Carta ao leitor

Para onde vamos: Angelina Jolie, linda, poderosa e filantropa:
a mulher do futuro


Tendências: Como iremos comer, morar, trabalhar e nos vestir

Sexo: Desejo: de onde vem, do que é feito e como despertá-lo

Carreira: Saiba quais são as profissões de futuro

Saúde: Voz: como mantê-la jovem

Dieta: Três chefs dão receitas de como manter
a linha


Consumo: O que as mulheres levam em conta
na hora de comprar


Poder: Quem tem medo
de mulher?


Meio ambiente: 20 maneiras de ajudar o planeta

Fitness: Como ficar em forma mesmo detestando academia

Perfil: Kate Moss: o que ela veste, o mundo copia

Viagem: Guia para montar a mala perfeita

Arte: É moderno: pintura direto na parede

Arquitetura: O hotel-espetáculo de Frank Gehry

Beleza: Sephora: na gigante mundial de cosméticos, beleza em pílulas

Spa: Repórter passa três dias no sexto melhor spa do mundo

Luxo: Dez coisas para sonhar

   
 

Poder
Medo de mulher

Pesquisa aponta que 14% dos americanos não votariam
em uma mulher para presidente, quem quer que fosse ela.
A maior resistência vem dos mais velhos


MARCELO CARNEIRO

Foi em 1960, com a eleição de Sirimavo Bandaranaike, no Sri Lanka, que uma mulher assumiu pela primeira vez a direção de um país. Mas o verdadeiro gostinho do poder as mulheres só sentiram mesmo em 1979, com a ascensão de Margaret Thatcher ao governo britânico. Naquele tempo, a dama de ferro figurava como a única mulher do planeta no comando de um país rico. Quase três décadas se passaram e... nada mudou. Ao menos em termos quantitativos, a situação continua rigorosamente a mesma: hoje, apenas a alemã Angela Merkel se senta à mesa dos chefes de estado do G7, grupo que reúne as nações mais ricas do mundo. Ségolène Royal, a candidata socialista à Presidência da França, teve uma chance, mas foi barrada por 2 milhões de votos, diferença que definiua vitória do candidato de centro-direita, Nicolas Sarkozy. Hillary Clinton passará pelo teste em breve, caso seja indicada candidata do Partido Democrata à disputa pela Presidência dos Estados Unidos nas eleições do ano que vem. Nos últimos meses, porém, pesquisas de intenção de voto mostram que a senadoratem perdido terreno para o colega Barack Obama.

Eleitores têm medo de mulher? Ao menos no caso dos mais velhos, a resposta parece ser sim. Um estudo feito nos Estados Unidos no fim do ano passado pelo instituto Rasmussen indicou que, quanto mais velho o eleitor, seja ele homem ou mulher, maior a sua resistência em votar em uma candidata para a Presidência. Na pesquisa, perguntados se dariam seu voto a uma mulher – sem que a questão incluísse referências a nomes ou a plataformas eleitorais –, 82% dos eleitores entre 18 e 29 anos responderam que sim. Entre os americanos com mais de 65 anos, essa porcentagem caiu para 71%. Na média geral, 14% dos americanos disseram que não votariam em uma candidata do sexo feminino, independentemente de quem fosse ela ou quais fossem suas idéias. Scott Rasmussen, presidente do instituto, tem motivos para acreditar que essa porcentagem é ainda maior. Isso porque, no mesmo levantamento, ao serem perguntados se parentes e colegas de trabalho estariam dispostos a votar em uma mulher para presidente dos Estados Unidos, apenas 51% dos entrevistados disseram acreditar que sim. Como, na pergunta imediatamente anterior, 78% haviam declarado que dariam seu voto a uma candidata à Presidência, a conclusão é óbvia: alguém está mentindo. A tática de perguntar "a opinião do vizinho" é usada pelos institutos de pesquisa quando as perguntas envolvem temas polêmicos, como a regulamentação do uso de drogas ou políticas de imigração. "Isso porque, quando estão em dúvida, os entrevistados tendem a dar respostas que consideram politicamente corretas", diz Rasmussen.

