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A Disneylândia dos cosméticos Como
a francesa Sephora revolucionou o mundo dos cremes 
LÚCIA MONTEIRO
Divulgação  |
Número 70 da Avenida Champs-Elysées,
sábado, meio-dia. Na entrada, vestidos de branco, dois fortões dão
as boas-vindas às clientes. Ao mesmo tempo, oferecem um jato do novo e
controverso hidratante facial russo Amatokin, o primeiro a utilizar a tecnologia
das células-tronco contra os efeitos do envelhecimento. Três passos
adiante, uma mulher, toda de preto, estende o braço para entregar uma fitinha
perfumada com o último lançamento da Givenchy.
Nas laterais, perfumes de todas as marcas. No centro, maquiagens que podem ser
experimentadas à vontade. Ao fundo, cremes e mais cremes. A Sephora é
um fenômeno. Os 1 500 metros quadrados da loja da Champs-Elysées
ficam abertos diariamente das 10 da manhã até a meia-noite
e estão invariavelmente lotados. A cadeia tem 630 endereços em todo
o mundo e, no ano passado, recebeu 60 milhões de compradores apenas na
França. Criada em 1969, a marca já fatura por ano 1,6 bilhão
de euros no mundo, mais do que a quase centenária Chanel (1,3 bilhão
de euros).
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| Elixir desintoxicante, antioxidante em gotas e pílulas para
combater a celulite e ficar bronzeada: "cosméticos ingeríveis" |
Até 1997, quando passou para as mãos do poderoso grupo LVMH
gigante do luxo que controla marcas como Louis Vuitton, Dior e Moët Chandon
, a Sephora tinha apenas 54 lojas. E até 2002 só causou prejuízos
para o LVMH. Bernard Arnault, presidente do conglomerado, chegou a se arrepender
do negócio. A virada aconteceu depois que a empresa decidiu investir em
duas acertadíssimas táticas. A primeira foi ter tornado acessíveis
ao grande público produtos do tipo que uma pequena parcela de mulheres
está acostumada a encomendar, por orientação de suas dermatologistas,
a farmácias de manipulação: cremes e elixires que combinam
fórmulas poderosas com embalagens despretensiosas e preços bem mais
em conta que os das grandes marcas. No caso da Sephora, o que a loja fez foi encher
suas prateleiras de produtos encomendados a laboratórios de ponta localizados
principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra. Alguns deles, como o Lip Injection
(17 a 24 euros), por exemplo, tornaram-se sucessos retumbantes. Com textura de
gloss, ele aumenta a circulação sanguínea nos lábios,
prometendo deixá-los mais carnudos e avermelhados por quatro horas (efeito
colateral: ficam pinicando o tempo todo). Há ainda a linha dos cosméticos
"ingeríveis": comprimidos para acabar com a celulite, bronzear a pele e
dar brilho aos cabelos. Tratados como "complemento alimentar", os produtos têm
em suas fórmulas extratos de ervas e frutas. O elixir desintoxicante Detox
(5 euros), por exemplo, é feito à base de suco de uva e raiz de
bardana uma espécie de versão comercial daquelas receitas
de avó. O segundo grande acerto da Sephora
foi apostar numa estratégia de marketing para lá de agressiva. A
ordem é não permitir que nenhuma cliente deixe a loja sem comprar
ao menos um batonzinho. Para isso, células fotoelétricas contam
quantas pessoas atravessam suas portas a cada hora. Esse número é
comparado à quantidade de consumidores que passam pelos caixas. Se a proporção
é insatisfatória, as vendedoras têm ordem para "atacar" a
clientela. Não é preciso muito esforço. Diante de tantas
promessas de beleza e juventude, quem consegue sair de cestinha vazia?
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