Carta ao leitor

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Por que homens e mulheres são tão diferentes

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Seis brasileiras à frente de grandes negócios

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Mulheres que chefiam famílias

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Mulheres que não têm medo de ser o que são

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Retrospectiva Veja 40 anos
A trajetória feminina nas páginas da revista
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Gente
Nasce uma nova garota

Sempre metida em camisetas compridas, calças largas e casaco xadrez, numa profusão de cores conflitantes, Juno MacGuff pode não ter figurino de diva – mas ninguém foi mais diva do que ela neste último ano. Grávida por acaso aos 16 anos, Juno continua a ir à escola sem esconder o barrigão, escolhe com bom senso a mulher infértil a quem irá entregar o bebê, estreita os laços com seu pai encantador e, no que talvez seja o sinal mais nítido do deslumbre de ser jovem, não consegue se arrepender da estréia sexual que lhe causou seu problema – "foi magnífico", descreve, suspirando, à melhor amiga. Dirigido por dois tostões pelo jovem e muito talentoso Jason Reitman, Juno encontrou seu público, e o multiplicou, com facilidade surpreendente. Em parte porque é uma história sobre ser diferente em que isso, a diferença, é razão não para queixa, mas para celebração. E, de outra parte, porque a aventura da protagonista foi concebida com uma limpidez que, na presente era da ironia, ao mesmo tempo choca e revigora.

A inventora de Juno, a ex-stripper e roteirista estreante Diablo Cody (da qual se trata, em mais detalhe, nas páginas seguintes), provoca esse mesmo efeito. Criatura e criadora são a prova não mais hipotética apenas, mas prática, de que uma mulher hoje depende apenas de si mesma para escolher entre uma infinidade de papéis diversos aqueles que, por hábito ou tradição, elas às vezes imaginam caber-lhes. E são ainda mais revolucionárias por fazer sua revolução não no terreno da política, mas na arena mais difícil e conflituosa de todas: a íntima e pessoal.