Carta ao leitor

A América em
busca do ouro


Os cenários cariocas
da competição


Vinte e dois atletas
em que o Brasil aposta


O que ver, onde e quando: o dia-a-dia
das disputas


Os favoritos em diversas modalidades

Façanhas históricas brasileiras
     
 

PERFIL

LARISSA E JULIANA
QUÍMICA NA AREIA

Paulo Amorim

Larissa é jeito, Juliana é força. Larissa é séria e disciplinada, Juliana é brincalhona. Opostas nas características, elas formam uma sintonizada dupla de vôlei de praia, atual bicampeã mundial. "Somos uma Ferrari. Ela é o motor, eu o piloto", compara Larissa, de 25 anos. "Conseguimos achar o ponto de equilíbrio", emenda Juliana, de 23. "Entro com a disposição, e ela me orienta nos jogos. É o tempero que dá certo."

A química perfeita não se limita às quadras. Uma pede a opinião da outra em quase tudo. Juliana orgulha-se de ter ensinado a parceira a relaxar mais. "Larissa já estava comprometida aos 18 anos. Eu disse: tudo bem ela ser noiva, mas tinha também de aproveitar a vida."

A dupla formou-se em 2004, com sucesso imediato. "Apostamos na nossa juventude", conta Larissa. "Demos cabeçadas e fomos aprendendo juntas." Elas moram em Fortaleza, mas vivem pelo mundo em torneios. "Há muita gente no Brasil que não nos conhece ainda", constata Larissa. "Queremos o ouro para provar que estamos preparadas para representar o país nas Olimpíadas."

 

RODRIGO PESSOA
O CAVALEIRO DE BRUXELAS

Christof Koepsel Bongarts/Getty Images

O sotaque carregado denuncia que Rodrigo Pessoa não nasceu nem vive aqui. Assim como o pai, Nelson Pessoa Filho, porém, é considerado um dos maiores cavaleiros do Brasil de todos os tempos. Aos 34 anos, metade deles competindo no Circuito Mundial de hipismo, o campeão olímpico em Atenas 2004 está na expectativa pelo Pan 2007.

"É um desafio enorme disputar uma competição desse nível no nosso país", diz ele. "Chego com duas missões: classificar-me para as Olimpíadas e brigar pelo ouro contra Canadá e Estados Unidos." Rodrigo nasceu em Paris e mora em Bruxelas, na Bélgica. Rodou o mundo competindo, raramente entre nós. "Disputei menos de dez torneios no Brasil", conta. "Mas o público é sempre muito carinhoso comigo." Rodrigo enfrenta um obstáculo a mais na luta pelo título: a morte do cavalo Oasis, em maio. O jeito foi adaptar-se às pressas a uma nova montaria. "Rufus tem potencial, mas pouca experiência. O Pan será um grande teste para ele", destaca o cavalier brésilien, que na foto monta seu cavalo Baloubet du Rouet

 

NIVALTER SANTOS
O DESTINO EM BOM CURSO

Paulo Vitale

Não fosse o empréstimo de 10 reais feito por um amigo, ele não teria descoberto a canoagem. De sua casa, em São Vicente, no litoral paulista, o sergipano Nivalter Santos via as pessoas remando no Canal dos Barreiros. Ele morria de vontade de se juntar à turma, mas para ter acesso ao local e alugar o equipamento era preciso pagar uma mensalidade de 20 reais. "Um amigo me convidou e só pude ir porque ele me deu a metade", recorda. "Fiquei só um mês. No seguinte não tive como pagar." Mas o destino logo interpôs na vida de Nivalter outro anjo da guarda: Pedro Sena, técnico da seleção brasileira no Pan. "Ele me encontrou por acaso numa feira e me ofereceu uma bolsa para voltar à canoagem", lembra. Sua estréia em competições foi frustrante. Ficou em último na prova de 1 000 metros e viu sua embarcação virar na de 500 metros. Foi então que surgiu seu terceiro grande incentivador. O remador Andre Celestino Borges, o Cubano, ex-atleta da seleção, convenceu-o a completar a prova. "Se ele não me motivasse, talvez eu tivesse desistido de tudo naquela hora", revela Nivalter, que perseverou no esporte e agora lutará pelo pódio na categoria canoa, a única medalha da modalidade que falta ao Brasil.

 

BRANCA E BEATRIZ FERES
UMA EM DUAS

Ernani D'Almeida

Elas nasceram, vivem, treinam, comem, dormem e esperam subir no pódio juntas. Até o endereço eletrônico é um só. As gêmeas lourinhas cariocas Beatriz e Branca Feres, 19 anos, começaram a fazer aula de natação bem pequenas. Em 1995, aos 7 anos, a monotonia das braçadas e o gosto pela dança motivaram-nas a migrar para o nado sincronizado. De lá para cá, o dia-a-dia da dupla pode ser resumido em rodopios, meneios e apnéias dentro d'água. "Eu e a Branca somos um kit", diz Beatriz. As diferenças são mesmo mínimas. Beatriz é mais espevitada, contrastando com a faceta completamente zen da mana, 2 centímetros mais alta (1,65 metro). Lazer? Praia e funk, ritmo que, por sinal, é a trilha sonora da apresentação da equipe brasileira. "Dizem que somos musas", afirma Beatriz. "Tudo bem. Mas queremos ser reconhecidas pelo nosso trabalho."

 

TAMMY GALERA
UM SALTO PARA O PÓDIO

Ernani D'Almeida

Até o verão passado, a carioca Tammy Galera, com o linguajar pontilhado por gírias típicas de seus 16 anos, preocupava-se apenas com estudo e diversão. Mas sua rotina de adolescente mudou radicalmente em abril, quando garantiu vaga no Pan para competir no trampolim de 3 metros sincronizado e ganhou uma responsabilidade extra. Saltará ao lado de Juliana Veloso ("Minha melhor amiga e meu ídolo"). Tammy começou por acaso nos saltos ornamentais. Ela fazia ginástica olímpica, como a irmã Úrsula Flores, até que teve a idéia de escalar a plataforma e mergulhar na piscina. "Não me saí tão mal", lembra. "Era diversão de criança, e deu no que deu." Subir ao pódio está nos planos da dupla. "Venho tentando saltos mais difíceis para acompanhar a Juliana. Se eu melhorar a série, teremos chance de medalha", diz Tammy, que é irmã, por parte de mãe, do jogador Roger, do Corinthians. "A gente quase não se vê, mas sempre se fala. Eu me espelho nele para ser vencedora."

 
Vanderlei Cordeiro de Lima
Daiane dos Santos
Ronaldo Ono
Marcelo Zulu
Thiago Pereira
Fabiana Beltrame
Falcão
Marcia Mizushima
Jadel Gregório
Hugo Hoyama
João Derly
Janeth Arcain
Bernardinho Rezende
Natália Falavigna
Yane Marques
Larissa e Juliana
Rodrigo Pessoa
Nivalter Santos
Beatriz e Branca Feres
Tammy Galera