| | Dieta
Mulheres que comem
Por dever de ofício, elas devoram de
tudo e continuam magras. Saiba por quê 
TATIANA SCHIBUOLA
Lailson Santos  |
| RITA LOBO
IDADE: 32 anos
PESO: 57 quilos
ALTURA:
1,75 metro PROFISSÃO:
editora de site culinário RISCOS
DA ATIVIDADE: tem de testar, pessoalmente, todas
as receitas que coloca no ar, uma por dia, em média O
QUE FAZ PARA NÃO ENGORDAR: estabelece horários
fixos tanto para as refeições quanto para as degustações
e não fica mais do que três horas sem se alimentar |
Toda tarde, a ex-modelo Rita Lobo pára
tudo o que está fazendo para se dedicar a uma prazerosa tarefa: a de provar
delícias que vão de um saudável fusilli com abobrinha a um
megacalórico pavê de bombom que leva dez Sonho de Valsa na massa.
Como editora de um site culinário, ela está cumprindo uma obrigação
profissional tem de experimentar todas as receitas que vão ao ar.
A empresária Ciça Ribeiro, dona de bufê, tem rotina parecida.
Com a diferença de que, muitas vezes, precisa provar nada menos do que
doze pratos de uma vez só. Isso porque, ao fazer uma proposta de festa
de casamento, por exemplo, Ciça oferece ao cliente três opções
de entrada, três de salada, três de prato principal e três de
sobremesa. A personal chef Gisela Schmitt é vítima de outra situação.
Sua especialidade é ensinar gente chique, e seus empregados, a elaborar
cardápios diferenciados, equipar a cozinha e preparar receitas especiais
que Gisela inventa e, claro, testa antes. Como o trabalho começa
na casa dela, sua geladeira vive recheada de ingredientes tentadores como
foie gras, que ela adora (e que tem 420 calorias em 100 gramas). Contra todas
as expectativas, no entanto, Rita, Ciça e Gisela não são
mulheres gordas. Na verdade, são até magras.
Como elas conseguem? Por que algumas mulheres são capazes de manter o peso
sem passar fome e outras engordam só de pensar em comer? Essa questão
tem mobilizado especialistas do mundo todo. Desde 1994, quando foi identificada
a leptina hormônio secretado pela gordura armazenada no corpo e que
emite sinais ao hipotálamo dizendo que estamos saciados , novas respostas
vêm surgindo em uma velocidade impressionante, segundo Marcio Mancini, endocrinologista
do Hospital das Clínicas de São Paulo. Hoje, já se pode dizer
que a capacidade de manter-se impassível diante de uma fatia de bolo de
chocolate (ou de ficar apenas na primeira garfada) tem muito mais a ver com as
reações químicas que se passam no organismo do que simplesmente
com a força de vontade de cada um. Essa é a idéia do best-seller
americano You on a Diet: the Owner's Manual for Waist Management, da Editora
Free Press (que deve ser lançado no Brasil em junho, pela Editora Campus/Elsevier,
com o título O Corpo Inteligente), que já atingiu a marca
de 2,5 milhões de exemplares vendidos nos Estados Unidos. Em vez de criarem
uma "nova-dieta-infalível", os autores Michael F. Roizen e Mehmet C. Oz
afirmam que conhecer e aprender a administrar os processos que desencadeiam
as reações de fome e de satisfação é a chave
para manter o peso e diminuir as reservas indesejáveis de gordura no corpo.
Em outras palavras: é mantendo a saciedade e não passando
fome que se emagrece.
Lailson Santos  |
| CIÇA
RIBEIRO IDADE:
49 anos PESO: 65
quilos ALTURA: 1,75
metro PROFISSÃO: dona
de bufê RISCOS DA ATIVIDADE:
chega a ter de provar doze pratos diferentes de uma só vez
O QUE FAZ PARA NÃO ENGORDAR:
malha muito | Sabe-se que
o estômago vazio estimula a produção do hormônio grelina,
responsável por enviar ao cérebro a mensagem "Estou com fome". Quanto
mais o tempo passa, mais freqüente e intensa a mensagem se torna. "Estou
com fome" vai se transformando em "Quero arroz, feijão, bolo de chocolate,
qualquer coisa!". Diante da premência do organismo, o esfomeado devora o
que lhe aparecer pela frente e tanto melhor se o que lhe aparecer pela
frente for algo que forneça energia rápida, como os carboidratos
simples ou os alimentos ricos em açúcar refinado ambos inimigos
da cintura. "Isso explica por que jejuns prolongados quase sempre resultam em
ataques de gula desenfreada", diz a nutricionista Marcia Daskal Hirschbruch. E
pode ajudar a explicar também a silhueta de sílfide de Rita Lobo.
