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Gente
A primeira-musa dos franceses
Carla Bruni, a belíssima cantora de voz
rouca,
não conquistou só um homem com poder
nuclear: conquistou o mundo todo
Philippr Wojazer/AFP
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| Carla, de púrpura, em uma recepção no Palácio
do Eliseu |
Se para vencer nos palanques americanos é preciso levar às
últimas conseqüências os votos matrimoniais e
nunca dissolver o que Deus uniu, no Velho Continente a história
parece ser diferente. Que o diga o presidente francês, Nicolas
Sarkozy, representante de centro-direita eleito em maio do ano passado
e atual par constante da nova queridinha da Europa, a cantora, ex-modelo
e beldade inigualável Carla Bruni.
Cinco meses após tomar posse, Sarkozy
se separou da mulher, Cécilia (de quem, aliás, já
havia se separado em outras ocasiões). Enquanto a opinião
pública francesa decidia se tinha pena do presidente largado
ou o considerava um oportunista que segurara o casamento para efeito
de campanha, a história mudou completamente de rumo. Em um
jantar organizado pelo publicitário Jacques Séguéla,
no meio de novembro, Sarkozy conheceu Carla e se apaixonou perdidamente.
Apesar de ter votado em Ségolène Royal, candidata
de esquerda à Presidência da França, e criticado
a plataforma direitista de Sarkozy, a sílfide italiana também
caiu de amores pelo judeu convertido católico. "Eu agora
quero um homem com poder nuclear", foi avisando a estonteante
Carla, que ninguém sabe decidir se é mais bonita vestida
ou despida, e de cujo currículo constam poderosos de outras
estirpes, como Mick Jagger, Eric Clapton, Kevin Costner e, no que
deve ter sido um lapso de discernimento, Donald Trump. Após
algumas aparições públicas e um controvertido
anel de ouro branco e diamantes da grife Dior que teria saltado
da mão de Cécilia para a de Carla (e evidenciaria
a vulgaridade de Sarkozy), os dois se casaram em cerimônia
discreta no Palácio do Eliseu, sede do governo francês,
no dia 2 de fevereiro.
Carla não só descartou suas opiniões
políticas em favor do romance, como fez um bem tremendo para
a imagem sempre em crise de popularidade do novo marido pelo
menos fora da França. (Dentro dela, por outro lado, a primeira-dama
linda e liberal reforçou a convicção dos franceses
de que Sarkozy gosta é de rosetar.) Assim que Carla desembarcou
em Londres vestindo Dior dos pés à cabeça e
fez uma reverência diante da rainha Elizabeth II, o mundo
caiu de joelhos pela primeira-musa francesa. Órfãos
de beleza e estilo desde a morte da princesa Diana, os súditos
da rainha se acotovelaram nas ruas para ver a discreta, elegante
e extremamente educada Carla e assim a passagem de Sarkozy
pela ilha foi considerada pelos ingleses a mais extraordinária
visita de um líder francês desde a
II Guerra.
Darren Staples/AFP
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| A reverência à rainha, vestindo
Dior dos sapatos ao chapéu (este, referência sutil
a Jacqueline Kennedy): a Europa caiu de joelhos por ela |
Do alto de seu 1,76 metro, Carla, de 40 anos, tem quesitos de sobra
para angariar fãs por onde passa. A figura esguia e os olhos
azuis penetrantes, que contrastam com a pele alva e os cabelos escuros,
já a haviam tornado uma das modelos mais bem pagas do mundo
na década de 80. Com uma carreira excepcionalmente longa
para o mundo da moda, só bem mais tarde ela se iniciou na
música e gravou nas faixas do CD Quelquun Ma
Dit sua voz rouca, encantadoramente frágil, que sempre
se quebra no final das frases e por isso mesmo é tão
sexy. Novo feito. Na era dos iPods e downloads, o álbum
vendeu 2 milhões de cópias e foi apontado como um
renovador da chanson, com suas adaptações musicais
de poemas de Yeats e Emily Dickinson.
Nascida em berço esplêndido, em
Turim, Carla tem um dom que dinheiro nenhum pode comprar: é
fina. Para lapidar o que já era reluzente, passou a infância
no elegante Château Castagneto Po, de seu pai, o industrial
e compositor clássico Alberto Bruni Tedeschi, estudou na
Suíça, radicou-se na França e fez dois semestres
do curso de arquitetura na Sorbonne. Sua biografia tem ainda os
toques melodramáticos que embalam os melhores best-sellers.
Já adulta, Carla soube que não era filha legítima
de seu pai, mas sim fruto do longo e intenso romance que sua mãe,
a pianista Marysa Borini, manteve com o empresário italiano
Maurizio Remmert, que atualmente vive em São Paulo. O outro
toque titilante está no fato de ter namorado pai e filho
o escritor Jean-Paul Enthoven e seu filho, Raphaël (com
quem teve o menino Aurélien, hoje com 7 anos), na ocasião
casado com a escritora Justine Lévy.
Justine teria tentado se vingar de Carla no
livro Rien de Grave (Nada Grave), de 2004, em que a protagonista
é trocada por uma mulher calculista, de olhar letal. Não
fez nem cócegas na aura que cerca a rival. Seja o que o futuro
tenha a dizer sobre o governo de Sarkozy, não há dúvida
de que Carla Bruni passará à história das primeiras-damas,
ombro a ombro com Jacqueline Kennedy. O chapeuzinho pillbox com
que desembarcou na Inglaterra, aliás, é mais do que
uma homenagem à lendária antecessora é
uma declaração de que aí, exatamente, é
onde ela quer chegar.
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