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Saúde A última
do consultório As notícias
mais recentes sobre a saúde da mulher, procedentes dos grandes centros
de pesquisas mundiais, de laboratórios farmacêuticos e de médicos
bem informados  Juliana
Braga Lailson
Santos
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As mulheres podem ser vítimas de diversas doenças exclusivas e de
quase todas as que acometem os homens tumor na próstata, evidentemente,
é uma das poucas exceções. O sistema reprodutor feminino
é complicado e costuma gerar de pequenas a grandes encrencas, da adolescência
à menopausa. Mesmo assim, as mulheres vivem mais do que os homens. Talvez
porque se cuidem mais. Para que façam isso ainda com mais eficácia,
este pequeno guia relaciona as últimas novidades que a medicina produziu
no que diz respeito à saúde da mulher.
Ilustrações
Paladino
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ARTRITE
REUMATÓIDE De cada quatro portadores de artrite reumatóide,
três são mulheres com idade entre 40 e 50 anos. A inflamação
das articulações debilita os movimentos e, em casos mais graves,
pode deformar mãos e juntas. Um novo medicamento, recém-lançado
nos Estados Unidos, tem como princípio ativo o abatacept, um agente biológico
que atua sobre as células do sistema imunológico que provocam a
inflamação, diminuindo o inchaço e a dor.
CORAÇÃO
Sabe-se que a acumulação de gordura na barriga é responsável
por mudanças metabólicas associadas às doenças cardíacas.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia puseram 164 mulheres para malhar
em grupos com cargas horárias diferentes e chegaram à boa conclusão
de que bastam duas sessões por semana de ginástica para obter resultados
positivos.
DEPRESSÃO
O FDA, agência americana que regulamenta alimentos e remédios,
aprovou em fevereiro a comercialização do primeiro adesivo contra
depressão. A droga será vendida sob o nome de Emsam, pelo laboratório
Bristol-Myers Squibb. O FDA determinou que ela seja classificada como "tarja preta".
DEPRESSÃO
PÓS-PARTO Entre 10% e 20% das mulheres que têm filhos
sofrem de depressão pós-parto, uma doença que pode ser tratada.
Só recentemente, porém, descobriu-se que os sintomas podem ser percebidos
ainda durante a gravidez. O mal pode ser vencido com terapia. "Em geral, são
necessárias três sessões por semana", diz Geraldo Nestadt,
do Hospital Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Em casos mais graves, são
receitados antidepressivos. ENVELHECIMENTO
Pesquisadores suíços, da Universidade de Fribourg, acreditam ter
descoberto uma chave para prolongar a longevidade. Ao desativarem a ação
de uma proteína chamada TOR no verme Caenorhabditis elegans (C.
elegans), tradicionalmente usado como modelo em pesquisas genéticas, eles
aumentaram a vida do bichinho. A TOR também existe no organismo humano.
Imagina-se, portanto, que seu "desligamento" possa prolongar a vida das pessoas.
Essas pesquisas, porém, vão levar pelo menos mais alguns anos.
GRAVIDEZ
Após uma série de estudos, a OMS concluiu que a ingestão
de suplementos de cálcio ajuda a ter uma gravidez mais tranqüila.
Além de diminuir os efeitos da pré-eclampsia complicação
caracterizada por alta da pressão sanguínea e perda de proteína
pela urina , ajuda a evitar outras doenças associadas à gravidez.
HORMÔNIOS
Para dar fim às ondas de calor e perda de libido mesmo na pós-menopausa,
um gel de testosterona está sendo testado nos Estados Unidos. Basta passá-lo
na parte interna das coxas e dos braços para que a pele o absorva e faça
com que chegue aos capilares da derme, seguindo para a corrente sanguínea.
"O grande problema é saber a dose correta. Um erro pode fazer crescer bigode
nas mulheres", brinca o médico César Eduardo Fernandes, presidente
do conselho científico da Sociedade Brasileira do Climatério. ENXAQUECA
Os chineses sabiam disso há milênios, mas foi preciso um grupo de
cientistas alemães testar, segundo critérios ocidentais, a acupuntura
tradicional para todo mundo acreditar que ela é um método eficaz
para tratar as enxaquecas. No estudo, publicado em fevereiro, na revista Lancet
Neurology, foram tratados 900 pacientes, divididos em três grupos. Entre
os que foram submetidos à acupuntura tradicional chinesa, 47% tiveram o
tempo em que sofriam de enxaqueca reduzido pela metade.
HPV
Ainda neste ano, começam a ser distribuídas as primeiras vacinas
mundiais contra o vírus HPV, o papiloma humano. O HPV provoca câncer
de cólo de útero, a quarta maior causa de morte por tumores no Brasil,
e também está associado a lesões cervicais benignas e verrugas
genitais. As duas vacinas foram desenvolvidas a partir da criação
em laboratório de uma partícula semelhante ao HPV, mas sem seu DNA
virulento. Elas se destinam a mulheres ainda não infectadas. A aplicação
é intramuscular, feita em três doses, com 180 dias de intervalo entre
a primeira e última. A eficácia é de 100%.