Quando se examinam seus hábitos alimentares, conclui-se que ela não
fica mais do que três horas sem comer. "Às 7h45, tomo um farto café-da-manhã,
com pães, queijos, frutas e leite; às 10 horas, bebo cappuccino;
às 13, almoço com as crianças; às 17, experimento
alguma receita em teste e, pouco antes das 20 horas, como com as crianças.
Às vezes, ainda saio com meu marido para jantar." Dessa maneira, Rita não
tem tempo para ficar morrendo de fome. O resultado é que se satisfaz com
porções pequenas e consegue resistir mais facilmente à tentação
de partir para a segunda fatia de pavê de bombom.
Fabiano Accorsi  |
| GISELA
SCHMITT IDADE:
28 anos PESO: 54
quilos ALTURA: 1,65
metro PROFISSÃO: personal
chef RISCOS
DA ATIVIDADE: como trabalha boa parte do tempo em
casa, sua geladeira está sempre repleta de tentações
O QUE FAZ PARA NÃO ENGORDAR: compensa
eventuais exageros com refeições leves |
Especialistas chamam atenção para o fato de que alimentos de valor
nutricional baixo e paladar delicioso, como o pavê de Rita, não necessariamente
têm de ser banidos do cardápio. Em alguns casos, é preferível
mesmo comê-los a ficar se torturando de desejo. Gisela Schmitt, recentemente,
viu-se envolvida com uma grande encomenda de ovos de Páscoa. Fã
de chocolate, não teve dúvidas: comeu até a vontade passar.
"Acho que, se tentasse ficar longe do doce, seria pior." Gisela está certa.
Alimentos como chocolate, pães e doces em geral provocam um rápido
aumento no organismo dos níveis de serotonina neurotransmissor responsável,
entre outras coisas, pela sensação de bem-estar e pelo bom humor.
O fato de o cérebro memorizar essas sensações e associá-las
aos alimentos que as provocam é que faz com que, para algumas pessoas,
seja difícil ou mesmo impossível tirar da cabeça
a imagem do chocolate guardado dentro do armário. Nesses casos, em vez
de privar-se do desejo e arriscar-se a acabar num episódio próximo
da compulsão , o melhor mesmo é comer um pouquinho e matar
a vontade. Normalmente, as pessoas que apresentam maior resistência a esse
tipo de tentação são as que estão acostumadas a um
cardápio balanceado (e, portanto, não têm carência de
nutrientes) e comem em períodos regulares (não deixam os níveis
de grelina gritar).
Se Gisela nem sempre consegue
alimentar-se como mandam os manuais de nutrição, cultiva pelo menos
dois hábitos a favor de sua silhueta e aprovados pelos nutricionistas.
O primeiro é que, em vez de compensar o ataque aos ovos de Páscoa
com o jejum, ela opta por uma refeição leve, como uma sopinha, à
noite, por exemplo (lembre-se de que o importante é não passar fome,
mas administrar a saciedade). Além disso, a personal chef tem por hábito
incrementar a rotina de exercícios toda vez que comete uma extravagância
à mesa. É a velha equação: aumentou o consumo de calorias?
Aumenta-se o gasto. Para a empresária Ciça Ribeiro, sessões
diárias de exercícios aeróbicos são a única
forma de manter os seus 65 quilos distribuídos por 1,75 metro de altura.
Por causa da vida corrida, Ciça nem sempre consegue comer em horários
regulares. Para piorar, adora beliscar. "Sou supergulosa. Não consigo passar
pela cozinha sem experimentar alguma coisa." Nesse caso, resta malhar muito. E,
assim, preparar a cinturinha para a próxima deliciosa colherada de creme
brûlé. | |