A resistência em colocar mulheres em funções de chefe de estado não é exatamente nova. "Desde a Grécia antiga, passando pela teologia cristã e chegando aos modernos pensadores, a capacidade feminina para cuidar da coisa pública sempre foi posta em dúvida", diz o filósofo Roberto Romano, da Unicamp. Ele aponta um trecho da Filosofia do Direito, texto clássico do pensador alemão Friedrich Hegel, como exemplo desse temor. O trecho é uma pérola do chauvinismo. Diz Hegel: "Se as mulheres estão no ápice do governo, o estado corre perigo. A formação das mulheres se faz não sabemos bem como, mais pelas circunstâncias da vida do que pela aquisição de conhecimento".

O avanço das mulheres nessa área foi ínfimo, se comparado às conquistas femininas em outros campos. No Brasil, as mulheres já detêm 40% das vagas de juiz do trabalho, por exemplo, profissão até recentemente reservada aos homens. "Onde a mulher depende apenas de si mesma e o mérito está em questão, caso das profissões liberais e das que envolvem concursos públicos, o avanço foi bem maior", diz a cientista política Lucia Hippolito. Não é o caso da política, em que se depende do voto do eleitor. Na Inglaterra, estudo da Equal Opportunities Commission mostrou que, a julgar pelo ritmo de crescimento da participação feminina no Legislativo (apenas 19,5% dos membros do Parlamento são mulheres), levará 200 anos para que elas consigam se igualar aos homens em número de cadeiras. Nas nações onde há grande participação da mulher nesse poder, a situação, regra geral, é resultado da aplicação de políticas de cotas. Na Argentina e na Suécia, por exemplo, onde a presença feminina no Parlamento varia entre 35% e 45%, há leis obrigando os partidos a reservar pelo menos uma entre três vagas para candidatas do sexo feminino. Mesmo assim, os maiores avanços registrados se dão no campo do Legislativo. No casodo Poder Executivo, o mundo segue com parcas doze governantes. Ainda levará muito tempo para que o sexo dos candidatos seja, aos olhos do eleitor, apenas um detalhe.

 

AS DEZ MAIS PODEROSAS

Governando, distribuindo dinheiro, vendendo discos ou ditando comportamentos, elas influenciam a vida de gente do mundo inteiro

Hillary Clinton
Primeira mulher a se eleger senadora pelo estado de Nova York, Hillary Clinton, 59 anos, pode ser também a primeira a concorrer à Presidência dos Estados Unidos por um grande partido

J.K. Rowling
Quase 380 milhões de pessoas já compraram seus livros. A criadora de Harry Potter, 41 anos, foi a primeira pessoa a entrar para uma lista de bilionários tendo como atividade escrever livros

Condoleezza Rice
Se há uma mulher que pode se gabar de influenciar os destinos do planeta, ela é Condoleezza Rice, 52 anos, secretária de estado do governo Bush e voz dos Estados Unidos nas negociações do país com o resto do mundo, da Europa ao Oriente Médio

Angela Merkel
A primeira-ministra alemã, 52 anos, comanda o país mais populoso da União Européia, a terceira maior economia do planeta e a maior da Europa. É a primeira mulher a governar a Alemanha

Molly Riley/Reuters

Angelina Jolie
Nomeada pela ONU embaixadora da boa vontade, a atriz, de 31 anos, foi apontada pelos leitores da revista Time como a segunda mulher mais influente do mundo, atrás apenas da escritora J.K. Rowling

Anna Wintour
No comando da edição americana da Vogue desde 1988, a inglesa, de 57 anos, não só influencia estilistas de todo o mundo como "descobriu" nomes hoje consagrados, como John Galliano e Marc Jacobs

Oprah Winfrey
A apresentadora, 53 anos, comanda o talk-show de maior audiência da TV americana, visto por 14 milhões de pessoas. O programa atinge outros 100 milhões de espectadores em 132 países

Pascal Lauener/Reuters

Melinda Gates
Mulher de Bill Gates, comanda, aos 42 anos, a mais rica instituição filantrópica do mundo. Com orçamento de 60 bilhões de dólares, a fundação subsidia entidades em mais de 100 países

Madonna
Aos 48 anos de idade e 24 de carreira, ainda é o maior nome feminino do showbiz. Já vendeu 275 milhões de discos, o que a deixa atrás apenas de Beatles, Michael Jackson e Elvis Presley

Gisele Bündchen
Há treze anos nas passarelas, a gaúcha continua a ser uma das modelos mais solicitadas do mundo. Com 26 anos, já foi capa de revista 414 vezes. É referência para meninas de todo o planeta