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onde vamos É ten-dêêêên-cia!
Como vamos morar, trabalhar, comer,
comprar e nos vestir daqui para a frente 
HELOISA HELVÉCIA
Para estar um passo à frente você deve caminhar sobre saltos plataforma
com GPS embutido ou sandálias franciscanas? O futuro vai ser extravagante,
austero, as duas coisas ou nada disso? Não é fácil responder.
Só na internet há 206 milhões de páginas dedicadas
a tendências de moda, sim, mas também de comportamento, ciência
e tecnologia, por exemplo , sendo blogs e sites apenas o efeito mais mensurável
da busca louca por antecipações (ou especulações).
Ao mesmo tempo em que está tudo na rede, de graça, um relatório
feito por uma consultoria de tendências como se identificam hoje
os escritórios especializados em vender cenários do amanhã
pode chegar a custar 2 milhões de reais. Primeiro, foi a moda que
entrou na moda. Agora, tendência virou tendência. Para saber o que
vem pela frente, VEJA ouviu dezessete profissionais das áreas de moda,
arquitetura, recursos humanos e nutrição. Aqui, as previsões
dos especialistas.
MODA
Estilo austero, consumo pulverizado
Ilustrações Atômica Studio
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A grande corrente da vez é a "nova austeridade", apontada por gurus americanos
e definida como "um estilo de vida, não apenas uma estética", pelo
The Future Laboratory, consultoria internacional com sede em Londres, que vende
inspirações a empresas como American Express e Veuve Clicquot. De
fato, depois de décadas de excessos, uma elite de consumidores mostra aversão
ao exagero, ao glamour, à ostentação e aos signos de status.
A nova austeridade remete a uma mistura do bordão "menos é mais"
dos 80 com inspiração no "consumo consciente" expressão
que, no Brasil, virou mantra de modernos desde a última São Paulo
Fashion Week (o maior evento de moda brasileiro foi dedicado ao tema do meio ambiente).
Nas passarelas, quem ilustra a "new austerity" é a grife Jil Sander, justamente
uma das inventoras do minimalismo dos 80. A aparição sóbria
de Angelina Jolie sobre o tapete vermelho do último Globo de Ouro também
já pode ser considerada um marco da tendência, assim como a inédita
escassez de diamantes registrada na entrega do Oscar. Se, no estilo, a moda pega
leve, no consumo, acelera. As grandes criações das passarelas passam
a ser copiadas e adaptadas para a vida real com tal rapidez que os ricos não
vão hesitar em comprar em lojas de departamentos, imagina a consultora
Costanza Pascolato: "A roupa barata vem veloz, bacana e bem pensada. É
a pulverização e a democratização da moda", diz.
ARQUITETURA Lares
mínimos No
século XXI, o lar encolhe, junto com as famílias. No Brasil, a média
de ocupação de um domicílio caiu de cinco pessoas, nos anos
70, para 3,5, segundo o IBGE. Para abrigarem tanta gente morando só e tantos
casais com apenas um ou nenhum filho, casas e apartamentos ficam mais simples
e práticos. As plantas terão menos divisões, o luxo do quarto
extra desaparece. Além da simplicidade, os projetos buscarão a sustentabilidade,
expressa na economia de energia e no uso de materiais ecológicos. E dá-lhe
papelão, da parede ao sofá. O mobiliário do futuro é
reciclável, leve e desmontável, para agilizar as mudanças
cada vez mais freqüentes. Com as relações de emprego
menos sólidas, as pessoas tenderão a se mudar mais vezes.
TRABALHO
Escritórios sem territórios
Desapegue-se da sua sala, do seu computador e do
porta-retrato sobre a mesa do escritório. Espaços de trabalho "não
territoriais" (o que significa a própria casa ou qualquer outro lugar onde
se possa plugar um laptop) são realidade na Europa, e tendência forte
no Brasil. Isso ocorre porque a tecnologia, de um lado, e a necessidade econômica,
de outro, permitem e exigem um uso mais racional de imóveis empresariais,
que custam caro e costumam ficar ociosos por muito tempo.
COMIDA Adeus,
torresminho A
mesa do amanhã já está posta: é diet, light, orgânica,
natural e funcional. Hoje, a indústria já reduz sal, açúcar
e gordura dos produtos e lança alimentos funcionais caso de novos
iogurtes que auxiliam o trabalho do intestino. A aversão à trash
food (literalmente, comida-lixo: rica em calorias e pobre em nutrientes) aumenta
em todo o mundo. Exemplo da tendência no Brasil é a redução
no crescimento do consumo de refrigerante: em 2006, aumentou apenas 1,6%, enquanto
o mercado de bebidas com apelo saudável, como chás e sucos, cresceu
34,4%.
CONSUMO
Compras até no elevador Parcimônia
e responsabilidade falam mais alto na hora das compras amanhã. Hoje,
usa-se pulseira de capim dourado para ajudar uma comunidade no Jalapão,
ou pagam-se 100 reais na T-shirt associada a uma causa o que não
faz de ninguém um consumidor do futuro. "Consumo consciente", afirmam especialistas,
por enquanto, é só uma desculpa politicamente correta para o consumo
em si. Consciente ou nem tanto, o comprador do século XXI terá turbinas
nos pés, na imagem do filósofo francês Gilles Lipovetsky.
Para alcançar esse "turboconsumidor", exposto às mais diversas mídias
e cada vez mais freqüentemente em trânsito, as ofertas de consumo não
terão hora ou lugar para surgir. Pense em fazer compras em lugares como
corredores de aeroportos, rodoviárias, metrô e até elevadores
transformados em microshoppings.
Fontes:
Michell Zappa, publicitário, Trendwatching; Dario Caldas, sociólogo,
Observatório de Sinais; João Paulo Cavalcanti, publicitário,
Box 1824; Ricardo Guimarães, Thymus Branding; Costanza Pascolato, consultora
de moda; Erika Palomino, editora de moda; Gloria Kalil, consultora de moda; Lilian
Pacce, editora de moda; João Braga, professor e pesquisador de história
da moda; Melinda Davis, consultora, The Next Group; Marcos Acayaba, arquiteto,
professor da FAU-USP; Roberta Kronka, arquiteta, professora da FAU-USP; Marcio
Porto, arquiteto, escritório Sidônio Porto; Sérgio Amad, professor
de recursos humanos da FGV/SP; Ana Lúcia Miranda, cientista social especialista
em sociologia do consumo; Jocelem Salgado, professora de nutrição
da USP, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais; Camila Piza,
psicóloga, Voltage
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