Carta ao leitor

A América em
busca do ouro


Os cenários cariocas
da competição


Vinte e dois atletas
em que o Brasil aposta


O que ver, onde e quando: o dia-a-dia
das disputas


Os favoritos em diversas modalidades

Façanhas históricas brasileiras
     
 

PERFIL

JOÃO DERLY
COM FORÇA E COM VONTADE

Mirian Fichtner

Depois de ter cumprido um vitorioso circuito europeu em 2002, o judoca gaúcho João Derly desembarcou em Santo Domingo no ano seguinte imaginando que levaria a medalha de ouro no Pan. Mas nem passou perto do pódio. Os dirigentes diagnosticaram o motivo do fiasco e prescreveram a receita. Derly tinha de pôr um ponto final na briga com a balança e trocar a categoria ligeiro (até 60 quilos) pela meio-leve (até 66 quilos). Ele aceitou a sugestão, mas, noviço na categoria, foi mal nas classificatórias e ficou fora das Olimpíadas de Atenas. Desgostoso, resolveu dar um tempo no judô em 2004. Trocou o quimono pela sunga e curtiu uma temporada sabática dedicada ao surfe, ao chimarrão em família e à igreja evangélica. No começo de 2005, atendeu ao pedido dos pais e do seu treinador, Kiko Pereira, e retornou aos tatames. "Vou voltar a ser seleção, então", reagiu. Sua previsão estava certa. Foi avassalador no Mundial daquele ano. Venceu na final o campeão olímpico Masato Uchishiba em 42 segundos. Ele quer repetir a dose no Rio. "Estou muito focado", afirma Derly, com 26 anos de idade e dezenove de judô.

 

JANETH ARCAIN
EM BUSCA DO FECHO DE OURO

Ernani D'Almeida

O lugar e o momento perfeitos foram determinantes para a ala Janeth Arcain decidir encerrar a carreira no Rio de Janeiro. Ela chegou a negociar com o San Antonio Silver Star, da WNBA (a liga americana de basquete), e cogitou estender a carreira por mais uma temporada. Mas havia um impasse. Se fechasse com a equipe, não estaria liberada para disputar os Jogos Pan-Americanos.

Foi no dia 11 de abril, justamente quando completava 38 anos, que ela pôs o coração à frente de qualquer argumentação lógica e optou por fazer da Arena Olímpica seu salão de despedida. "Quero que meu adeus às quadras seja também um presente para o público", diz a jogadora paulista, em busca de seu terceiro pódio na competição. Ela ganhou o ouro em Havana (1991) e a prata em Indianápolis (1987).

Com 23 anos de basquete e 21 de seleção brasileira, Janeth planeja fechar o ciclo com chave – e medalha – de ouro.

 

BERNARDINHO
QUEM DISSE QUE NINGUÉM É PERFEITO?

Lailson Santos

O técnico Bernardinho Rezende vive dando palestras em empresas. Sua agenda está abarrotada. Afinal, o manual de todo executivo em busca de sucesso prescreve exatamente as virtudes do treinador: ter liderança sobre o grupo, extrair o melhor da equipe e superar sempre os adversários. Completamente avesso a badalação, Bernardinho não é midiático, frasista ou cativante. Mas, queira ele ou não, tornou-se a referência da seleção brasileira de vôlei, caso raro de treinador que virou unanimidade nacional. A explicação para tamanho êxito? "Sou perfeccionista, exigente e impaciente", define-se. O Pan 2007 pode parecer um desafio menor para uma equipe que é campeã olímpica e mundial. Mas não. Os Jogos de Santo Domingo, em 2003, foram um momento raro em que a seleção decepcionou, ao ser derrotada na semifinal pela Venezuela. Agora, Bernardinho tem a oportunidade de reescrever a história. A torcida está confiante. Das 38 modalidades, o vôlei de quadra é a que tem a maior procura por ingressos. "A experiência do último Pan é um fator de motivação", diz ele. "Só não podemos entrar no oba-oba."

 

NATÁLIA FALAVIGNA
A ROMÁRIO VAI À LUTA

Lailson Santos

Personalidade forte, extrema confiança no próprio potencial, treinos diferentes em relação à equipe e grandes títulos na carreira.

A descrição poderia servir para o artilheiro Romário, mas a personagem em questão é campeã mundial em outra modalidade. Principal atleta brasileira da história do tae kwon do, a paranaense Natália Falavigna, 23 anos, ambiciona conquistar mais uma medalha para a sua coleção: o ouro no Pan. "Natália questiona os treinamentos, não gosta de concentração, quer saber por que tem de fazer esse ou aquele exercício. Sempre digo que ela é o nosso Romário", conta Marcelino Barros, vice-presidente técnico da Confederação Brasileira de Tae kwon do. "Romário tem treinos especiais porque é especial, e dá resultado na hora do vamos ver. Procuro fazer o mesmo", diz ela, que tem duas conquistas mundiais no currículo. "Eu falava que ia disputar as Olimpíadas desde os 4 anos de idade. Sei que sou chata, mas essa determinação me levou a chegar aonde estou."

 

YANE MARQUES
GUERREIRA DO SERTÃO


Ernani D'Almeida

Nascida em Afogados da Ingazeira, no sertão pernambucano, Yane Marques é o principal nome no país em um esporte que exige inúmeras habilidades de seus praticantes. Trata-se do pentatlo moderno, modalidade que reúne cinco competições diferentes. Até 2003, ela não fazia a menor idéia do que era. Yane praticava biatlo (corrida e natação), quando foi convidada por Alexandre França, atual técnico da equipe brasileira, a tentar o pentatlo. Ela imaginava que uma das provas era de ciclismo. Na verdade, além de corrida e natação, o pentatlo – que tem origem militar – inclui equitação, esgrima e tiro. "Não tinha a menor noção de nenhum deles, mas fui em frente e aos poucos ganhei confiança", diz Yane, que tem 23 anos e muita esperança de chegar ao pódio. "No início, eu respeitava demais a adversária na esgrima. Hoje vou para cima. Afinal, eu também tenho espada para enfrentá-la."

 

 
Vanderlei Cordeiro de Lima
Daiane dos Santos
Ronaldo Ono
Marcelo Zulu
Thiago Pereira
Fabiana Beltrame
Falcão
Marcia Mizushima
Jadel Gregório
Hugo Hoyama
João Derly
Janeth Arcain
Bernardinho Rezende
Natália Falavigna
Yane Marques
Larissa e Juliana
Rodrigo Pessoa
Nivalter Santos
Beatriz e Branca Feres
Tammy Galera