Carta ao leitor

A América em
busca do ouro


Os cenários cariocas
da competição


Vinte e dois atletas
em que o Brasil aposta


O que ver, onde e quando: o dia-a-dia
das disputas


Os favoritos em diversas modalidades

Façanhas históricas brasileiras
     
 

PERFIL

VANDERLEI CORDEIRO DE LIMA
DESAFIOS DE TIRAR O FÔLEGO

 

Tasso Marcelo/AE
aso

O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima afia o fôlego para duas provas de resistência. Na primeira, ele voará da Colômbia para o Rio com a missão de carregar no Maracanã a bandeira do Brasil na cerimônia de abertura do Pan. "Será um momento inesquecível", diz ele. Em seguida, retornará a Paipa, vilarejo a 2 500 metros de altitude distante 180 quilômetros de Bogotá. Lá, ele encara a reta final do treinamento, de olho em seu segundo desafio: os 42 quilômetros da maratona, no último dia da competição. Em Paipa, sua programação é monástica. Divide uma cabana sem telefone com outro atleta brasileiro, Fernando Alex Fernandes.

É o próprio Vanderlei quem faz as compras, a faxina e a comida, entre duas sessões diárias de treinos. Sacrifício? Não para um ex-bóia-fria que na juventude corria diariamente 15 quilômetros no trajeto de casa ao roçado – e que agora pensa apenas na medalha de ouro.

 

DAIANE DOS SANTOS
A QUERIDINHA DO BRASIL

 

Lailson Santos

Um lagarto desenhado nas costas e seu nome completo escrito em caracteres japoneses no tornozelo e no abdome. A essas três tatuagens, Daiane dos Santos iria acrescentar mais uma.

Por enquanto, porém, ela está sem cabeça para pensar na quarta marca que colocará no corpo. A única preocupação da ginasta é o Pan. "Quero ver logo acontecer as coisas", diz ela, que aos 24 anos sinaliza que o Rio de Janeiro poderá ser o cenário do começo da reta final da gloriosa carreira de uma atleta que virou paixão nacional. "Minha meta é ir até as Olimpíadas de Pequim. Depois, não sei o que vai ser."

Gaúcha radicada em Curitiba, até dois anos atrás a estrela da ginástica dividia um apartamento com outras meninas da seleção brasileira. Agora mora sozinha. Ou quase isso.

Tem a companhia da schnauzer Hana e do labrador Aragon. "A Hana está ficando parecida com a dona: é carinhosa, teimosa e mandona", conta Daiane, que quer fazer história no Pan. Pode tornar-se a primeira brasileira a ganhar três medalhas de ouro. Aí então voltará ao tatuador.

 

RONALDO ONO
UMA HISTÓRIA GRATUITA DE AMOR

Paulo Vitale
aso


Com dezesseis anos de serviços prestados à seleção brasileira de beisebol, o primeira base Ronaldo Ono é um exemplo de amor ao esporte. As rebatidas só lhe renderam algum dinheiro entre 1996 e 2001, quando atuou como profissional no Japão. No retorno ao Brasil, voltou a conviver com as dificuldades naturais de uma modalidade que é amadora por aqui. Hoje, aos 33 anos, ele é o capitão da equipe nacional. "Foi difícil voltar a ser amador, mas prevaleceu a paixão", diz. "O beisebol foi importante em tudo na minha vida. Da minha formação à integração social." Ono acredita que Cuba levará o ouro no Pan. As outras duas vagas no pódio estão em aberto. "Temos feito bons jogos, mas ficamos no quase em fases decisivas", relata. "Esse quase pode se transformar em vitória. A torcida será o diferencial a nosso favor", aposta o jogador, que é formado em administração de empresas, mora em São Paulo e trabalha num ramo incomum: venda de bidês sofisticados. "Um fornecedor me viu numa revista e não acreditou que aquele cara que ia sempre visitá-lo era o capitão da seleção de beisebol", conta.

 

MARCELO ZULU
BIG BROTHER BOM DE BRIGA

Lailson Santos
aso


Marcelo Gomes, o "Zulu", ganhou notoriedade ao enclausurar-se no Big Brother Brasil em 2004. A derrota no sétimo paredão do programa foi uma das raras no currículo do heptacampeão brasileiro de luta greco-romana. Desta vez, ele quer voltar às manchetes de outra forma. "Será especial participar do Pan. Meus pais estarão me vendo da arquibancada", diz o niteroiense de 26 anos que foi bicampeão brasileiro de luta livre antes de se dedicar exclusivamente à greco-romana. A participação no BBB é vista com reservas. "Foi um exercício inacreditável de convivência, mas que me atrapalhou como atleta", reconhece. "Seis meses depois de sair da casa, eu ainda estava preso a diversos compromissos." Agora, Zulu só quer saber de lutar. "Estados Unidos e Cuba são supremos no continente, mas estamos fazendo um trabalho intenso para amenizar o desnível", afirma. "Espero que a gente prove isso."

 

THIAGO PEREIRA
SETE GRANDES DESAFIOS

Lailson Santos


Aos 12 anos, Thiago Pereira precisou fazer uma escolha: futsal, basquete ou natação, os três esportes que praticava. Chegara a hora de se dedicar a um só. Acabou optando pela piscina. O motivo principal da escolha não foi a aptidão. Ele se saía bem nas três modalidades, mas ficou com a natação porque teria mais oportunidade de participar de provas e campeonatos. "Sou muito competitivo em qualquer coisa", explica Thiago, que nasceu há 21 anos, em Volta Redonda (RJ). "Seja na água, numa pelada ou num joguinho de videogame." Justamente por ser movido a disputa é que ele vai encarar sete provas neste Pan-Americano: 100 m e 200 m costas, 200 m peito e medley, 400 m e 4 x 100 m medley e 4 x 200 m livre. Para testar sua resistência, ele participou, no início de junho, do Troféu Internacional Cidade de Barcelona. Em menos de uma semana, caiu na piscina mais de vinte vezes. "Meu objetivo é chegar bem no Pan", diz. "Claro que quero conquistar sete medalhas, mas é difícil."

 
Vanderlei Cordeiro de Lima
Daiane dos Santos
Ronaldo Ono
Marcelo Zulu
Thiago Pereira
Fabiana Beltrame
Falcão
Marcia Mizushima
Jadel Gregório
Hugo Hoyama
João Derly
Janeth Arcain
Bernardinho Rezende
Natália Falavigna
Yane Marques
Larissa e Juliana
Rodrigo Pessoa
Nivalter Santos
Beatriz e Branca Feres
Tammy Galera