| | Para
onde vamos A mulher do futuro Eleita
a segunda mulher mais influente do mundo, a atriz Angelina Jolie é
a cara dos novos tempos 
HELOISA HELVÉCIA Sex symbol, vírgula.
Ao doar tempo, imagem e dólares a refugiados e órfãos, a
atriz Angelina Jolie sintonizou o espírito da época e chamou os
flashes para além de seus atributos protuberantes. A
americana acaba de ser indicada por leitores da revista Time uma das mulheres
mais influentes do globo não (só) por causa da formosura.
Fosse esse o único critério, não seria a segunda no ranking,
abaixo de J.K. Rowling, criadora do personagem Harry Potter. Ex-modelo e ex-usuária
de drogas, Angelina chamou atenção como atriz em 1998, no papel
da também modelo Gia Carangi, lésbica e junkie, que teve a vida
dramatizada pela HBO. Um Oscar e três Globos de Ouro depois, ela encabeça
agora a lista da filantropia: é destaque na edição da Time
dedicada a gente "que transforma o mundo com seu poder, talento e exemplo moral".
Radical no jeito de expor lados controversos de
sua biografia, a estrela se diz destemida como Lara Croft, personagem do videogame
que viveu no cinema, em 2001. Na ocasião, deu-se à soberba de dispensar
dublês encarou ela mesma as cenas de ação. A amazona
de peito forte, assumidamente siliconado, é despojada no vestir. Nem ficaria
bem uma ativista humanitária em fantasia de rica. Seu estilo personifica
a "nova austeridade", segundo analistas de tendências (veja
reportagem). "Angelina representa este momento de ressaca e digestão
dos tempos de excesso, em que questões antes tidas como públicas
viram responsabilidade pessoal", diz a psicóloga Camila Piza, especializada
em ciências do consumo. "Ela extrapola, choca e ao mesmo tempo mostra que
pode ser careta, ter um homem só, filhos, fazer o bem para si e para o
mundo. Não tem medo do olhar alheio, é autêntica. É
a atitude da nova austeridade", diz Camila. "Sexy sem ser vulgar, Angelina concentra
a versatilidade do papel feminino contemporâneo. Suas mil faces não
deixam espaço para a imagem certinha. É um novo tipo de celebridade.
Enfim, uma heroína de carne e osso", diz o sociólogo Dario Caldas,
do Observatório de Sinais. A identificação
de Angelina com o século XXI vai da aparência simples à essência
complexa mas esqueça a imagem da Mulher-Maravilha. Guerreira e frágil,
a diva ambígua constrói, com um velho coração maternal,
uma nova família multirracial. Mãe adotiva do cambojano Maddox,
do vietnamita Pax e da etíope Zahara, e mãe biológica de
Shiloh, sua filha com o maridaço, Brad Pitt, a mulher de nome e rosto de
anjo tem o corpo todo tatuado. Hoje, qualquer patricinha tem. Mas ela tem também
cicatrizes de automutilações a faca, lembrança de um passado
bem punk. A cara do futuro. E que cara. | |