Carta ao leitor

Para onde vamos: Angelina Jolie, linda, poderosa e filantropa:
a mulher do futuro


Tendências: Como iremos comer, morar, trabalhar e nos vestir

Sexo: Desejo: de onde vem, do que é feito e como despertá-lo

Carreira: Saiba quais são as profissões de futuro

Saúde: Voz: como mantê-la jovem

Dieta: Três chefs dão receitas de como manter
a linha


Consumo: O que as mulheres levam em conta
na hora de comprar


Poder: Quem tem medo
de mulher?


Meio ambiente: 20 maneiras de ajudar o planeta

Fitness: Como ficar em forma mesmo detestando academia

Perfil: Kate Moss: o que ela veste, o mundo copia

Viagem: Guia para montar a mala perfeita

Arte: É moderno: pintura direto na parede

Arquitetura: O hotel-espetáculo de Frank Gehry

Beleza: Sephora: na gigante mundial de cosméticos, beleza em pílulas

Spa: Repórter passa três dias no sexto melhor spa do mundo

Luxo: Dez coisas para sonhar

   
 

Para onde vamos
É ten-dêêêên-cia!

Como vamos morar, trabalhar, comer,
comprar e nos vestir daqui para a frente


HELOISA HELVÉCIA

Para estar um passo à frente você deve caminhar sobre saltos plataforma com GPS embutido ou sandálias franciscanas? O futuro vai ser extravagante, austero, as duas coisas ou nada disso? Não é fácil responder. Só na internet há 206 milhões de páginas dedicadas a tendências – de moda, sim, mas também de comportamento, ciência e tecnologia, por exemplo –, sendo blogs e sites apenas o efeito mais mensurável da busca louca por antecipações (ou especulações). Ao mesmo tempo em que está tudo na rede, de graça, um relatório feito por uma consultoria de tendências – como se identificam hoje os escritórios especializados em vender cenários do amanhã – pode chegar a custar 2 milhões de reais. Primeiro, foi a moda que entrou na moda. Agora, tendência virou tendência. Para saber o que vem pela frente, VEJA ouviu dezessete profissionais das áreas de moda, arquitetura, recursos humanos e nutrição. Aqui, as previsões dos especialistas.


MODA
Estilo austero, consumo pulverizado

Ilustrações Atômica Studio


A grande corrente da vez é a "nova austeridade", apontada por gurus americanos e definida como "um estilo de vida, não apenas uma estética", pelo The Future Laboratory, consultoria internacional com sede em Londres, que vende inspirações a empresas como American Express e Veuve Clicquot. De fato, depois de décadas de excessos, uma elite de consumidores mostra aversão ao exagero, ao glamour, à ostentação e aos signos de status. A nova austeridade remete a uma mistura do bordão "menos é mais" dos 80 com inspiração no "consumo consciente" – expressão que, no Brasil, virou mantra de modernos desde a última São Paulo Fashion Week (o maior evento de moda brasileiro foi dedicado ao tema do meio ambiente). Nas passarelas, quem ilustra a "new austerity" é a grife Jil Sander, justamente uma das inventoras do minimalismo dos 80. A aparição sóbria de Angelina Jolie sobre o tapete vermelho do último Globo de Ouro também já pode ser considerada um marco da tendência, assim como a inédita escassez de diamantes registrada na entrega do Oscar. Se, no estilo, a moda pega leve, no consumo, acelera. As grandes criações das passarelas passam a ser copiadas e adaptadas para a vida real com tal rapidez que os ricos não vão hesitar em comprar em lojas de departamentos, imagina a consultora Costanza Pascolato: "A roupa barata vem veloz, bacana e bem pensada. É a pulverização e a democratização da moda", diz.


ARQUITETURA
Lares mínimos

No século XXI, o lar encolhe, junto com as famílias. No Brasil, a média de ocupação de um domicílio caiu de cinco pessoas, nos anos 70, para 3,5, segundo o IBGE. Para abrigarem tanta gente morando só e tantos casais com apenas um ou nenhum filho, casas e apartamentos ficam mais simples e práticos. As plantas terão menos divisões, o luxo do quarto extra desaparece. Além da simplicidade, os projetos buscarão a sustentabilidade, expressa na economia de energia e no uso de materiais ecológicos. E dá-lhe papelão, da parede ao sofá. O mobiliário do futuro é reciclável, leve e desmontável, para agilizar as mudanças – cada vez mais freqüentes. Com as relações de emprego menos sólidas, as pessoas tenderão a se mudar mais vezes.


TRABALHO
Escritórios sem territórios

Desapegue-se da sua sala, do seu computador e do porta-retrato sobre a mesa do escritório. Espaços de trabalho "não territoriais" (o que significa a própria casa ou qualquer outro lugar onde se possa plugar um laptop) são realidade na Europa, e tendência forte no Brasil. Isso ocorre porque a tecnologia, de um lado, e a necessidade econômica, de outro, permitem e exigem um uso mais racional de imóveis empresariais, que custam caro e costumam ficar ociosos por muito tempo.


COMIDA
Adeus, torresminho

A mesa do amanhã já está posta: é diet, light, orgânica, natural e funcional. Hoje, a indústria já reduz sal, açúcar e gordura dos produtos e lança alimentos funcionais – caso de novos iogurtes que auxiliam o trabalho do intestino. A aversão à trash food (literalmente, comida-lixo: rica em calorias e pobre em nutrientes) aumenta em todo o mundo. Exemplo da tendência no Brasil é a redução no crescimento do consumo de refrigerante: em 2006, aumentou apenas 1,6%, enquanto o mercado de bebidas com apelo saudável, como chás e sucos, cresceu 34,4%.


CONSUMO
Compras até no elevador

Parcimônia e responsabilidade falam mais alto na hora das compras – amanhã. Hoje, usa-se pulseira de capim dourado para ajudar uma comunidade no Jalapão, ou pagam-se 100 reais na T-shirt associada a uma causa – o que não faz de ninguém um consumidor do futuro. "Consumo consciente", afirmam especialistas, por enquanto, é só uma desculpa politicamente correta para o consumo em si. Consciente ou nem tanto, o comprador do século XXI terá turbinas nos pés, na imagem do filósofo francês Gilles Lipovetsky. Para alcançar esse "turboconsumidor", exposto às mais diversas mídias e cada vez mais freqüentemente em trânsito, as ofertas de consumo não terão hora ou lugar para surgir. Pense em fazer compras em lugares como corredores de aeroportos, rodoviárias, metrô e até elevadores transformados em microshoppings.



Fontes: Michell Zappa, publicitário, Trendwatching; Dario Caldas, sociólogo, Observatório de Sinais; João Paulo Cavalcanti, publicitário, Box 1824; Ricardo Guimarães, Thymus Branding; Costanza Pascolato, consultora de moda; Erika Palomino, editora de moda; Gloria Kalil, consultora de moda; Lilian Pacce, editora de moda; João Braga, professor e pesquisador de história da moda; Melinda Davis, consultora, The Next Group; Marcos Acayaba, arquiteto, professor da FAU-USP; Roberta Kronka, arquiteta, professora da FAU-USP; Marcio Porto, arquiteto, escritório Sidônio Porto; Sérgio Amad, professor de recursos humanos da FGV/SP; Ana Lúcia Miranda, cientista social especialista em sociologia do consumo; Jocelem Salgado, professora de nutrição da USP, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais; Camila Piza, psicóloga, Voltage