| | Comportamento
O melhor amigo gay Mulheres
héteros e homens homossexuais tendem a se tornar inseparáveis. Mas, se
ela quer arranjar um namorado, é bom um pouco de distância 
Luciene Antunes
NBC/Everett Collection  | | Cena
do seriado americano Will & Grace: eles moram juntos e já dividiram o interesse
pelo mesmo tipo de homem | Ele
quase é o homem que toda mulher gostaria de ter: é companheiro,
topa qualquer programa até almoço em família ,
gosta de discutir a relação a sua e a dos outros ,
é sincero e sensível. Só não é perfeito porque
sexo com você não faz parte dos interesses dele. Logo,
não pode ser o homem ideal. Mas pode ser o amigo ideal. "Ter um grande
amigo gay é a relação platônica dos sonhos: solidária,
não competitiva, alegre e sem potencial sexual, acrescida ainda
como diz o mito popular por um interesse comum por dois assuntos: acessórios
e homens", explicou ao jornal The Observer Jonathan Harvey, autor do seriado
Gimme Gimme Gimme, que ganhou status de supercult na Inglaterra, sobre
um casal de amigos (ele gay) que divide a mesma casa.
Nenhuma
mulher duvida que amigo gay é excelente companhia para ir a boates animadas,
fazer compras, jantar em restaurante japonês, olhar vitrines e até
freqüentar o cabeleireiro onde se pode contar com aquele palpite masculino
que nenhum namorado ou marido jamais se prontificou a dar. A relação
da amiga hétero, sobretudo a solteira, com os gays é tema de vários
seriados de TV, como Will & Grace, um dos mais populares do canal Sony.
Protagonizado por um advogado homossexual e uma decoradora que dividem apartamento
em Nova York, suas histórias refletem muito bem a relação
de cumplicidade entre eles. As situações contadas na série
se aproximam muito de casos reais do cotidiano de uma mulher que tem um amigo
gay. São exemplos o episódio em que ambos se apaixonam pelo mesmo
sujeito (que, diante do absurdo, prefere cair fora), o capítulo em que
fazem um pacto segundo o qual, se não arrumar um marido até os 38
anos, ela terá um filho dele, e as cenas freqüentes em que aparecem
devorando potes de sorvete e falando de homens diante da TV. Ou seja, tudo o que
aconteceria entre duas amigas, mas com o detalhe de a personagem contar com um
interlocutor, e cúmplice, do sexo masculino mesmo que ele seja gay.
"É por isso que, no fundo, toda mulher gostaria que seu amigo gay fosse
hétero", diz a comissária de bordo baiana Helenice Javanish, que
tem o hábito de só sair com amigos homossexuais.
Nélio Rodrigues/1° Plano
 | | Elizabeth
e Leonardo: para ele, ela é uma "irmã" | Não
bastasse isso, ele ainda é excelente ouvinte nas horas difíceis.
A advogada mineira Elizabeth Monteiro, de 30 anos, e seu amigo gay, o biblioteconomista
Leonardo Assumpção, de 27, não se desgrudam há cinco
anos. "Sei que com ele posso contar", diz Elizabeth. Quando terminou um relacionamento
de oito anos, foi ele quem mais a ajudou nas horas difíceis. A maioria
dos amigos não tinha a menor paciência para escutar suas lamúrias
nem as lembranças do ex. "Também fiquei surpresa ao ver que, depois
que fiquei solteira, minhas amigas casadas ou com namorado passaram a me ver como
ameaça e se afastaram", conta. A psicóloga Carmen Lúcia Souza,
do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, acha que a mulher
busca no amigo gay uma sensibilidade maior. "O homossexual é de fato um
homem mais sensível, que exprime sentimentos de forma mais livre que os
heterossexuais", ela observa. E
os gays, por que se apegam tanto a suas amigas? André Fischer, diretor
do portal e do festival de cinema Mix Brasil, voltados ao público GLS,
acredita que eles encontram nelas o carinho e o suporte emocional que gostariam
de ter na família. "É outro nível de amizade. A amiga hétero
acaba sendo como uma irmã", explica. Leonardo, o grande amigo de Elizabeth,
conta que o relacionamento deles vai muito além das boas risadas durante
as baladas gays e dos conselhos divertidos sobre como conquistar alguém.
"As mulheres conseguem enxergar as coisas sem preconceito", diz Leonardo.
Os vários
aspectos positivos desse tipo de amizade podem, no entanto, nublar outra verdade.
Andar só com gays pode ser um empecilho sério para quem quer arrumar
um namorado. O ambiente e os papos GLS costumam ser refratários a uma paquera
hétero. "Você acaba se acostumando a sair na noite gay, o que é
muito divertido, mas é nulo para engatar um relacionamento hétero",
afirma a empresária carioca Tatiana Romeno, de 35 anos, que resolveu se
afastar pelo menos provisoriamente das baladas GLS. De fato, em
boates gays é difícil encontrar um hétero disponível.
Caso ele exista, ainda assim sempre vai pairar aquela pergunta no ar: "Será
hétero mesmo? E aquela dancinha que ele fez com o cara sem camisa agora
há pouco?" Outro aspecto é que, em geral, homem hétero morre
de medo de gay. É raro ver um sujeito paquerar uma mulher que esteja rodeada
deles. "Já reparei várias vezes que o cara está até
interessado em mim, mas tem medo de ficar me olhando porque pode parecer que está
paquerando um dos gays da minha mesa", conta a professora primária carioca
Janaína Fernandes, de 27 anos. Nem tudo é perfeito. | |