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30 de junho de 2002
Rivaldo

nestaedição
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Índice

A glória dos pentacampeões
Corações em campo
A imagem do sucesso
O país do futebol
Oriente loiro
Palpiteiros profissionais
Quarenta e quatro anos de glória
O esporte mais democrático
Talento à venda
Os juízes: trapalhadas sem fim
O penta em números
Os avanços da bola

Perfis
A vitória de Big Phil
Ronaldo
Rivaldo
Ronaldinho Gaúcho
Roberto Carlos
Gilberto Silva
Cafu
Kléberson
Juninho Paulista
Denilson
Marcos, o verdadeiro Kahn
O trio de ferro
Kaká
O Brasil do banco

Papel de parede: pôster da seleção pentacampeã
 


 

Nascido para vencer

O homem dos dribles desconcertantes
e dos chutes com precisão cirúrgica

 
Reuters

Desengonçado como um boneco de mamulengo, rosto ossudo, corpo magérrimo sobre pernas muito arqueadas, Rivaldo é dono de um drible desconcertante. Figura de pesadelo que semeia pânico entre os zagueiros e gela o coração dos goleiros que o enfrentam nos campos da Europa, onde defende a camisa do Barcelona, da Espanha. Regular como um relógio, sempre entre os melhores em campo para defender seu clube. Nesta Copa, ele enfrentou o desafio de sua vida: provar que é tão bom jogador na seleção quanto nos times por onde passou, coisa que seus críticos duvidavam. Mesmo depois de ter sido eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo em 1999. Neste Mundial, marcou uma chuva de gols. De seus pés saíram passes precisos que permitiram a seus companheiros estufar a rede adversária, como no lançamento de 40 jardas que fez Ronaldo marcar o primeiro gol brasileiro nesta Copa, iniciando a virada contra a Turquia.

Aos 30 anos, Rivaldo Vítor Borba Ferreira foi peça fundamental para a conquista do penta. Seu único pecado é prender demais a bola. Quando ele pega a redonda e tenta resolver a jogada sozinho, ignorando companheiros mais bem colocados, é a torcida quem perde o fôlego. Sempre foi assim. Quando menino, era chamado de "Delegado", pelo tanto que prendia a pelota nas peladas do município de Paulista, na Grande Recife. Tem também uma limitação que fez de seu pé direito um instrumento útil apenas para embarcar no ônibus. Canhoto, prefere contornar a bola para ganhar posição de tiro a ajeitá-la com o pé direito. No jogo contra a Bélgica, Rivaldo perdeu um gol feito, quando recebeu a bola cruzada por Ronaldo dentro da pequena área. Na hora do chute, o taco espirrou. Tudo é perdoável, porque Rivaldo pertence à seleta casta dos atletas capazes de decidir a sorte da partida num momento de inspiração, arrematando de primeira para o fundo da rede uma bola que lhe é lançada, como fez com precisão cirúrgica no jogo contra a Inglaterra.

Quinze anos atrás, levado pela mão do pai, um humilde funcionário da prefeitura do Recife, Rivaldo estreou na equipe infanto-juvenil do Santa Cruz. Só deixou o Recife em 1992, para jogar no Mogi Mirim, um time pequeno do interior paulista. Logo seu futebol chamou a atenção e sua carreira disparou. Jogou no Corinthians, depois no Palmeiras, até ser comprado pelo clube espanhol Deportivo La Coruña. Atualmente é idolatrado no Barcelona, onde chegou em 1997, contratado por 29 milhões de dólares. Menino pobre que ajudava a sustentar a família vendendo empadas na rua, entrou para o clube dos jogadores mais bem pagos do mundo. Considerado o melhor atleta estrangeiro da Espanha, tornou-se artilheiro do time e campeão pelo Barcelona logo no seu primeiro ano de clube, coisa que nem Ronaldo conseguira.

A única mágoa que ele manifesta é a de que o pai, seu maior incentivador, tenha morrido atropelado, em 1989, sem ter visto seu sucesso. Na vida privada, o meio-campista exuberante é um homem sóbrio, comedido, alheio às badalações. Nunca bebeu nem fumou e costuma dormir e acordar cedo. Nas férias, com todas as mordomias da Europa à disposição, ele vai para a casa da mãe, em Pernambuco. Craque, mas modesto.

 



 
 
   
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