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A síndrome
da Suécia
O futebol
faz crescer entre os jovens
japoneses e coreanos a mania de pintar
o cabelo de todos os tons e de mudar
o desenho das pálpebras
AFP
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Aquela imagem dos jovens asiáticos nerds, certinhos, obedientes
e uniformizados, se ainda existia, mudou definitivamente com a Copa do
Mundo. Ao lado dos jogadores de várias seleções que
desfilavam nos gramados com cabelo de moicano, trancinhas, rabo-de-cavalo
ou reluzentes cabeças escanhoadas, os jovens torcedores japoneses
e coreanos chamavam a atenção como nunca pelo visual exibido
nas arquibancadas. Os urahara, rapazes que radicalizaram mais que as moças,
apareciam com o cabelo pintado de loiro ou de cores chocantes, como vermelho
ou azul. As garotas, conhecidas como gyaru, trocaram a palidez por bronzeamento
artificial, piercings e penteados que iam do punk ao tingimento em todos
os tons da escala cromática. Tudo isso sem abandonar a camisa branca,
a calça azul, a saia plissada e as meias brancas da roupa escolar
de uso obrigatório até os 18 anos.
Os torcedores
que acompanharam nos estádios a eliminação do Japão
e a surpreendente campanha da Coréia eram, no entanto, apenas uma
pequena parte visível dessa revolução visual. Longe
do futebol, em bares, casas noturnas ou nas ruas, a coisa era de um radicalismo
ainda maior. Saíram os uniformes e entraram os penteados, looks
e acessórios antes só encontrados na noite de Londres. "Eles
entraram nessa onda e agora, quando vão aos salões, exigem
cores cada vez mais malucas e berrantes", contou Agda Kogake, cabeleireira
brasileira radicada há nove anos no Japão. "Todos querem
ficar diferentes ou imitar tanto os ídolos da música pop
inglesa e americana como os do futebol." Nos supermercados e drogarias
há gôndolas inteiras com tinturas. As embalagens mostram
em fotos ou desenhos o resultado que se pode esperar. Algumas marcas trazem
na caixinha uma mecha de cabelo pintada na cor que se irá obter
com a aplicação. O preço médio é de
20 reais, uma pechincha diante do alto custo de vida no país.
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