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PERFIL
LARISSA
E JULIANA
QUÍMICA NA AREIA
Paulo Amorim
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Larissa é jeito, Juliana
é força. Larissa é séria e disciplinada,
Juliana é brincalhona. Opostas nas características,
elas formam uma sintonizada dupla de vôlei de praia,
atual bicampeã mundial. "Somos uma Ferrari. Ela é
o motor, eu o piloto", compara Larissa, de 25 anos. "Conseguimos
achar o ponto de equilíbrio", emenda Juliana, de 23. "Entro
com a disposição, e ela me orienta nos jogos. É
o tempero que dá certo."
A química perfeita não se limita
às quadras. Uma pede a opinião da outra em quase tudo.
Juliana orgulha-se de ter ensinado a parceira a relaxar mais. "Larissa
já estava comprometida aos 18 anos. Eu disse: tudo bem ela
ser noiva, mas tinha também de aproveitar a vida."
A dupla formou-se em 2004, com sucesso imediato.
"Apostamos na nossa juventude", conta Larissa. "Demos cabeçadas
e fomos aprendendo juntas." Elas moram em Fortaleza, mas vivem pelo
mundo em torneios. "Há muita gente no Brasil que não
nos conhece ainda", constata Larissa. "Queremos o ouro para provar
que estamos preparadas para representar o país nas Olimpíadas."
RODRIGO
PESSOA
O CAVALEIRO DE BRUXELAS
Christof Koepsel Bongarts/Getty Images
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O sotaque carregado denuncia que
Rodrigo Pessoa não nasceu nem vive aqui. Assim como
o pai, Nelson Pessoa Filho, porém, é considerado um
dos maiores cavaleiros do Brasil de todos os tempos. Aos 34 anos,
metade deles competindo no Circuito Mundial de hipismo, o
campeão olímpico em Atenas 2004 está na expectativa
pelo Pan 2007.
"É um desafio enorme disputar
uma competição desse nível no nosso país",
diz ele. "Chego com duas missões: classificar-me para as
Olimpíadas e brigar pelo ouro contra Canadá e Estados
Unidos." Rodrigo nasceu em Paris e mora em Bruxelas, na Bélgica.
Rodou o mundo competindo, raramente entre nós. "Disputei
menos de dez torneios no Brasil", conta. "Mas o público é
sempre muito carinhoso comigo." Rodrigo enfrenta um obstáculo
a mais na luta pelo título: a morte do cavalo Oasis, em maio.
O jeito foi adaptar-se às pressas a uma nova montaria. "Rufus
tem potencial, mas pouca experiência. O Pan será um
grande teste para ele", destaca o cavalier brésilien,
que na foto monta seu cavalo Baloubet du Rouet
NIVALTER SANTOS
O DESTINO EM BOM CURSO
Paulo Vitale  |
Não fosse o empréstimo de 10 reais
feito por um amigo, ele não teria descoberto a canoagem.
De sua casa, em São Vicente, no litoral paulista, o sergipano
Nivalter Santos via as pessoas remando no Canal dos Barreiros.
Ele morria de vontade de se juntar à turma, mas para ter
acesso ao local e alugar o equipamento era preciso pagar uma mensalidade
de 20 reais. "Um amigo me convidou e só pude ir porque ele
me deu a metade", recorda. "Fiquei só um mês. No seguinte
não tive como pagar." Mas o destino logo interpôs na
vida de Nivalter outro anjo da guarda: Pedro Sena, técnico
da seleção brasileira no Pan. "Ele me encontrou por
acaso numa feira e me ofereceu uma bolsa para voltar à canoagem",
lembra. Sua estréia em competições foi frustrante.
Ficou em último na prova de 1 000 metros e viu sua embarcação
virar na de 500 metros. Foi então que surgiu seu terceiro
grande incentivador. O remador Andre Celestino Borges, o Cubano,
ex-atleta da seleção, convenceu-o a completar a prova.
"Se ele não me motivasse, talvez eu tivesse desistido de
tudo naquela hora", revela Nivalter, que perseverou no esporte e
agora lutará pelo pódio na categoria canoa, a única
medalha da modalidade que falta ao Brasil.
BRANCA
E BEATRIZ FERES
UMA EM DUAS
Ernani D'Almeida
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Elas
nasceram, vivem, treinam, comem, dormem e esperam subir no pódio
juntas. Até o endereço eletrônico é um
só. As gêmeas lourinhas cariocas Beatriz e
Branca Feres, 19 anos, começaram a fazer aula de natação
bem pequenas. Em 1995, aos 7 anos, a monotonia das braçadas
e o gosto pela dança motivaram-nas a migrar para o nado
sincronizado. De lá para cá, o dia-a-dia da dupla
pode ser resumido em rodopios, meneios e apnéias dentro d'água.
"Eu e a Branca somos um kit", diz Beatriz. As diferenças
são mesmo mínimas. Beatriz é mais espevitada,
contrastando com a faceta completamente zen da mana, 2 centímetros
mais alta (1,65 metro). Lazer? Praia e funk, ritmo que, por sinal,
é a trilha sonora da apresentação da equipe
brasileira. "Dizem que somos musas", afirma Beatriz. "Tudo
bem. Mas queremos ser reconhecidas pelo nosso trabalho."
TAMMY GALERA
UM SALTO PARA O PÓDIO
Ernani D'Almeida
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Até
o verão passado, a carioca Tammy Galera, com o linguajar
pontilhado por gírias típicas de seus 16 anos, preocupava-se
apenas com estudo e diversão. Mas sua rotina de adolescente
mudou radicalmente em abril, quando garantiu vaga no Pan para competir
no trampolim de 3 metros sincronizado e ganhou uma responsabilidade
extra. Saltará ao lado de Juliana Veloso ("Minha melhor amiga
e meu ídolo"). Tammy começou por acaso nos saltos
ornamentais. Ela fazia ginástica olímpica, como
a irmã Úrsula Flores, até que teve a idéia
de escalar a plataforma e mergulhar na piscina. "Não me saí
tão mal", lembra. "Era diversão de criança,
e deu no que deu." Subir ao pódio está nos planos
da dupla. "Venho tentando saltos mais difíceis para acompanhar
a Juliana. Se eu melhorar a série, teremos chance de medalha",
diz Tammy, que é irmã, por parte de mãe, do
jogador Roger, do Corinthians. "A gente quase não se vê,
mas sempre se fala. Eu me espelho nele para ser vencedora."
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