FUMO
Está em fase final de estudos o primeiro remédio que age simulando
os efeitos da nicotina no cérebro. Segundo seu fabricante, a Pfizer, o
varenicline (nome comercial: Champix) faz com que o fumante largue o vício
de maneira progressiva, ao reduzir os sintomas da abstinência. "Entre uma
semana e dez dias após o início do programa, pede-se ao fumante
que largue o cigarro", explica Jaqueline Issa, coordenadora do Ambulatório
de Tabagismo do Incor. Estudos indicaram eficácia de 50%.
MENOPAUSA
Desde que a segurança da reposição hormonal foi posta em
dúvida por um estudo divulgado em 2002, os cientistas procuram novos meios
de amenizar os efeitos da menopausa, sem criar malefícios colaterais. Uma
das linhas de pesquisa busca criar um dispositivo intra-uterino (DIU) revestido
com progestogênios, hormônios usados em terapias para mulheres na
pós-menopausa que ainda têm útero. A idéia é
colocar o progestogênio no endométrio, diretamente onde ele deve
ficar, sem os problemas da terapêutica combinada.
MAMA
Um novo exame promete amenizar os incômodos do diagnóstico
do câncer de mama. O aparelho de ressonância magnética Espree
permite que os dois seios sejam examinados simultaneamente, de maneira menos invasiva.
"A paciente é colocada em uma cama, deitada de bruços, na qual há
dois buracos para que os seios se encaixem e fiquem pendentes. Em quinze minutos,
o exame é concluído", explica o médico Jacob Szejnfeld, professor
de radiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
OSTEOPOROSE
A doença atinge 75 milhões de mulheres em pós-menopausa em
todo o planeta. Criado pela Merck Sharp & Dhome, o novo medicamento fosamax
D combina o alendronato sódico, o tratamento contra osteoporose mais adotado
no mundo, e a vitamina D. Essa promoveu um aumento da massa óssea e da
resistência dos pacientes e proporcionou um menor número de fraturas.
REJUVENESCIMENTO
Um novo aparelho capaz de rejuvenescer a pele facial chegará ao
Brasil ainda neste ano. Segundo a dermatologista Mônica Azulay, da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Skin Rejuvenation Plasma (SRP, na sigla em
inglês) é um sistema que transfere a energia do plasma por nitrogênio
sem contato direto com a pele. "O aparelho é uma espécie de pistola
que, mantida a uma pequena distância do rosto, faz a aplicação
de nitrogênio, que atua nas camadas externas da pele, estimulando seu rejuvenescimento",
explica Mônica. Com uma única sessão já é possível
obter um bom resultado, ela garante.
TERCEIRA
IDADE De acordo com o Instituto do Envelhecimento dos Estados Unidos
(NIA, na sigla em inglês), fazer esporte de andar de bicicleta a
malhar diminui o risco de os idosos sofrerem de demência. Publicado
em fevereiro na revista Annals of Internal Medicine, o trabalho indicou
redução em até 32% dos casos de perda cognitiva entre os
que praticavam exercícios até três vezes por semana.
DISTÚRBIO
BIPOLAR O tipo II do transtorno bipolar cresce entre as mulheres.
Caracteriza-se por episódios de "mania" nos quais se observam exaltação
do humor, euforia e hiperatividade. Ainda neste ano, deve ser aprovado o uso do
medicamento aripiprazol em terapia contínua, e não apenas em momentos
de crise.
Fontes: César Eduardo
Fernandes, presidente do conselho científico da Sociedade Brasileira do
Climatério; Gilberto Amorim, da Clínica de Oncologistas Associados
do Rio de Janeiro; Hermes T. Xavier, professor titular de cardiologia da Faculdade
de Ciências Médicas de Santos; Jaqueline Issa, coordenadora do ambulatório
de tabagismo do Instituto do Coração (Incor); Jacob Szejnfeld, professor
livre-docente em radiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp);
Jane Corona, nutróloga; Luciana Mourão Fanti, gerente-médica
do Laboratório Bristol-Myers Squibb; Luis Bahamondes, do Centro de Atenção
Integral à Saúde da Mulher (CAISM); Luisa Lina Villa, chefe do grupo
de virologia do Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer; Luiz Jacintho,
da Universidade de São Paulo (USP); Marise Lazaretti, da Escola Paulista
de Medicina; revistas Annals of Internal Medicine; Lancet Neurology; American
Journal of Obstetrics and Ginecology; The Breast Journal; Journal of Clinical
Oncology, New England Journal of Medicine; Science; Nature; e New Scientist) | |