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Os nossos esportistas
estão chegando
Jade, Maurren, Jadel, Marílson:
se não será fácil para atletas estrangeiros
pronunciar os nomes de alguns brasileiros, mais difícil ainda
será enfrentá-los. O Brasil tem chances de ouro em
pelo menos nove modalidades nesta Olimpíada: judô,
ginástica artística, atletismo, vela, futebol, vôlei,
vôlei de praia, natação e hipismo. Para o país,
que vai a Pequim com a maior delegação
da sua história, a chama olímpica nunca esteve tão
brilhante.

Kalleo Coura e Sérgio Garcia
Paulo Vitale
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TIAGO CAMILO
O melhor do mundo
O ano de 2007 não poderia ter
sido melhor para o judoca Tiago Camilo, medalha de prata
na Olimpíada de 2000, em Sydney. Depois de conquistar o ouro
no Pan do Rio, onde venceu todas as lutas por ippon (em japonês,
"ponto único", na tradução literal),
foi campeão no Mundial de Judô, também disputado
no Rio, e ainda levou, da federação internacional,
o título de o melhor judoca do mundo. Tiago cresceu em Bastos,
cidade do interior de São Paulo com grande concentração
de descendentes de japoneses, os criadores do esporte. Pisou pela
primeira vez num tatame aos 5 anos de idade, depois de ver o irmão
Francisco, também judoca profissional, em ação.
Dono de uma surpreendente técnica de imobilização
ele segura seus oponentes como um canhoto, mesmo sendo destro
, é o favorito na sua categoria em Pequim.
Paulo Vitale
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JADE BARBOSA
Menina de fibra
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A rotina de Jade Barbosa não
é nada fácil. A favorita do salto na ginástica
artística, medalha de bronze no Mundial de 2007 na categoria
individual geral, treina sete horas por dia sob as ordens do técnico
ucraniano Oleg Ostapenko famoso tanto pelo seu talento como
pela facilidade com que arranca lágrimas das atletas ("Você:
gorda!", dizia ele, apontando o dedo para uma delas no dia
em que a reportagem de VEJA visitou o treino da seleção,
em Curitiba. "Está comenda escondida, é?",
esbravejava, com seu sotaque peculiar). Os treinos vão de
manhã à noite. No intervalo, Jade ainda cursa a 2ª
série do ensino médio. Nesse ritmo, tudo o mais
amigos, baladas, passeios fica para depois. Seu último
aniversário (Jade completou 17 anos em 1º de julho),
por exemplo, caiu no meio de um torneio europeu e ela passou a data
percorrendo aeroportos um na Bielo-Rússia, outro na
Alemanha e outro na Itália. E não teve comemoração?
"As meninas improvisaram um bolinho e cantaram parabéns
num dos aeroportos. Ano de Olimpíada é duro mesmo",
diz. Vida de atleta, mais ainda.
Paulo Vitale
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MAURREN MAGGI
A atleta que voa
Em 2004, Maurren Higa Maggi viu a Olimpíada
de Atenas pela TV, enquanto vivia uma das piores fases da sua carreira.
Um ano antes, em 2003, havia sido suspensa das competições
por uso de doping acusação que sempre negou.
Voltou a treinar em 2006 e, no ano seguinte, mostrou que o tempo
que ficou afastada das pistas só aumentou a sua vontade de
vencer: foi a campeã do salto em distância no
Pan do Rio. Sua primeira Olimpíada foi a de Sydney, em 2000.
Era esperança de medalha, mas contundiu a coxa direita nas
eliminatórias e teve de abandonar a prova. Pequim será
sua segunda chance olímpica. E Maurren promete agarrá-la
com todas as suas forças.
