Carta ao leitor

A grandiosa
Olimpíada da China


Por dentro da
Vila Olímpica


Nossos atletas
em Pequim


   Tiago Camilo
   Jade Barbosa
   Maurren Maggi
   Jadel Gregório
   Robert Scheidt
   Natália Falavigna
   César Cielo
   Marílson Gomes
   Giba
   Bernardinho
   Fabiana Murer
   Diego Hypólito
   Marta
   Fofão
   Juliana Veloso
   Bimba
   Thiago Pereira
   Ricardo e Emanuel
   Thomaz Bellucci

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As dez Olimpíadas
de VEJA
     
 

Os nossos esportistas
estão chegando

Jade, Maurren, Jadel, Marílson: se não será fácil para atletas estrangeiros pronunciar os nomes de alguns brasileiros, mais difícil ainda será enfrentá-los. O Brasil tem chances de ouro em pelo menos nove modalidades nesta Olimpíada: judô, ginástica artística, atletismo, vela, futebol, vôlei, vôlei de praia, natação e hipismo. Para o país, que vai a Pequim com a maior delegação
da sua história, a chama olímpica nunca esteve tão brilhante.


Kalleo Coura e Sérgio Garcia

Paulo Vitale

TIAGO CAMILO
O melhor do mundo

O ano de 2007 não poderia ter sido melhor para o judoca Tiago Camilo, medalha de prata na Olimpíada de 2000, em Sydney. Depois de conquistar o ouro no Pan do Rio, onde venceu todas as lutas por ippon (em japonês, "ponto único", na tradução literal), foi campeão no Mundial de Judô, também disputado no Rio, e ainda levou, da federação internacional, o título de o melhor judoca do mundo. Tiago cresceu em Bastos, cidade do interior de São Paulo com grande concentração de descendentes de japoneses, os criadores do esporte. Pisou pela primeira vez num tatame aos 5 anos de idade, depois de ver o irmão Francisco, também judoca profissional, em ação. Dono de uma surpreendente técnica de imobilização – ele segura seus oponentes como um canhoto, mesmo sendo destro –, é o favorito na sua categoria em Pequim.

 

Paulo Vitale

JADE BARBOSA
Menina de fibra

A rotina de Jade Barbosa não é nada fácil. A favorita do salto na ginástica artística, medalha de bronze no Mundial de 2007 na categoria individual geral, treina sete horas por dia sob as ordens do técnico ucraniano Oleg Ostapenko – famoso tanto pelo seu talento como pela facilidade com que arranca lágrimas das atletas ("Você: gorda!", dizia ele, apontando o dedo para uma delas no dia em que a reportagem de VEJA visitou o treino da seleção, em Curitiba. "Está ‘comenda’ escondida, é?", esbravejava, com seu sotaque peculiar). Os treinos vão de manhã à noite. No intervalo, Jade ainda cursa a 2ª série do ensino médio. Nesse ritmo, tudo o mais – amigos, baladas, passeios – fica para depois. Seu último aniversário (Jade completou 17 anos em 1º de julho), por exemplo, caiu no meio de um torneio europeu e ela passou a data percorrendo aeroportos – um na Bielo-Rússia, outro na Alemanha e outro na Itália. E não teve comemoração? "As meninas improvisaram um bolinho e cantaram parabéns num dos aeroportos. Ano de Olimpíada é duro mesmo", diz. Vida de atleta, mais ainda.

 

Paulo Vitale

MAURREN MAGGI
A atleta que voa

Em 2004, Maurren Higa Maggi viu a Olimpíada de Atenas pela TV, enquanto vivia uma das piores fases da sua carreira. Um ano antes, em 2003, havia sido suspensa das competições por uso de doping – acusação que sempre negou. Voltou a treinar em 2006 e, no ano seguinte, mostrou que o tempo que ficou afastada das pistas só aumentou a sua vontade de vencer: foi a campeã do salto em distância no Pan do Rio. Sua primeira Olimpíada foi a de Sydney, em 2000. Era esperança de medalha, mas contundiu a coxa direita nas eliminatórias e teve de abandonar a prova. Pequim será sua segunda chance olímpica. E Maurren promete agarrá-la com todas as suas forças.

