| | Saúde
Para falar macio
Tratamentos de "estética vocal" ajudam a conservar a voz mais jovem

TATIANA SCHIBUOLA Personal
trainer para um corpo firme, dermatologista para uma pele de porcelana, cirurgião
plástico para os casos mais drásticos. A que outros profissionais
uma mulher pode recorrer para parecer mais bonita e mais jovem? A resposta está
nos consultórios de fonoaudiologia. Sim, porque a voz uma das mais
poderosas ferramentas de sedução, como comprovou estudo publicado
em 2004 no jornal americano Evolution and Human Behavior , como tudo
o mais, envelhece. "Ela tem sua máxima eficiência entre os 25 e os
45 anos de idade", diz a fonoaudióloga Vivian de Oliveira. "A partir daí,
processos como atrofia dos músculos que formam as cordas vocais, perda
da elasticidade de seus ligamentos, inchaço e calcificação
das cartilagens da laringe vão fazendo com que a voz perca velocidade,
potência e, em alguns casos, comece a apresentar leves tremores", explica
Carla Martins, fonoaudióloga. Algumas alterações,
como as que ocorrem durante o período menstrual e a gravidez, são
passageiras. Mudanças hormonais fazem com que, nos dois casos, as cordas
vocais fiquem inchadas e irritadas. "Por causa desse inchaço, a voz fica
um pouco mais grossa e rouca", explica a fonoaudióloga Mara Behlau. Para
quase 50% das mulheres, no entanto, a mudança mais importante e
permanente acontece durante a menopausa. A baixa na taxa de hormônios
femininos pode resultar em uma voz perceptivelmente mais grave e áspera.
A boa notícia é que a fonoaudiologia,
que até há pouco tempo se preocupava quase que exclusivamente com
os distúrbios da fala e da audição, se dedica cada vez mais
a uma nova especialidade: a estética da voz. Os tratamentos podem ter como
objetivo minimizar os efeitos do tempo, dos hormôniose do tabagismo sobre
a voz ou simplesmente deixá-la mais bonita, fluida e agradável.
Consistem, basicamente, em exercícios de respiração e outros
que envolvem a pronúncia dos chamados sons facilitadores (veja o quadro
abaixo). A repetição desses sons, sob orientação
profissional, "recondiciona" as cordas vocais, melhorando suas condições
biomecânicas.
 | Na
menopausa, as transformações se dão, principalmente, porque
as cordas vocais, inchadas, ficam mais pesadas e, portanto, vibram menos. E, quanto
menos uma voz vibra, mais grave ela se torna (uma voz feminina normal vibra de
180 a 220 vezes por segundo, enquanto a de um homem vibra de 100 a 120 vezes).
Nesse caso, os exercícios prescritos pelos fonoaudiólogos vão
procurar ativar a circulação sanguínea, de modo a facilitar
as trocas celulares e reduzir a quantidade de líquidos que causam o
inchaço. Há ainda exercícios que ensinam a "calibrar a voz".
Por meio, novamente, da repetição de sons facilitadores, o paciente
aprende a "deslocar" o foco da voz, fazendo com que ela, em vez de parecer saída
do fundo da garganta, dê a impressão de brotar da ponta dos lábios
menos gutural e mais leve. O inchaço
causado pela inflamação das cordas vocais também é
o principal motivo da voz grossa do fumante. Os exercícios que o fonoterapeuta
indicará nesse caso não diferem muito daqueles prescritos para diminuir
o inchaço das cordas causado pelas alterações hormonais na
menopausa. Mas, ao melhorar a circulação sanguínea, eles
também favorecerão a eliminação de toxinas, o que
reduz a formação do pigarro (o "ran-ran" do fumante, que tem a secreção
mais grossa, agride ainda mais as cordas vocais). Assim como pigarrear, falar
alto demais e expor-se exageradamente ao ar condicionado são alguns dos
hábitos inimigos de uma belavoz (veja o quadro abaixo). E uma bela
voz não é coisa que mereça ser desprezada.
Ilustrações Paladino  |
COM REPORTAGEM DE LUCIANA
HRUBY
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