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Postura
Questão de atitude
Salto alto, bolsa pesada,
horas e horas sentada
ao computador: não dá para mudar esse figurino,
mas é possível evitar as dores que ele causa
Era uma vez um ancestral comum
aos homens e aos macacos que deixou de usar as mãos para
se locomover e passou a se apoiar somente nos dois pés ao
caminhar. Embora remeta à célebre teoria evolutiva
cunhada no século XIX por Charles Darwin, essa é também
a infame história da dor nas costas: o peso do corpo era
muito mais bem distribuído naquele longínquo tempo
em que a humanidade andava de quatro, e o eterno martírio
na coluna é uma das conseqüências de termos nos
tornado bípedes. "Oito em cada dez pessoas têm
ou vão ter dor nas costas", calcula o reumatologista
Jamil Natour, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Naquela época em que o
jeito ereto de andar havia se tornado um imperativo evolutivo, os
sapatos de salto alto e as bolsas grandes eram necessidades que
estavam longe de entrar em voga. Hoje, esses acessórios são
quase indispensáveis em certas situações
e, se usados cotidianamente, potencializam as dores na região
lombar e, é claro, nos pés. "Quando se usa esse
tipo de calçado, a carga de todo o corpo é transmitida
diretamente para a espinha, as pernas e os dedos", explica
o ortopedista Mark Winemiller, da Clínica Mayo, um dos maiores
centros de pesquisa médica dos Estados Unidos. O saldo pode
causar desde um simples (e dolorido) joanete até uma artrite.
Mas como viver sem o salto alto
no dia-a-dia? "A verdade é que a mulher deve ser uma
evolução natural da centopéia. Só isso
explica nossa paixão por sapatos", brinca a fisioterapeuta
Elizabeth Alves Ferreira, da Universidade de São Paulo (USP).
Se mudar de estilo é impossível, confira nestas páginas
algumas estratégias para amenizar o incômodo e compensar
os danos à saúde.
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