| |
De
portas
abertas
Armários
de sonhos: enormes
e recheados de
roupas bárbaras

Por
Tatiana Schibuola
Existem
casas aquelas em que as donas têm recursos e
disposição para refinar à mais elevada
potência a arte de fazer compras em que traduzir
closet por armário de roupas é simples demais.
Nelas, o guarda-roupa é um cômodo inteiro (ou
dois, ou três), e dos mais importantes. Do projeto arquitetônico,
assinado por decorador famoso, ao espantoso conteúdo,
esses closets das mil e uma noites são praticamente
um showroom de vestidos, calças, blusas, casacos, cintos,
sapatos e bolsas caríssimos e exclusivíssimos.
Todos, sem exceção, têm uma funcionária
(ou duas, ou três) especialmente para seu cuidado. Algumas
proprietárias até fotografam as produções
mais caprichadas, para evitar repetições. Quem
já se angustiou diante de um armário abarrotado,
clamando por mais espaço ou seja, todas nós,
mulheres comuns , fica de queixo caído com esses
superclosets. Para admirar (e invejar um pouquinho), veja
estes exemplos impressionantes.
À
prova de repetição
Fotos Pedro Rubens
 |
 |
A
peça de roupa mais velha do closet da empresária
Lucília Diniz, e uma de suas preferidas, é
uma blusa de malha metálica da Versace. Tem, pelos
seus cálculos, uns dez anos, e é uma das pouquíssimas
remanescentes daquele tempo quando Lucília vestia
tamanho GG. Há cinco anos, ela perdeu quilos em quantidade
extraordinária, concentrou-se em não recuperar
o excesso e doou todas as roupas largas. A tal blusa, de proporções
mais usáveis, ficou. Uma das maiores satisfações
de Lucília é compor o acervo do closet novo.
"Depois de 38 anos de calça com elástico e batas,
escolher minhas roupas tornou-se um ritual extremamente prazeroso",
diz. Ela o abastece principalmente durante as viagens ao exterior,
em lojas como Versace, Valentino, Dolce & Gabbana, Prada
e Gucci. Ultimamente, abriu espaço para os estilistas
nacionais, como Lino Villaventura e Walter Rodrigues. Nos
dois corredores do closet, a cada quinze dias a ajudante Cida
inverte a posição dos cabides, para que a luz
natural que entra pela janela não desbote só
um lado. As roupas usadas recentemente são penduradas
no fundo do corredor, para que não sejam repetidas.
No caso dos vestidos de festa, o cuidado é maior: Cida
anota a festa em uma agenda e cola junto a foto polaroid da
roupa.
Só
na sandalinha
 |
A
apresentadora Eliana adora roupas e grifes, mas basta
uma olhadinha em seu closet para perceber que seu fraco mesmo
são as sandálias de salto alto. Quantos pares?
Eliana põe-se a contar, pára no 75 e exclama:
"Ai, que vergonha!", ao se dar conta da enormidade da coleção.
Praticamente todos os modelos levam a assinatura de um estilista
famoso, como Sergio Rossi e Dolce & Gabbana, seus prediletos.
Cada par custa de 300 a 400 dólares (entre 900 e 1
200 reais) e ela tem de todo tipo: de oncinha, preta com brilho,
preta sem brilho, com aplique de flor, de salto fino, de salto
mais grosso (mas sempre altíssimo). Vestido, ela raramente
repete, já que cada passo que dá é registrado
por fotógrafos e imortalizado em revistas e sites de
celebridades: o Hervé Leger de quando completou um
ano de namoro com Roberto Justus, o Emanuel Ungaro rosa do
noivado com o publicitário, o Dior estampado de sua
festa de aniversário. Nem só para a noite se
produz Eliana. Praia e piscina também são grandes
paixões, como comprovam os três gavetões
recheados de biquínis. Cada pequena divisória
comporta dois. São dezoito compartimentos por gaveta.
Fazendo as contas, devem repousar ali ao menos uns 100 biquínis.
O projeto do closet, do arquiteto e decorador João
Armentano, é uma ode à organização
para tudo há um compartimento especial. Mas
Eliana anda sentindo falta de espaço. "Quanto mais
espaço tem o closet, mais roupa a gente quer ter",
suspira.
Brechó
chique
 |
Casada
com o dono da Ellus, Nelson Alvarenga, e diretora de criação
e produto da marca, Adriana Bozon cultiva um estilo
peculiar. Seu closet, todo construído de madeira no
tom tabaco e com iluminação suave, tem ar de
coisa antiga, combinando com seu gosto: exceto pelos jeans,
quase tudo ali vem de brechós só vestidos
e blusas, são sessenta. Dos mercados de pulgas de Nova
York a refinados antiquários de roupas como o Virginia,
em Londres, ela percorre todos os seus favoritos pelo menos
duas vezes por ano. Em cada um, garimpa raridades, como o
bolero em estilo vitoriano que enfeita um manequim postado
bem no meio do closet e o vestido todo bordado em cor-de-rosa,
datado dos anos 30. Entre as aquisições mais
recentes estão o modelo vintage da estilista inglesa
Vivienne Westwood e as jóias e bijuterias em pedraria
preta que ela comprou num antiquário de Paris, dispostas
ao lado de uma coleção de vasinhos marroquinos
e camafeus. Os sapatos (todos de salto alto) têm armazenagem
exclusiva: dois armários no corredor do pavimento superior
da casa, onde também acomoda, em espaços próprios,
as roupas que usa pouco. Jogar fora ou dar, nem pensar: para
Adriana, quanto mais antigo, melhor.
O
jardim secreto
 |
 |
Quando
reformou seu armário, esta empresária paulista,
que prefere não revelar o nome nem o endereço
de seu jardim secreto, pediu: "Quero um closet que se pareça
com uma loja, mas que, ao mesmo tempo, seja aconchegante e
intimista". A filha e arquiteta da proprietária projetou
então uma espécie de closet-labirinto. Ele começa
em um longo corredor, com prateleiras que acomodam os sapatos.
Aí, quebra para a direita em um corredor mais estreito,
onde estão guardadas as roupas íntimas, as peças
de couro, os tailleurs, os terninhos e os blazers. Outra curva
à direita e chega-se a um pequeno quarto onde estão
os vestidos de noite e os jeans. No centro, seis prateleiras
ovais formam uma ilha que exibe bolsas. A marca Dior ocupa
50% de todos os cabides e prateleiras. Entre as 61 bolsas,
catorze têm exatamente o mesmo tamanho e formato: o
tipo sela, marca registrada da grife. Freqüentam também
o closet peças de Chanel, Prada, Gucci e Roberto Cavalli
nacional, só Ocimar Versolato, tanto em vestidos
exclusivos como em jeans e camisetinhas. O que mais chama
a atenção, no entanto, são os 387 pares
de sapato (Dior, evidentemente, e mais Manolo Blahnik, Jimmy
Choo e uma galeria de grifes), separados por categorias
sandálias, escarpins, botas e por cor. A dona
do closet garante que, até a troca das coleções,
dá tempo de usar tudo. "Troco de roupa três vezes
por dia", explica. Depois de usada, porém, dificilmente
uma roupa volta para o cabide. Tudo segue para outro closet,
uma espécie de depósito, onde adormece até
ser reaproveitado ou, mais comumente, dispensado: se permanecer
inativa por seis meses, a peça vai para uma das três
repetindo, três camareiras que cuidam
do closet ou para algum bazar beneficente.
|
|