branca, a calça azul, a saia plissada e as meias brancas da roupa escolar de uso obrigatório até os 18 anos.

Os torcedores que acompanharam nos estádios a eliminação do Japão e a surpreendente campanha da Coréia eram, no entanto, apenas uma pequena parte visível dessa revolução visual. Longe do futebol, em bares, casas noturnas ou nas ruas, a coisa era de um radicalismo ainda maior. Saíram os uniformes e entraram os penteados, looks e acessórios antes só encontrados na noite de Londres. "Eles entraram nessa onda e agora, quando vão aos salões, exigem cores cada vez mais malucas e berrantes", contou Agda Kogake, cabeleireira brasileira radicada há nove anos no Japão. "Todos querem ficar diferentes ou imitar tanto os ídolos da música pop inglesa e americana como os do futebol." Nos supermercados e drogarias há gôndolas inteiras com tinturas. As embalagens mostram em fotos ou desenhos o resultado que se pode esperar. Algumas marcas trazem na caixinha uma mecha de cabelo pintada na cor que se irá obter com a aplicação. O preço médio é de 20 reais, uma pechincha diante do alto custo de vida no país.

 



 
 
   
  voltar
   
  Editora Abril S.A. - Copyright © 2000. Todos os direitos reservados