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PERFIL
FABIANA BELTRAME
A ESPARTANA PIONEIRA NO REMO
Ernani D'Almeida
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Enfurnar-se
numa ilha com a cara-metade pode parecer o mais apaixonado dos programas.
Definitivamente, não foi o que aconteceu com Fabiana Beltrame
e Gibran Vieira. Eles passaram quatro meses na Ilha do Pavão,
em Porto Alegre, com a equipe brasileira de remo. A rotina
do casal de namorados nem de longe lembrou qualquer sentimento que
resvale em romantismo. Foram oito horas de treinamento todos os
dias. "A presença dele amenizou o isolamento, mas cansou
do mesmo jeito", diz ela, que ainda rebocou para a clausura a cachorrinha
Bel, sua schnauzer de estimação. De volta ao Rio de
Janeiro, Fabiana mantém a espartana seqüência
de preparação para os Jogos, cuja última folga
foi no réveillon. Acorda sempre às 5h15 e rema 32
quilômetros por dia na Lagoa Rodrigo de Freitas. Bate ponto
religiosamente num restaurante vegetariano para controlar o peso.
"No máximo, como uma pipoca quando vou ao cinema", conta
ela, a primeira e única brasileira a disputar a modalidade
numa Olimpíada. Uma tremenda evolução para
quem começou a remar por curiosidade, em busca de um exercício
longe da claustrofobia das academias.
FALCÃO
O ARTISTA DO SALÃO
Lailson Santos
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Estreante
nos Jogos Pan-Americanos, o futsal provoca expectativa que
vai além da simples novidade em si. Favorita destacada à
medalha dourada, a equipe brasileira tem como astro um desses atletas
cada vez mais raros, que aliam talento e eficiência. O ala
Falcão, como é conhecido o paulista Alessandro
Rosa Vieira, flexibiliza a fronteira entre esporte e espetáculo.
Ele encara a competição com duas missões. A
primeira é ficar com o título, de preferência
alcançando os 200 gols pela seleção
já marcou 189 em 158 partidas. A outra é aproveitar
a vitrine para revigorar a campanha de tornar o futsal modalidade
olímpica. "Estou confiante em que estaremos na Inglaterra
em 2012", aposta o craque, de olho nas Olimpíadas de Londres.
Falcão herdou do pai o apelido alusivo ao ex-jogador
dos gramados , a habilidade para o drible e o sonho que o
velho não conseguiu realizar de virar profissional da bola.
Fez algumas tentativas de migrar das quadras para os gramados. A
última delas foi como meio-campo do São Paulo, em
2005. Como nas outras vezes, acabou de volta ao salão. "Hoje
não troco o futsal por nada", diz ele, que completou 30 anos
no dia 8 de junho. Seus desafios mais imediatos passam pelo Rio
de Janeiro. No ano que vem, o ala retornará à cidade
com a seleção em busca do inédito título
mundial, a única lacuna em seu histórico de conquistas,
que inclui a eleição pela Fifa de melhor jogador do
planeta na modalidade, em 2004.
MARCIA MIZUSHIMA
SÓ FUTEBOL? NÃO, SOFTBOL
Paulo Vitale
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Quase
ninguém conhece o softbol, uma das modalidades em
disputa no Pan. Que o diga Marcia Mizushima, de 26 anos,
maior destaque da equipe brasileira. As pessoas costumam reagir
da mesma maneira quando ela revela o que vai jogar. "Só futebol?"
Ela rebate: "Não, softbol". O soft como Marcia se
refere ao esporte tem parentesco com o beisebol. É
pouco praticado no Brasil, e a seleção nacional só
está nos Jogos devido às vagas cativas destinadas
ao país anfitrião. Apenas uma atleta do grupo não
possui ascendência nipônica. Marcia, por exemplo, é
filha de japonês com espanhola. "Sonho com todos no estádio
gritando Brasil, Brasil", diz ela. A disciplina nipônica ajuda
a suportar a rotina de treinos em Ibiúna, no interior paulista.
Cada atleta leva o próprio uniforme e banca as refeições.
"A gente se sacrifica pelo soft. Eu mesma adiei o sonho de ter o
segundo filho para depois do Pan."
JADEL GREGÓRIO
UM GIGANTE DAS PISTAS
Eduardo Martino
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Seus
pés, tamanho 46, podem fazer a diferença na pequena
distância que define o lugar de cada um no pódio. Certamente
eles ajudaram Jadel Gregório a quebrar neste ano o
recorde sul-americano no salto triplo. Em maio, durante o
GP Brasil de Atletismo, em Belém, ele obteve a extraordinária
marca de 17,90 metros 1 centímetro a mais do que João
do Pulo saltou há 32 anos. "A emoção de competir
nos Jogos Pan-Americanos será ainda maior", aposta esse paranaense
de Jandaia do Sul, que é mesmo um gigante: mede 2,03 metros
e pesa 103 quilos. Para ele, 2005 foi um ano de metamorfoses radicais.
Jadel casou-se com a libanesa Samara, converteu-se ao islamismo
e mudou-se para a Inglaterra, onde mora em Gateshead, no norte do
país, com a mulher e os dois filhos o menino Jade,
de 1 ano, e a recém-nascida Saara. Faz duas sessões
diárias de exercícios: treino técnico pela
manhã e físico à tarde. Até onde pode
chegar o vôo de Jadel? "Estou em busca dessa resposta também",
diz. "Trabalho muito pela superação."
HUGO HOYAMA
ENSAIO DE DESPEDIDA
Paulo Vitale
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Numa
idade em que raros atletas de ponta de qualquer esporte ainda participam
de competições internacionais, o paulista Hugo
Hoyama prepara-se para enfrentar mais um grande desafio. Com
38 anos de idade, trinta de carreira e vinte de profissão,
ele vai participar pela sexta vez do torneio de tênis de
mesa dos Jogos Pan-Americanos. E com uma motivação
muito especial. Se conquistar o título em simples ou por
equipe, passará a ser o brasileiro recordista de medalhas
de ouro na competição. Ultrapassará assim o
ex-nadador Gustavo Borges, seu amigo, aliás. Ambos têm
oito. Às voltas com as bolinhas desde a infância
começou a jogar pingue-pongue aos 8 anos, em São Bernardo
do Campo, cidade da Grande São Paulo onde nasceu ,
Hoyama por enquanto não pensa em pendurar a raquete. "Já
não dá para seguir o ritmo da molecada", diz ele.
"Mas não vou parar antes das Olimpíadas de 2008."
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