Carta ao leitor

A América em
busca do ouro


Os cenários cariocas
da competição


Vinte e dois atletas
em que o Brasil aposta


O que ver, onde e quando: o dia-a-dia
das disputas


Os favoritos em diversas modalidades

Façanhas históricas brasileiras
     
 

PERFIL

FABIANA BELTRAME
A ESPARTANA PIONEIRA NO REMO

Ernani D'Almeida


Enfurnar-se numa ilha com a cara-metade pode parecer o mais apaixonado dos programas. Definitivamente, não foi o que aconteceu com Fabiana Beltrame e Gibran Vieira. Eles passaram quatro meses na Ilha do Pavão, em Porto Alegre, com a equipe brasileira de remo. A rotina do casal de namorados nem de longe lembrou qualquer sentimento que resvale em romantismo. Foram oito horas de treinamento todos os dias. "A presença dele amenizou o isolamento, mas cansou do mesmo jeito", diz ela, que ainda rebocou para a clausura a cachorrinha Bel, sua schnauzer de estimação. De volta ao Rio de Janeiro, Fabiana mantém a espartana seqüência de preparação para os Jogos, cuja última folga foi no réveillon. Acorda sempre às 5h15 e rema 32 quilômetros por dia na Lagoa Rodrigo de Freitas. Bate ponto religiosamente num restaurante vegetariano para controlar o peso. "No máximo, como uma pipoca quando vou ao cinema", conta ela, a primeira e única brasileira a disputar a modalidade numa Olimpíada. Uma tremenda evolução para quem começou a remar por curiosidade, em busca de um exercício longe da claustrofobia das academias.

 

FALCÃO
O ARTISTA DO SALÃO

Lailson Santos

Estreante nos Jogos Pan-Americanos, o futsal provoca expectativa que vai além da simples novidade em si. Favorita destacada à medalha dourada, a equipe brasileira tem como astro um desses atletas cada vez mais raros, que aliam talento e eficiência. O ala Falcão, como é conhecido o paulista Alessandro Rosa Vieira, flexibiliza a fronteira entre esporte e espetáculo. Ele encara a competição com duas missões. A primeira é ficar com o título, de preferência alcançando os 200 gols pela seleção – já marcou 189 em 158 partidas. A outra é aproveitar a vitrine para revigorar a campanha de tornar o futsal modalidade olímpica. "Estou confiante em que estaremos na Inglaterra em 2012", aposta o craque, de olho nas Olimpíadas de Londres. Falcão herdou do pai o apelido – alusivo ao ex-jogador dos gramados –, a habilidade para o drible e o sonho que o velho não conseguiu realizar de virar profissional da bola. Fez algumas tentativas de migrar das quadras para os gramados. A última delas foi como meio-campo do São Paulo, em 2005. Como nas outras vezes, acabou de volta ao salão. "Hoje não troco o futsal por nada", diz ele, que completou 30 anos no dia 8 de junho. Seus desafios mais imediatos passam pelo Rio de Janeiro. No ano que vem, o ala retornará à cidade com a seleção em busca do inédito título mundial, a única lacuna em seu histórico de conquistas, que inclui a eleição pela Fifa de melhor jogador do planeta na modalidade, em 2004.

 

MARCIA MIZUSHIMA
SÓ FUTEBOL? NÃO, SOFTBOL

Paulo Vitale


Quase ninguém conhece o softbol, uma das modalidades em disputa no Pan. Que o diga Marcia Mizushima, de 26 anos, maior destaque da equipe brasileira. As pessoas costumam reagir da mesma maneira quando ela revela o que vai jogar. "Só futebol?" Ela rebate: "Não, softbol". O soft – como Marcia se refere ao esporte – tem parentesco com o beisebol. É pouco praticado no Brasil, e a seleção nacional só está nos Jogos devido às vagas cativas destinadas ao país anfitrião. Apenas uma atleta do grupo não possui ascendência nipônica. Marcia, por exemplo, é filha de japonês com espanhola. "Sonho com todos no estádio gritando Brasil, Brasil", diz ela. A disciplina nipônica ajuda a suportar a rotina de treinos em Ibiúna, no interior paulista. Cada atleta leva o próprio uniforme e banca as refeições. "A gente se sacrifica pelo soft. Eu mesma adiei o sonho de ter o segundo filho para depois do Pan."

 

JADEL GREGÓRIO
UM GIGANTE DAS PISTAS

Eduardo Martino

Seus pés, tamanho 46, podem fazer a diferença na pequena distância que define o lugar de cada um no pódio. Certamente eles ajudaram Jadel Gregório a quebrar neste ano o recorde sul-americano no salto triplo. Em maio, durante o GP Brasil de Atletismo, em Belém, ele obteve a extraordinária marca de 17,90 metros – 1 centímetro a mais do que João do Pulo saltou há 32 anos. "A emoção de competir nos Jogos Pan-Americanos será ainda maior", aposta esse paranaense de Jandaia do Sul, que é mesmo um gigante: mede 2,03 metros e pesa 103 quilos. Para ele, 2005 foi um ano de metamorfoses radicais. Jadel casou-se com a libanesa Samara, converteu-se ao islamismo e mudou-se para a Inglaterra, onde mora em Gateshead, no norte do país, com a mulher e os dois filhos – o menino Jade, de 1 ano, e a recém-nascida Saara. Faz duas sessões diárias de exercícios: treino técnico pela manhã e físico à tarde. Até onde pode chegar o vôo de Jadel? "Estou em busca dessa resposta também", diz. "Trabalho muito pela superação."

 

HUGO HOYAMA
ENSAIO DE DESPEDIDA

 
Paulo Vitale

Numa idade em que raros atletas de ponta de qualquer esporte ainda participam de competições internacionais, o paulista Hugo Hoyama prepara-se para enfrentar mais um grande desafio. Com 38 anos de idade, trinta de carreira e vinte de profissão, ele vai participar pela sexta vez do torneio de tênis de mesa dos Jogos Pan-Americanos. E com uma motivação muito especial. Se conquistar o título em simples ou por equipe, passará a ser o brasileiro recordista de medalhas de ouro na competição. Ultrapassará assim o ex-nadador Gustavo Borges, seu amigo, aliás. Ambos têm oito. Às voltas com as bolinhas desde a infância – começou a jogar pingue-pongue aos 8 anos, em São Bernardo do Campo, cidade da Grande São Paulo onde nasceu –, Hoyama por enquanto não pensa em pendurar a raquete. "Já não dá para seguir o ritmo da molecada", diz ele. "Mas não vou parar antes das Olimpíadas de 2008."

 
Vanderlei Cordeiro de Lima
Daiane dos Santos
Ronaldo Ono
Marcelo Zulu
Thiago Pereira
Fabiana Beltrame
Falcão
Marcia Mizushima
Jadel Gregório
Hugo Hoyama
João Derly
Janeth Arcain
Bernardinho Rezende
Natália Falavigna
Yane Marques
Larissa e Juliana
Rodrigo Pessoa
Nivalter Santos
Beatriz e Branca Feres
Tammy Galera