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Jóias
A revanche das cores
Que semipreciosas que nada: hoje
supervaliosas,
as pedras brasileiras arrebatam fãs mundo afora
Começou com um desses acasos:
entre a I e a II Guerra Mundial, com as relações internacionais
em tumulto, não era fácil fazer transitar pelos grandes
centros mundiais diamantes, rubis, safiras e esmeraldas. Abriu-se
então uma brecha para a invasão de outro tipo de gema
colorida os topázios, turmalinas, águas-marinhas
e ametistas (entre dezenas de outros) colhidos, na maioria, dos
garimpos brasileiros.
Consta que os joalheiros europeus
teriam batizado essas pedras de "semipreciosas" para depreciar
seu valor e manter esse mercado milionário sob rédeas.
Mas foi-se o tempo em que a nomenclatura servia para tal riqueza.
Hoje as gemas brasileiras não só adornam dezenas das
estrelas que desfilam pelos tapetes vermelhos de Hollywood, como
uma delas lidera o ranking das mais valiosas: a turmalina Paraíba,
só encontrada no estado que lhe dá o nome e que pode
chegar a custar até 90 000 dólares o quilate. "A
palavra preciosa é um adjetivo como grávida ou honesta.
Não dá para acrescentar um "semi" antes
dela. Ninguém é meio honesto, nenhuma mulher fica
meio grávida e nenhuma pedra é semipreciosa",
diz Christian Hallot, embaixador no Brasil da H.Stern, a joalheria
que, décadas atrás, começou a popularizar essas
belezas no além-mar. Em sintonia com esse raciocínio,
o governo francês derrubou o velho "semi" por decreto:
desde 2002, ele proíbe o uso do termo para qualquer tipo
de pedra.
Com o "semi" em desuso,
as gemas coloridas passaram a ser conhecidas como "pedras brasileiras":
sob o solo do Brasil podem ser encontradas 90% das variedades que
enfeitam brincos, anéis, colares, pulseiras e relógios.
Ou seja, apenas uma em cada dez das variedades empregadas na joalheria
inexiste nos estratos rochosos nacionais (até hoje não
se localizaram aqui safiras ou rubis de qualidade). O Brasil é
pródigo também em quantidade, fornecendo 30% de todas
as gemas usadas no mundo. "As nossas pedras são de qualidade
inquestionável. Uma parcela considerável das melhores
jamais vistas vem daqui", garante Hallot. Para determinar o
valor de uma pedra, devem-se auferir sua beleza, sua raridade e
a confiabilidade de sua origem. Outros quatro critérios ainda
são decisivos: a cor, a transparência, o peso e a qualidade
da lapidação.
As jóias hoje feitas com
essas pedras chamam atenção também pelo design.
Despertam a cobiça feminina as peças com a assinatura
do carioca Antonio Bernardo, do libanês radicado em São
Paulo Jack Vartanian e da brasiliense Carla Amorim (aliás,
a favorita de Ruth Cardoso em seus tempos de primeira-dama). "Aqui
há muita água-marinha que vale mais do que boas safiras",
diz Vartanian, filho de lapidadores que há quase uma década
causou sensação ao empregar o quartzo rosa, pouco
explorado à época. Autor de peças longilíneas
e inusitadas com grandes áreas de ouro amarelo ou branco,
Bernardo também se diz fã da pedraria nacional. "Elas
servem sobretudo para acrescentar cor e criar um novo assunto nas
minhas jóias." E haja assunto. Quinze anos atrás,
quando Carla Amorim começou, era comum os fregueses pedirem
que ela substituísse as gemas brasileiras por ouro ou brilhante
nas jóias que criava. "Hoje cravejo minhas peças
de pedras coloridas e o sucesso é imediato."
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A mais cara do mundo
Encontrada apenas no estado brasileiro
que lhe dá nome, a turmalina Paraíba pode atingir
o preço de 90 000 dólares por quilate. Só
para comparar: 1 quilate de um diamante de perfeição
irretocável em geral custa menos da metade |
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VERDE
INTENSO
A gargantilha Nature, de turmalinas verdes
e diamantes, da H.Stern: criação de uma das
primeiras joalherias a incorporar as pedras brasileiras
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CHUVA DE BRILHO
O Quadrantes, releitura de Carla Amorim
para os antigos "chuveiros" da vovó: todo
de ouro, cravejado de topázios imperiais
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RELUZ
E É OURO
O modelo Reflexão, de Antonio Bernardo: brincadeira
com os tons próximos do ouro
e do citrino
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CORES TRANSLUCIDEZ
Da coleção de Antonio
Bernardo, os brincos Bálsamo usam a moldura delicada
de ouro para ressaltar o quartzo verde
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AZUL
SEM FIM
Para agradar às clássicas:
harmonia entre ouro branco, brilhantes e uma respeitável
água-marinha, de Jack Vartanian
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BELEZA CRISTALINA
De ouro branco e quartzo incolor, os
brincos Equilíbrio, de Antonio Bernardo: o metal ressalta
a gema, e vice-versa
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PRETO TOTAL
Anel de ágata preta de Jack Vartanian:
opção moderna para combinar com o
pretinho básico
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VARIAÇÕES
SOBRE UM TEMA
Assinados pela estilista Diane von
Furstenberg, os brincos Harmony, da H.Stern, combinam rubi,
turmalinas cor-de-rosa, berilos, citrinos, quartzos rosa e
diamantes
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LILÁS VIBRANTE
O anel Sunrise, de ouro e ametista:
lapidação cuidadosa e o pequeno diamante cravejado
na lateral da peça são marcas registradas da
H.Stern
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ESCULTURA EM ROSA
Brincos de ametista rosa, de Carla Amorim:
desenho escultural para valorizar o brilho intenso da pedra
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