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Enfim,
só!
O
juiz já homologou a separação? Ela é
consensual
ou litigiosa? Palavras assim entram no vocabulário
de quem
chega ao fim de um casamento. Aqui, um
guia básico para enfrentar essa batalha

Por
Tatiana Schibuola
Ilustrações Paulo Cabral
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Até
que um juiz os separe
Casar
é fácil. Bastam um par de corações
apaixonados e uma irresistível vontade de viver sob
o mesmo teto. A maioria prefere formalizar a coisa perante
a igreja e o juiz de paz; outros simplesmente vão morar
juntos. Difícil mesmo é desfazer tudo. Principalmente
se o casal não concorda quanto aos termos da separação
(ou seja, praticamente todo mundo). Quem fica com os filhos,
com a casa de praia ou com aqueles CDs absolutamente indispensáveis
à sobrevivência humana?
Até para os evoluídos seres capazes de pilotar
um rompimento amigável, é raro não surgir
algum desentendimento. As mulheres que não se informam
sobre as regras do novo jogo, ou apenas imaginam usar a Justiça
como instrumento de vingança contra o ex, tendem a
cometer mais erros. Saber o básico sobre os mecanismos
jurídicos é obrigação de toda
divorciada em potencial.
1.
Para começar, um advogado
O advogado que cuida dos negócios do seu marido
não serve para fazer a separação. O ideal
é contratar um representante exclusivo e, de preferência,
especializado na área de família. Profissionais
experientes aconselham que a primeira conversa com o advogado
aconteça antes mesmo de comunicar a separação
ao marido, se a iniciativa for da mulher, para ter uma idéia
bem clara do que vem pela frente e receber instruções
sobre a melhor maneira de agir.
2.
Mas é preciso pagar por ele
Separar-se custa caro. O mínimo que um advogado
cobra é 6% sobre o valor real dos bens recebidos pelo
cliente. Em divórcios de casais de classe média
alta, isso gira em torno de 6 000 a 12 000 reais. "O valor
deve ser acertado assim que o profissional for contratado,
por escrito", diz Renata di Pierro, especializada em direito
de família. É comum serem cobradas taxas extras
à medida que o processo vai se complicando. Quem não
puder arcar com os custos pode contar com assistência
judiciária gratuita, uma vez comprovado que não
tem recursos. A Justiça também cobra suas taxas:
em média, 15% sobre o valor atribuído à
causa. Há mais impostos a pagar nos casos de partilha
de imóveis.
3.
Papéis na mão para entrar em ação
Os
documentos necessários para a separação
são certidão de casamento, pacto pré-nupcial
(se houver), certidão de nascimento dos filhos, comprovação
da existência dos imóveis e de seus valores.
Quando o processo não é amigável, acrescentam-se
provas de má conduta do outro que justifiquem o pedido
de separação, como boletins de ocorrência,
exames de corpo de delito, fotos, gravações,
atestados médicos e e-mails agressivos.
4.
Quando os dois concordam
É
a chamada separação consensual. Em tese, é
muito mais simples. Se o casamento foi há mais de um
ano (tempo mínimo para o primeiro passo, que é
o pedido de separação) ou se o casal está
efetivamente separado há no mínimo dois anos
(quando se entra com o pedido de divórcio, propriamente),
e se ele e ela concordam que não dá mais para
ficar juntos, o processo anda com muito mais facilidade. Pode
se acelerar se, além disso, o casal vai para a Justiça
em perfeito acordo sobre partilha dos bens, visita aos filhos,
pensão e que sobrenome manter. Com isso em mãos,
o advogado deve redigir um documento chamado petição
de acordo e encaminhá-lo ao juiz. Caso este não
veja nenhum impedimento, a separação ou, se
ela já existir, o divórcio pode ter aprovação
no mesmo dia.
5.
Sair sem olhar para trás? Pense melhor
Bater a porta e não voltar mais está totalmente
fora de cogitação se o futuro ex-marido for
contra a separação. Ele pode alegar que houve
abandono do lar. Obviamente, em caso de motivo forte
como maus-tratos ou adultério, de preferência
devidamente comprovados , não há alternativa.
Se for apenas uma situação em que é difícil
aturar a convivência, o ideal é solicitar ao
juiz, por meio do advogado, uma providência chamada
medida cautelar de separação de corpos, em que
tanto morar juntos quanto fidelidade deixam de ser deveres
dos dois.
6.
