Carta ao leitor

Para onde vamos: Angelina Jolie, linda, poderosa e filantropa:
a mulher do futuro


Tendências: Como iremos comer, morar, trabalhar e nos vestir

Sexo: Desejo: de onde vem, do que é feito e como despertá-lo

Carreira: Saiba quais são as profissões de futuro

Saúde: Voz: como mantê-la jovem

Dieta: Três chefs dão receitas de como manter
a linha


Consumo: O que as mulheres levam em conta
na hora de comprar


Poder: Quem tem medo
de mulher?


Meio ambiente: 20 maneiras de ajudar o planeta

Fitness: Como ficar em forma mesmo detestando academia

Perfil: Kate Moss: o que ela veste, o mundo copia

Viagem: Guia para montar a mala perfeita

Arte: É moderno: pintura direto na parede

Arquitetura: O hotel-espetáculo de Frank Gehry

Beleza: Sephora: na gigante mundial de cosméticos, beleza em pílulas

Spa: Repórter passa três dias no sexto melhor spa do mundo

Luxo: Dez coisas para sonhar

   
 

Para onde vamos
A mulher do futuro

Eleita a segunda mulher mais influente do mundo,
a atriz Angelina Jolie é a cara dos novos tempos


HELOISA HELVÉCIA

Sex symbol, vírgula. Ao doar tempo, imagem e dólares a refugiados e órfãos, a atriz Angelina Jolie sintonizou o espírito da época e chamou os flashes para além de seus atributos protuberantes.

A americana acaba de ser indicada por leitores da revista Time uma das mulheres mais influentes do globo – não (só) por causa da formosura. Fosse esse o único critério, não seria a segunda no ranking, abaixo de J.K. Rowling, criadora do personagem Harry Potter. Ex-modelo e ex-usuária de drogas, Angelina chamou atenção como atriz em 1998, no papel da também modelo Gia Carangi, lésbica e junkie, que teve a vida dramatizada pela HBO. Um Oscar e três Globos de Ouro depois, ela encabeça agora a lista da filantropia: é destaque na edição da Time dedicada a gente "que transforma o mundo com seu poder, talento e exemplo moral".

Radical no jeito de expor lados controversos de sua biografia, a estrela se diz destemida como Lara Croft, personagem do videogame que viveu no cinema, em 2001. Na ocasião, deu-se à soberba de dispensar dublês – encarou ela mesma as cenas de ação. A amazona de peito forte, assumidamente siliconado, é despojada no vestir. Nem ficaria bem uma ativista humanitária em fantasia de rica. Seu estilo personifica a "nova austeridade", segundo analistas de tendências (veja reportagem). "Angelina representa este momento de ressaca e digestão dos tempos de excesso, em que questões antes tidas como públicas viram responsabilidade pessoal", diz a psicóloga Camila Piza, especializada em ciências do consumo. "Ela extrapola, choca e ao mesmo tempo mostra que pode ser careta, ter um homem só, filhos, fazer o bem para si e para o mundo. Não tem medo do olhar alheio, é autêntica. É a atitude da nova austeridade", diz Camila. "Sexy sem ser vulgar, Angelina concentra a versatilidade do papel feminino contemporâneo. Suas mil faces não deixam espaço para a imagem certinha. É um novo tipo de celebridade. Enfim, uma heroína de carne e osso", diz o sociólogo Dario Caldas, do Observatório de Sinais.

A identificação de Angelina com o século XXI vai da aparência simples à essência complexa – mas esqueça a imagem da Mulher-Maravilha. Guerreira e frágil, a diva ambígua constrói, com um velho coração maternal, uma nova família multirracial. Mãe adotiva do cambojano Maddox, do vietnamita Pax e da etíope Zahara, e mãe biológica de Shiloh, sua filha com o maridaço, Brad Pitt, a mulher de nome e rosto de anjo tem o corpo todo tatuado. Hoje, qualquer patricinha tem. Mas ela tem também cicatrizes de automutilações a faca, lembrança de um passado bem punk. A cara do futuro. E que cara.