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Separação
e simpatia
A
ex, a atual, a ex do atual: por incrível que pareça,
existe amizade nessa rodinha de mulheres

Por Tatiana
Schibuola
Fotos Pedro Rubens
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ENTRE
AMIGOS
Karine, a loira do meio, conseguiu o improvável:
é casada com Ricardo, ex-marido de Márcia
(à esq.), foi (ainda morena) casada com
Cezar, que depois da separação se casou
com Rosane (à dir.), e é amiga
de ambas
2003
Karine se casa com Ricardo, que em 1986 tinha se casado
com Márcia
1987
Karine se casa com Cezar
2002
Cezar se casa com Rosane
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Separar-se,
todo mundo sabe, costuma ser um tormento: brigas, ciúmes,
desaforos. Com o tempo, a situação pode (ou
não) se tornar menos envenenada, mas provavelmente
desandará novamente quando ele, ela ou os dois arranjarem
outro parceiro. Por princípio, a nova mulher do ex
é "a" inimiga: mais jovem, dissimulada, nariz empinado,
toda encantada com aquele bandido. Dá para imaginar
ficar amiguinha dessa bisca? Acreditem: acontece. As relações
familiares, e extrafamiliares, forjadas com as transformações
no casamento reservam finais surpreendentemente felizes
ou, pelo menos, descontraidamente civilizados. Acompanhemos
o caso da médica gaúcha Karine Schlüter,
37 anos. Ela se dá muito bem com a atual mulher de
seu ex-marido, o piloto Cezar Nunes inclusive, moram
no mesmo condomínio em Campinas, no interior de São
Paulo. A bem-resolvida Karine, por sua vez, também
se casou de novo, e relaciona-se sem problemas com a ex-mulher
de seu atual marido, o engenheiro Ricardo Hasche. Não
foi, em nenhum dos casos, uma amizade à primeira vista.
No início, houve resistência das três mulheres.
Mas superaram e acabaram amigas com um ou outro deslize
de vez em quando, que nenhuma ex é de ferro.
"Estava
separada havia um ano quando o Cezar me contou que estava
de namorada nova (a bioquímica Rosane Pereira de Souza,
32 anos) e queria apresentá-la à nossa filha,
Giovana. Fiquei louca da vida, mas não demonstrei.
Fui para a casa de uma amiga e lá passei horas falando
mal dele, chorei muito e marquei umas sessões extras
com meu terapeuta", relata Karine. Hoje, ela é capaz
de concluir que, em parte, era inveja "de ele ter refeito
a vida, ter encontrado alguém". Em outra (grande) parte,
era puro pavor: "Morria de medo de que a Giovana gostasse
mais dela do que de mim". Um dia, Karine, Cezar e Rosane se
encontraram por acaso em um restaurante. Karine foi à
mesa deles e se apresentou a Rosane, "que ficou surpresa,
mas logo abriu um sorriso". Hoje, são vizinhas e amigas,
de freqüentar a casa uma da outra. "Meu irmão
diz que essa convivência é surreal", diverte-se
Karine. Rosane concorda que, vista de fora, tanta proximidade
é surpreendente. "Teve um ano em que nós três
fomos para a cozinha assar um bolo de aniversário para
a Giovana. Quando conto, ninguém acredita", diz. Karine,
provavelmente, teria sentido, de início, menos animosidade
se soubesse o que se passava na cabeça da namorada
de seu ex. "Cezar foi meu primeiro relacionamento com um homem
separado, com filho. Já tinha ouvido muitas amigas
comentar que o kit completo era complicado", diz Rosane. Giovana
não a recebeu muito bem. "No começo, ela foi
muito resistente a mim." Ainda agora, não é
um mar de rosas. "Sou mais mandona do que a mãe e o
pai dela e, de vez em quando, dou bronca e levo bronca do
Cezar por isso." Conhecer Karine no restaurante "deu um frio
na barriga, foi um susto". Mas passou. "Posso dizer que temos
uma relação próxima da amizade", define,
cautelosa. Karine se viu no papel inverso quando conheceu
o atual marido, Ricardo, separado da consultora de recursos
humanos Márcia Hasche, 42 anos, e pai de uma filha,
Marina. "Ele e a ex-mulher freqüentavam a casa um do
outro e viviam se falando ao telefone", lembra Karine. "Eu
tinha ciúme, medo de que ele fosse voltar para ela.
Mas nunca falei nada." A ex de Ricardo, por sua vez, também
enfrentou seu inferno astral: nem conhecia Karine, mas "mulher
tem essa coisa de comparação". O que mais a
apavorava, no entanto, era a fantasia perversa de toda e qualquer
mãe separada. "Tinha medo de que minha filha a achasse
mais interessante e quisesse ir morar com eles", conta. Facilitou
o desatamento do nó o fato de Márcia, mais ou
menos na mesma época, se interessar por outro homem.
Os dois se casaram, mudaram para São Paulo e a distância
atenuou os ânimos. Karine e Márcia vieram a se
conhecer no mais improvável dos locais: o velório
de um conhecido. "A situação não permitia
muito contato, muita efusão, e isso ajudou", diz Márcia.
A partir daí, foram se falando e, no fim, o constrangimento
passou. "Agora nos damos bem. Tenho total confiança
em deixar minha filha com ela", afirma Márcia. "Sei
que nossa situação, assim amigável, é
atípica." Para dizer o mínimo. Aliás,
o atual marido de Márcia também tem uma ex-mulher,
mas aí ela é mais típica: "Não
a conheço, nem nunca conversamos".
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