Otavio Dias de Oliveira
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JADEL GREGÓRIO
Passos de gigante
Por onde passa, Jadel Gregório,
27 anos, chama atenção. O triplista nascido
no interior do Paraná tem 2,02 metros de altura e pesa 102
quilos tudo isso sustentado por pés tamanho 46. Mais
do que suas medidas, o que impressiona mesmo são as marcas
que ele vem registrando: no Grande Prêmio Brasil de Atletismo
do ano passado, o atleta saltou 17,90 metros, superando em 1 centímetro
o recorde sul-americano do mítico João do Pulo e quebrando
uma marca de 32 anos. Jadel Gregório ou Jade Abdul
Ghani Gregório, nome que adotou depois de se casar com a
fisioterapeuta de origem libanesa Samara Abdul Ghani e converter-se
ao islamismo hoje mora na Inglaterra. Lá, treina com
o inglês Peter Stanley, ex-técnico do também
inglês Jonathan Edwards, recordista mundial do salto triplo.
Pequim será a segunda Olimpíada de Jadel. Na estréia,
em Atenas, ele pegou um modesto quinto lugar. Agora, a bordo de
suas sapatilhas 46, almeja percorrer distâncias bem maiores.
Paulo Vitale
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ROBERT SCHEIDT
O senhor do vento
Para o iatista Robert Scheidt,
35 anos, a água e o vento são como velhos amigos.
Desde os 9 anos de idade, quando a família o matriculou numa
escolinha de vela da Represa de Guarapiranga, em São Paulo,
Scheidt nunca mais abandonou o barco. "Velejar é fácil,
difícil é fazer isso em nível olímpico",
garante. O primeiro título internacional veio aos 11 anos,
quando ele venceu o sul-americano da classe Optimist no Chile. Em
1996, na Olimpíada de Atlanta, conquistou seu primeiro ouro
olímpico. Em Sydney (2000), ficou com a prata. Em Atenas
(2004), sagrou-se bicampeão olímpico. Em Pequim, Scheidt
terá um novo desafio. Depois de quinze anos na categoria
Laser, ele disputa pela primeira vez uma Olimpíada na categoria
Star. Para isso, contará com Bruno Prada, seu parceiro de
regatas. Em 2007, a união deu certo Robert e Bruno
foram campeões mundiais: ganharam nove dos onze títulos
disputados no ano.
Lailson Santos
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NATÁLIA FALAVIGNA
Dura na queda
Paranaense de Maringá, a lutadora
Natália Falavigna, de 24 anos, é a primeira a reconhecer
que não tem gênio fácil. Nos treinos, costuma
questionar a utilidade de alguns exercícios, não gosta
da concentração e já fez duras críticas
públicas à Confederação Brasileira de
Tae kwon do. Por tudo isso, já foi chamada de "Romário
dos tatames". Mas, se sobra personalidade a Natália,
bravura também não lhe falta. Em sua primeira Olimpíada,
em Atenas (2004), conseguiu chegar às semifinais mesmo tendo
fraturado um osso do pé cinco dias antes da estréia.
No ano seguinte, conquistou o campeonato mundial em Madri, ponto
alto de sua carreira. Em 2003, desanimada com o baixo retorno financeiro
do esporte, quase desistiu de competir. A paixão pelo tatame,
no entanto, falou mais alto. Sorte dos torcedores brasileiros
e azar das adversárias.
Gilberto Taddai
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CÉSAR CIELO
O nome dele é Cielo
Quando vem ao Brasil, o nadador
César Cielo, 21 anos, é freqüentemente confundido
com seu colega mais famoso, Thiago Pereira (com quem, aliás,
não tem nenhuma semelhança física). Ele diz
entender a confusão. Afinal, já faz três anos
que vive fora do país, na pequena Auburn, no estado americano
do Alabama, onde faz faculdade de administração e
treina seis horas por dia. Tanto esforço tem dado resultado.
Em sua primeira competição como nadador profissional,
no Grand Prix de Ohio, em abril deste ano, Cielo venceu ninguém
menos que o fenômeno americano Michael Phelps. Para a Olimpíada
de Pequim, ele conta com os conselhos do empresário Fernando
Scherer, o ex-nadador Xuxa, de quem era fã quando jovem.
Hoje, suas especialidades são as mesmas do antigo ídolo:
quebrar recordes nos 50 e 100 metros livre.
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