 

Otavio Dias de Oliveira

JADEL GREGÓRIO
Passos de gigante

Por onde passa, Jadel Gregório, 27 anos, chama atenção. O triplista nascido no interior do Paraná tem 2,02 metros de altura e pesa 102 quilos – tudo isso sustentado por pés tamanho 46. Mais do que suas medidas, o que impressiona mesmo são as marcas que ele vem registrando: no Grande Prêmio Brasil de Atletismo do ano passado, o atleta saltou 17,90 metros, superando em 1 centímetro o recorde sul-americano do mítico João do Pulo e quebrando uma marca de 32 anos. Jadel Gregório – ou Jade Abdul Ghani Gregório, nome que adotou depois de se casar com a fisioterapeuta de origem libanesa Samara Abdul Ghani e converter-se ao islamismo – hoje mora na Inglaterra. Lá, treina com o inglês Peter Stanley, ex-técnico do também inglês Jonathan Edwards, recordista mundial do salto triplo. Pequim será a segunda Olimpíada de Jadel. Na estréia, em Atenas, ele pegou um modesto quinto lugar. Agora, a bordo de suas sapatilhas 46, almeja percorrer distâncias bem maiores.

 

Paulo Vitale

ROBERT SCHEIDT
O senhor do vento

Para o iatista Robert Scheidt, 35 anos, a água e o vento são como velhos amigos. Desde os 9 anos de idade, quando a família o matriculou numa escolinha de vela da Represa de Guarapiranga, em São Paulo, Scheidt nunca mais abandonou o barco. "Velejar é fácil, difícil é fazer isso em nível olímpico", garante. O primeiro título internacional veio aos 11 anos, quando ele venceu o sul-americano da classe Optimist no Chile. Em 1996, na Olimpíada de Atlanta, conquistou seu primeiro ouro olímpico. Em Sydney (2000), ficou com a prata. Em Atenas (2004), sagrou-se bicampeão olímpico. Em Pequim, Scheidt terá um novo desafio. Depois de quinze anos na categoria Laser, ele disputa pela primeira vez uma Olimpíada na categoria Star. Para isso, contará com Bruno Prada, seu parceiro de regatas. Em 2007, a união deu certo – Robert e Bruno foram campeões mundiais: ganharam nove dos onze títulos disputados no ano.

 

Lailson Santos

NATÁLIA FALAVIGNA
Dura na queda

Paranaense de Maringá, a lutadora Natália Falavigna, de 24 anos, é a primeira a reconhecer que não tem gênio fácil. Nos treinos, costuma questionar a utilidade de alguns exercícios, não gosta da concentração e já fez duras críticas públicas à Confederação Brasileira de Tae kwon do. Por tudo isso, já foi chamada de "Romário dos tatames". Mas, se sobra personalidade a Natália, bravura também não lhe falta. Em sua primeira Olimpíada, em Atenas (2004), conseguiu chegar às semifinais mesmo tendo fraturado um osso do pé cinco dias antes da estréia. No ano seguinte, conquistou o campeonato mundial em Madri, ponto alto de sua carreira. Em 2003, desanimada com o baixo retorno financeiro do esporte, quase desistiu de competir. A paixão pelo tatame, no entanto, falou mais alto. Sorte dos torcedores brasileiros – e azar das adversárias.

 

Gilberto Taddai

CÉSAR CIELO
O nome dele é Cielo

Quando vem ao Brasil, o nadador César Cielo, 21 anos, é freqüentemente confundido com seu colega mais famoso, Thiago Pereira (com quem, aliás, não tem nenhuma semelhança física). Ele diz entender a confusão. Afinal, já faz três anos que vive fora do país, na pequena Auburn, no estado americano do Alabama, onde faz faculdade de administração e treina seis horas por dia. Tanto esforço tem dado resultado. Em sua primeira competição como nadador profissional, no Grand Prix de Ohio, em abril deste ano, Cielo venceu ninguém menos que o fenômeno americano Michael Phelps. Para a Olimpíada de Pequim, ele conta com os conselhos do empresário Fernando Scherer, o ex-nadador Xuxa, de quem era fã quando jovem. Hoje, suas especialidades são as mesmas do antigo ídolo: quebrar recordes nos 50 e 100 metros livre.

 

Tiago Camilo
Jade Barbosa
Maurren Maggi
Jadel Gregório
Robert Scheidt
Natália Falavigna
César Cielo
Marílson Gomes
Giba
Bernardinho

Fabiana Murer
Diego Hypólito
Marta
Fofão
Juliana Veloso
Bimba
Thiago Pereira
Ricardo e Emanuel
Thomaz Bellucci