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Gente
Nasce uma nova garota
Sempre metida em camisetas compridas,
calças largas e casaco xadrez, numa profusão de cores
conflitantes, Juno MacGuff pode não ter figurino de diva
mas ninguém foi mais diva do que ela neste último
ano. Grávida por acaso aos 16 anos, Juno continua a ir à
escola sem esconder o barrigão, escolhe com bom senso a mulher
infértil a quem irá entregar o bebê, estreita
os laços com seu pai encantador e, no que talvez seja o sinal
mais nítido do deslumbre de ser jovem, não consegue
se arrepender da estréia sexual que lhe causou seu problema
"foi magnífico", descreve, suspirando, à
melhor amiga. Dirigido por dois tostões pelo jovem e muito
talentoso Jason Reitman, Juno encontrou seu público, e o
multiplicou, com facilidade surpreendente. Em parte porque é
uma história sobre ser diferente em que isso, a diferença,
é razão não para queixa, mas para celebração.
E, de outra parte, porque a aventura da protagonista foi concebida
com uma limpidez que, na presente era da ironia, ao mesmo tempo
choca e revigora.
A inventora de Juno, a ex-stripper
e roteirista estreante Diablo Cody (da qual se trata, em mais detalhe,
nas páginas seguintes), provoca esse mesmo efeito. Criatura
e criadora são a prova não mais hipotética
apenas, mas prática, de que uma mulher hoje depende apenas
de si mesma para escolher entre uma infinidade de papéis
diversos aqueles que, por hábito ou tradição,
elas às vezes imaginam caber-lhes. E são ainda mais
revolucionárias por fazer sua revolução não
no terreno da política, mas na arena mais difícil
e conflituosa de todas: a íntima e pessoal.
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