Litígio quer dizer briga
Quando um dos dois não aceita a separação
ou quando não se chega a um acordo sobre, digamos,
quem tem direito a quê, dá-se a separação
litigiosa. Ou seja, o ex-casal, através dos respectivos
advogados, vai brigar perante o juiz por condições
justas para a vida pós-separação. O divórcio
litigioso só pode ser encaminhado depois que a separação
de fato completar dois anos. Enquanto isso, o advogado solicita
ao juiz que estabeleça a pensão, a guarda dos
filhos e o direito de visitas de maneira provisória.
7.
Quando ele é culpado
Agressões físicas ou morais, abandono de
lar, atividades criminosas, ociosidade, alcoolismo, tudo isso
é motivo para requerer uma separação
mesmo que ele (ou ela, claro, na situação
inversa) não queira. Nesses casos, o processo de separação
pode começar antes mesmo da separação
de corpos. Pensão e guarda também serão
definidas, provisoriamente, pelo juiz.
8.
Quanto vale a pensão alimentícia
Ao contrário do que o nome diz, a pensão
não é apenas referente ao valor da nota fiscal
do supermercado. Ela abrange a soma de dinheiro de que a mulher
precisa para manter o mesmo padrão de vida que tinha
durante o casamento. Isso inclui desde despesas com saúde
e moradia até gastos com restaurantes, academia de
ginástica e viagens ao exterior. Se a pessoa que requer
a pensão (o homem ou a mulher) apresentar documentos
que comprovem seu padrão de vida anterior (valem desde
a conta de luz até fotos das viagens internacionais)
e conseguir provar que não pode arcar com tantas despesas
e, principalmente, que o outro tem condições
de pagar, terá direito à pensão. Para
o estabelecimento do valor da pensão dos filhos, as
regras são as mesmas. Em geral, a pensão fixada
é de um terço dos rendimentos do ex.
9.
Quando a mulher não tem direito à pensão
Mulheres
jovens que estejam fora do mercado de trabalho têm direito
a uma pensão temporária, em geral de um a três
anos. "As que trabalham e têm rendimentos compatíveis
com seu padrão de vida não recebem pensão",
diz Priscila Corrêa da Fonseca, doutora em direito processual
civil pela Faculdade de Direito da USP.
10.
Quem fica com o apartamento?
A
partilha dos bens depende do regime adotado na ocasião
do casamento. São eles:
Separação
de bens Cada um tem controle pleno sobre o patrimônio
adquirido antes ou depois do casamento. O mesmo vale para
as dívidas.
Comunhão universal Todos os bens, mesmo
os existentes antes do casamento, pertencem aos dois e devem
ser divididos meio a meio.
Comunhão parcial Só o patrimônio
adquirido depois do casamento será dividido, meio a
meio.
Participação por aqüestos O
novo Código Civil permite que o patrimônio constituído
durante o casamento seja dividido conforme a contribuição
que cada um deu para sua formação daí
o nome complicado. Exemplo: se na compra do apartamento a
mulher contribuiu com o equivalente a um terço do valor,
terá direito a um terço da propriedade na hora
da separação. O novo código também
estabelece que o regime de bens pode ser alterado a qualquer
momento, durante o casamento, desde que sejam apresentadas
justificativas razoáveis a um juiz.
11.
Patrimônio em segurança
Para
garantir que, durante o processo de separação,
seu ex-marido não venda os bens que estão em
seu nome (e que não dependam da assinatura da mulher)
nem os transfira para terceiros, o advogado pode pedir o arrolamento,
ou seja, uma listagem de tudo o que o casal possui, inclusive
nas contas bancárias. Os bens são então
bloqueados, até que se resolva a pendenga da separação.
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12.
A guarda dos filhos
Quando
o casal não consegue chegar a um acordo, a decisão
é exclusivamente do juiz, que levará em conta
o bem-estar das crianças ao determinar com quem devem
ficar e qual será a freqüência das visitas.
Por bem-estar entende-se que quem vai ficar com os filhos
deve ter equilíbrio emocional e espaço físico
suficiente para abrigá-los. Se houver registro de distúrbios
psicológicos, alcoolismo ou maus-tratos de uma das
partes, a guarda será obrigatoriamente do outro. "Cabe
ao juiz decidir se quer ou não ouvir a criança,
seja diretamente, seja por meio de laudos psicológicos
ou de assistentes sociais", diz Rolf Madaleno, advogado e
professor de direito de família da Universidade de
Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul.
13.
A senhora quem?
