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Nascido
para vencer
O
homem dos dribles desconcertantes
e dos chutes com precisão cirúrgica
Reuters
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Desengonçado
como um boneco de mamulengo, rosto ossudo, corpo magérrimo sobre
pernas muito arqueadas, Rivaldo é dono de um drible desconcertante.
Figura de pesadelo que semeia pânico entre os zagueiros e gela o
coração dos goleiros que o enfrentam nos campos da Europa,
onde defende a camisa do Barcelona, da Espanha. Regular como um relógio,
sempre entre os melhores em campo para defender seu clube. Nesta Copa,
ele enfrentou o desafio de sua vida: provar que é tão bom
jogador na seleção quanto nos times por onde passou, coisa
que seus críticos duvidavam. Mesmo depois de ter sido eleito pela
Fifa o melhor jogador do mundo em 1999. Neste Mundial, marcou uma chuva
de gols. De seus pés saíram passes precisos que permitiram
a seus companheiros estufar a rede adversária, como no lançamento
de 40 jardas que fez Ronaldo marcar o primeiro gol brasileiro nesta Copa,
iniciando a virada contra a Turquia.
Aos 30 anos, Rivaldo Vítor Borba Ferreira foi peça fundamental
para a conquista do penta. Seu único pecado é prender demais
a bola. Quando ele pega a redonda e tenta resolver a jogada sozinho, ignorando
companheiros mais bem colocados, é a torcida quem perde o fôlego.
Sempre foi assim. Quando menino, era chamado de "Delegado", pelo tanto
que prendia a pelota nas peladas do município de Paulista, na Grande
Recife. Tem também uma limitação que fez de seu pé
direito um instrumento útil apenas para embarcar no ônibus.
Canhoto, prefere contornar a bola para ganhar posição de
tiro a ajeitá-la com o pé direito. No jogo contra a Bélgica,
Rivaldo perdeu um gol feito, quando recebeu a bola cruzada por Ronaldo
dentro da pequena área. Na hora do chute, o taco espirrou. Tudo
é perdoável, porque Rivaldo pertence à seleta casta
dos atletas capazes de decidir a sorte da partida num momento de inspiração,
arrematando de primeira para o fundo da rede uma bola que lhe é
lançada, como fez com precisão cirúrgica no jogo
contra a Inglaterra.
Quinze anos atrás, levado pela mão do pai, um humilde funcionário
da prefeitura do Recife, Rivaldo estreou na equipe infanto-juvenil do
Santa Cruz. Só deixou o Recife em 1992, para jogar no Mogi Mirim,
um time pequeno do interior paulista. Logo seu futebol chamou a atenção
e sua carreira disparou. Jogou no Corinthians, depois no Palmeiras, até
ser comprado pelo clube espanhol Deportivo La Coruña. Atualmente
é idolatrado no Barcelona, onde chegou em 1997, contratado por
29 milhões de dólares. Menino pobre que ajudava a sustentar
a família vendendo empadas na rua, entrou para o clube dos jogadores
mais bem pagos do mundo. Considerado o melhor atleta estrangeiro da Espanha,
tornou-se artilheiro do time e campeão pelo Barcelona logo no seu
primeiro ano de clube, coisa que nem Ronaldo conseguira.
A única mágoa que ele manifesta é a de que o pai,
seu maior incentivador, tenha morrido atropelado, em 1989, sem ter visto
seu sucesso. Na vida privada, o meio-campista exuberante é um homem
sóbrio, comedido, alheio às badalações. Nunca
bebeu nem fumou e costuma dormir e acordar cedo. Nas férias, com
todas as mordomias da Europa à disposição, ele vai
para a casa da mãe, em Pernambuco. Craque, mas modesto.
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