Carta ao leitor

Para onde vamos: Angelina Jolie, linda, poderosa e filantropa:
a mulher do futuro


Tendências: Como iremos comer, morar, trabalhar e nos vestir

Sexo: Desejo: de onde vem, do que é feito e como despertá-lo

Carreira: Saiba quais são as profissões de futuro

Saúde: Voz: como mantê-la jovem

Dieta: Três chefs dão receitas de como manter
a linha


Consumo: O que as mulheres levam em conta
na hora de comprar


Poder: Quem tem medo
de mulher?


Meio ambiente: 20 maneiras de ajudar o planeta

Fitness: Como ficar em forma mesmo detestando academia

Perfil: Kate Moss: o que ela veste, o mundo copia

Viagem: Guia para montar a mala perfeita

Arte: É moderno: pintura direto na parede

Arquitetura: O hotel-espetáculo de Frank Gehry

Beleza: Sephora: na gigante mundial de cosméticos, beleza em pílulas

Spa: Repórter passa três dias no sexto melhor spa do mundo

Luxo: Dez coisas para sonhar

   
 

Arquitetura
Arquitetura-espetáculo

Insólitas, surpreendentes ou monumentais, novas obras
atraem multidões e chegam a mudar a vida das cidades


CHRIS CAMPOS

Denise Doyle/Getty Images
O hotel de Frank Gehry: hipermodernidade em paisagem medieval

Projetado por Frank Gehry, o Hotel Marqués de Riscal, na Espanha, é, na definição de seus proprietários, "um castelo do século XXI". Assim como o Museu Guggenheim de Bilbao, o grande hit do arquiteto, o Marqués de Riscal é coberto por enormes e finíssimas placas de titânio em formato de ondas e entrelaçadas de uma maneira aparentemente impossível. Instalado em La Rioja, bucólica região vinícola no norte do país, ele é mais um exemplo daquilo que vem sendo chamado – nem sempre elogiosamente – de "arquitetura de efeitos especiais".

A nova extravagância de Gehry está incrustada em uma minúscula cidade de pouco mais de 1 000 habitantes – Elciego, uma vilazinha de ares medievais, cuja maior construção era, até a chegada de Gehry, uma igreja do século XVI. As lâminas de titânio que a recobrem têm 1 milímetro de espessura e foram cortadas e tingidas no Japão de maneira a reproduzir os tons da vinícola que batiza a obra. Sob o sol, elas ganham nuances de rosa, dourado e prata. A estrutura principal da construção é formada por três blocos de concreto empilhados em formato de pirâmide e sustentados por três supercolunas. Dessa área do hotel, onde ficam catorze de suas 43 suítes, sai uma passarela de vidro e aço, pela qual os hóspedes caminham para chegar aos outros 23 quartos e a um luxuoso spa especializado em vinoterapia. No percurso, assistem a um incrível jogo de luz e sombra proporcionado pelas curvas e cores da construção.

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Coluna da Midiateca Sendai imitando feixe de palitos (acima) e o hotel Unique, em São Paulo
Renata Ursaia


No Japão, essa arquitetura do ilusionismo, que privilegia o espetáculo e beira a mágica, está bem representada pela Midiateca Sendai. A obra, assinada pelo arquiteto Toyo Ito, está sustentada por colunas feitas de estruturas tão finas que mais parecem um feixe de palitos. O Swiss Re Tower, do britânico Norman Foster, instalado na City londrina, assim como o Museu do Louvre de Abu Dhabi, com inauguração prevista para 2012 e assinado pelo francês Jean Nouvel (o mesmo que idealizou o sinistro museu Quai Branly, de Paris), são outros exemplos de projetos de custo astronômico e resultado espetacular. Evidentemente, não agradam a todo mundo. "É uma arquitetura que berra, eu gosto de uma arquitetura que sussurra", afirma o arquiteto Isay Weinfeld. Já o professor Joaquim Guedes, titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, é mais incisivo. "São obras caras e totalmente desprovidas de lógica", afirma. O complexo no qual está inserido o Marqués de Riscal, e que inclui a vinícola de mesmo nome e o spa de vinoterapia, custou 70 milhões de euros.

Na defesa da "arquitetura que berra", desponta Ruy Ohtake, ele mesmo um representante da corrente, com projetos como o hotel Unique, em São Paulo, freqüentemente comparado a uma melancia. Para Ohtake, obras como a da iraquiana Zaha Hadid, que assina o projeto da monumental Guangzhou Opera House, na China, têm a virtude de provocar reações em qualquer ponto do planeta em que se encontrem. "Ela e outros arquitetos desse movimento apostam na liberdade de formas, na incorporação de tecnologias e na idéia de que a arquitetura pode ocupar expressivamente um espaço na cidade, com um poder de atração por si só", diz. De fato, alguns projetos arquitetônicos têm a capacidade de mudar a vocação e a vida de um lugar. Aconteceu em Bilbao: há dez anos decadente, sujinha e voltada para a siderurgia, a cidade renasceu desde a inauguração do Guggenheim. Ganhou aeroporto novo, outras obras de arquitetos famosos e passou a receber, só por causa do museu, mais de 1 milhão de visitantes por ano. La Rioja, com seu castelo do século XXI, torce para que tenha chegado a sua vez.