A
mulher que adotou o sobrenome do marido pode optar por mantê-lo
ou não depois da separação, a não
ser que no processo ela seja acusada de atos impróprios.
Se comprovados, ela volta obrigatoriamente a ter o sobrenome
de solteira. Caso o marido não queira que a ex tenha
seu sobrenome, ele é quem tem de tomar a iniciativa
de requisitar a mudança. Ela ainda pode vencer a "causa"
se comprovar, por exemplo, que a mudança de sobrenome
afetará sua carreira profissional.
14.
Juntado é (quase) casado
Quem
não casou "de papel passado" tem a vantagem de poder
encerrar informalmente a união. No entanto, em relações
duradouras em que há bens e filhos em comum, se o casal
não se separar por mútuo acordo terá
também de apelar para a Justiça, como em um
casamento formal. A principal diferença é que,
antes de começar o processo de separação,
é preciso comprovar a existência da união
através de uma iniciativa chamada ação
de reconhecimento e dissolução de união
estável. Para a divisão de bens, vale em geral
o regime de comunhão parcial.
15.
A Justiça tarda
Em
separações litigiosas, o processo pode arrastar-se
por anos às vezes, dura mais que o próprio
casamento. Em uma primeira audiência, o juiz ouve as
duas partes para tentar uma reaproximação. A
partir daí, começa a correr o processo de separação,
com apresentação das defesas e provas, audiências
de instrução e julgamento, até que se
chegue a um acordo ou que o juiz resolva oficializar a separação.
16.
A diferença entre separação e
divórcio
A
separação não dá o direito de
casar novamente no civil. Para isso, é preciso passar
pelo divórcio, em que uma decisão judicial formaliza
o término do casamento. Ele pode ser solicitado um
ano depois da separação judicial ou pode ocorrer
diretamente, depois de dois anos em que o casal não
vive mais junto. Durante o processo de divórcio, é
obrigatória a partilha de bens, o que não ocorre
durante a separação judicial.
17.
De namorado novo
Só
um novo casamento ou uma união estável podem
permitir o fim do direito de pensão estabelecida para
a ex-mulher. Com isso, a lei supõe que o novo companheiro
contribua para o seu sustento.
18.
Ele arrumou outra
O
fato de o ex ter um novo relacionamento não implica
mudanças na guarda ou no direito de visitas aos filhos,
desde que se mantenha o que se entende por um ambiente saudável
para as crianças. Novo casamento tampouco muda o valor
da pensão. No entanto, se ele tiver filhos com a nova
mulher, aí sim pode pedir uma revisão do valor
da pensão, já que agora tem duas famílias
para sustentar.
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O
que não fazer depois da
separação
Incapacidade
de comunicação, problemas financeiros,
falta de empenho em lutar para que o casamento dê
certo, mudança nas prioridades da vida e infidelidade
são as cinco principais causas das separações,
segundo a American Academy of Matrimonial Lawyers, uma
associação de advogados especializados
em direito de família dos Estados Unidos. Seja
qual for o motivo que leve ao fim do casamento, todos
os envolvidos são afetados por um terremoto emocional
a partir do momento em que decidem pôr um ponto
final na relação. "Para se ter uma idéia,
a separação está em segundo lugar
na escala dos motivos do stress emocional em
primeiro, está a morte de um ente querido", compara
Marilene Grandesso, professora de terapia familiar e
de casal da PUC de São Paulo. Nessa hora, a gama
de sentimentos é enorme: ódio, culpa,
rejeição e medo são alguns dos
mais comuns.
Acreditar que é possível passar por essa
fase sem sofrer é bobagem, qualquer que tenha
sido a duração do casamento. Obviamente
que, quanto mais tempo juntos, quanto mais coisas conquistadas
a dois e, principalmente, quando o casal tem filhos,
a situação tende a ficar ainda mais complicada.
No entanto, é possível, sim, minimizar
a dor. Encerrar um casamento com dignidade pode até
reforçar a auto-estima numa hora em que
ela estará em baixa. A seguir, os cinco erros
mais comuns que as mulheres cometem quando resolvem
se separar:
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1.
Tornar-se ex-mulher profissional
Há mulheres que encaram a separação
como uma profissão e empregam todas as suas forças
para depenar o marido ou privá-lo da convivência
com os filhos. Acreditar que o juiz será capaz
de resolver as diferenças que levaram o casal
à separação ou de vingar a mulher
que cuidou dos filhos a vida toda e foi "premiada" com
a infidelidade do marido só vai tornar o processo
judicial mais difícil, caro e doloroso. "São
casais que não conseguem dissolver o vínculo.
