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A
descoberta do palco
Ronaldinho
mostrou ao mundo
um futebol de alta classe que
poucos conheciam
AP

A queda
da Bélgica: os
diabos vermelhos se assustam com a habilidade de Ronaldinho |
As
boas participações de Ronaldinho Gaúcho nos amistosos
da seleção pesaram. E a camisa 11 de Romário ganhou
novo dono: o meia-atacante do Paris Saint-Germain, que aos 22 anos é
o mais jovem titular do time de Felipão. Valeu a convocação.
Ele deu decisivas contribuições para a conquista do penta.
O destino o dotou de uma habilidade que ele exibiu de forma contundente
no jogo contra a Inglaterra, quando arrancou do meio de campo com a bola
dominada, aplicou um drible desconcertante no defensor Ashley Cole e serviu
Rivaldo, que concluiu a jogada com bola na rede. Numa cobrança
de falta no jogo contra os ingleses, surpreendeu David Seaman, que estava
adiantado, e chutou direto para o gol, encobrindo o goleiro. A seleção
foi o final feliz de uma história que tinha tudo para ser triste.
Filho de um soldador que morreu num acidente na piscina de casa quando
ele tinha 9 anos, o menino dormia abraçado com a bola, sonhando
ser um craque do futebol. Seu sonho tornou-se realidade de uma forma esplendorosa.
Gaúcho de Porto Alegre, Ronaldo de Assis Moreira cresceu vendo
Zico jogar. Seguiu com atenção cada falta cobrada, cada
drible do "Galinho". Em 1995, enquanto Felipão conquistava a América
do Sul, o garoto de dentes proeminentes ainda estava nas categorias de
base do Grêmio. Aos 19 anos, na Copa América contra a Venezuela,
marcou um gol antológico que lembrou Pelé: deu um chapéu
num zagueiro, driblou outro sem deixar a bola cair no chão, desconsiderou
o goleiro e estufou a rede adversária com um chute potente. Não
demorou para virar unanimidade no país.
Um ano antes da Copa, transferiu-se para Paris, numa conturbada operação
milionária. Gols memoráveis, passes preciosos e dribles
empolgantes encantaram os europeus. No futebol francês, além
de modernizar o visual com uma cabeleira fashion presa por uma tiara,
Ronaldinho cresceu para a vida e aprimorou seu jogo. Sentiu saudade do
arroz com feijão, do churrasco e da dobradinha feita pela mãe.
Mas, quando não pode se deliciar com os quitutes caboclos, Ronaldinho
Gaúcho vai comendo a bola.
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