Eles buscam resolver, na Justiça, as diferenças
que levaram à separação", diz o
psicólogo Ricardo Vainer, autor de Anatomia
de um Divórcio Interminável. No final
do litígio, que pode durar anos, ambos encontram-se
emocional e financeiramente devastados. Sem falar que
os juízes dificilmente levam em consideração
a atribuição da culpa para favorecer uma
parte ou outra com relação a pensão
alimentícia, partilha dos bens ou guarda dos
filhos. "Entendo que, se não há mais afeto,
o matrimônio está rompido. Trazer à
tona a discussão da culpa só agrava ainda
mais a animosidade entre os dois. O Estado não
é capaz de dizer quem é culpado ou inocente,
porque não sabe o que acontece na intimidade
do lar", acredita José Carlos Teixeira Giorgis,
desembargador da 7ª Câmara Cível do
Tribunal do Rio Grande do Sul.
2.
Deixar-se controlar pelo ex só porque ele paga
a pensão
Não é porque ficou no mesmo apartamento
e as contas ainda são saldadas pelo ex-marido
que a mulher não tem direito à privacidade.
Conservar a chave de casa, fazer visitas inesperadas
em nome da convivência com os filhos e manter
vigilância cerrada sobre a ex são atos
humilhantes e não um sinal de que "ele"
no fundo continua a gostar de você.
3.
Acreditar que só um novo relacionamento
pode suprir a falta do ex-marido
Formar
um casal é muito bom sem falar nas vantagens
de ter alguém para levar o carro à oficina
e para outras providências práticas. Também
é bom ter uma pessoa com quem se pode contar
de verdade, dividir sonhos, planos, medos e inseguranças.
Com o rompimento, esse mundo desaba. É natural
que muitas mulheres acreditem que só serão
felizes outra vez se reconstruírem o casulo conjugal.
Perigo: procurar um salvador da pátria num momento
de fragilidade emocional resulta quase sempre em escolha
errada. No começo, a nova relação
pode até ser compensadora. "Mais para a frente,
os problemas que não foram levados em conta na
hora da escolha começam a incomodar", diz Tai
Castilho, terapeuta de casal e de família. Antes
de enfrentar outro relacionamento a sério, o
ideal é esperar atingir certo grau de estabilidade
emocional e isso não acontece de um dia
para o outro.
4.
Tentar recuperar a auto-estima no
consultório do cirurgião plástico
Mesmo que o ex-marido não tenha arrumado outra
mulher vinte anos mais nova, a separação
sempre está relacionada ao sentimento de rejeição.
Nessas circunstâncias, é comum o desejo
de reencontrar a juventude. O problema é que,
evidentemente, Botox, ginástica e lifting, em
si, não garantem nem a felicidade nem a recuperação
do amor-próprio. "Costumo sugerir a meus pacientes
recém-separados que escrevam uma lista com todas
as coisas que deixaram de fazer enquanto estavam casados
e retomem algumas", diz Jacy Bastos Lima, psicóloga
e coordenadora do Grupo de Orientação
a Descasados. Vale desde coisas simples, como tomar
aulas de violão, até voltar a estudar
ou trabalhar.
5.
Falar mal do papai para os filhos
Separação
é entre o homem e a mulher, não entre
pais e filhos. Usar os filhos para atacar o ex é
um erro grave. Mesmo mulheres equilibradas às
vezes cedem à tentação da vingança
através da prole mas é extremamente
aconselhável que façam de tudo para resistir.
Um relatório da American Psychological Association,
nos Estados Unidos, examinou 33 estudos sobre o assunto
e concluiu que filhos de pais divorciados podem ser
tão bem ajustados quanto aqueles que vivem em
famílias intactas desde que possam conviver
de maneira saudável com os dois. Permitir que
os filhos falem com o pai sempre que quiserem, que combinem
programas e viagens com ele e evitar fazer críticas
e comentários negativos a respeito do outro torna
a criança mais segura. Papai quer apresentar
a nova namorada a eles? Morda o cotovelo e não
faça oposição. Repita como um mantra:
tudo o que disser ou fizer para prejudicar a imagem
paterna na verdade é um mal que estará
infligindo a seus próprios filhos. Casamentos
e maridos passam, mas eles permanecem e saber
que estão sendo bem criados é uma das
maiores fontes de satisfação para qualquer
mãe.
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