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A estrela pós-moderna

Ela faz o que quer, namora quem quer, fala
o que quer – e não se arrepende de nada.
Luana Piovani é o protótipo
da mulher
que assume o controle
da própria vida

 
André Schiliró

Imagine cruzar com uma garota usando uma camiseta com a frase: "Eu sou virgem, e esta camiseta é muito velha". Ou: "Não só loura como também perfeita". Ou a pior de todas: "Transei com o seu namorado". Imagine que ela seja loura e perfeita. E a camiseta, além de novíssima, muito agarrada. Imagine que ela não tenha transado com seu namorado, mas ele sonhe continuamente em transar com ela. Não precisa imaginar mais nada para saber que é a Luana Piovani. As camisetas com dizeres atrevidos são uma espécie de alto-falante. Eles proclamam que Luana não é apenas uma mulher que fala o que quer, faz o que quer, namora quem quer, trabalha no que quer. Ela põe a boca no mundo, exibe suas conquistas, orgulha-se de quem é. E ainda provoca.

As camisetas são Luana em estado puro, uma atriz-empresária-celebridade-musa que não é só moderna, autoconfiante, loura, alta, linda e famosa. É o mais luminoso protótipo de mulher independente, que assume o controle da própria vida, da própria carreira, das próprias decisões (do próprio coração, não, porque perderia a graça; e afinal estamos falando da pessoa que se apaixonou por outro quando namorava o Rodrigo Santoro, numa das mais espantosas trocas de parceiros de todos os tempos). Luana é também metida, exigente, mandona. Uma convencida, como se dizia antigamente – não admira que, em lugar da reverência unânime reservada às beldades famosas, provoque também animosidade em espíritos menos compreensivos. Às vezes fala demais ou fala besteira. Mete os pés pelas mãos, pisa na bola, entorna o caldo. Enfim, é humana.

O que faz Luana ser Luana? Para começar, ela se destaca no mar de rostinhos bonitos revelados pela televisão que não querem ser apenas rostinhos bonitos, porque, efetivamente, é uma das raras que conseguem ir além disso. Acima daquele corpo feito para o pecado existe uma cabeça feita para os negócios. Aos 27 anos, administra uma bem-sucedida carreira de atriz e está sempre procurando oportunidades. Luana tem carisma, talento, presença e enorme empatia com o público. Sabe tirar proveito disso tudo, principalmente na hora de rodar a bolsinha – não, não é nada do que os maldosos poderiam pensar, estamos falando da famosa busca de patrocínio. "Costumo dizer que sou o meu melhor marketing", diz, com característica imodéstia. "Quando vou captar recursos para uma peça de teatro, por exemplo, levo as reportagens que saíram sobre meu trabalho. E as pessoas, em geral, já ouviram falar de mim, dos meus projetos." E como! Não é difícil imaginar o clima que se cria quando um bando de executivos engravatados se encontra com a produtora Luana. Até autógrafo dá.

Wilton Junior/AE


Há três anos sem contrato fixo na Rede Globo, Luana não vive exclusivamente do teatro. Pouca gente vive. Suas participações em campanhas publicitárias é que permitem que ela mantenha um invejável padrão de vida. Ela tem um apartamento no Rio, outro em São Paulo e mais um em Nova York. Seu staff fixo contabiliza motorista, secretária, advogado e empresário, além da própria mãe, que é quem toma conta do dinheiro. Comenta-se nos bastidores do meio publicitário que Luana não sai de casa por menos de 150 000 reais quando se trata de uma campanha de alcance nacional. "Cobro caro e sei disso", diz ela. Sobre aquele outro e famoso cachê, o que a despiria de todos os véus da fantasia para expô-la, nua, a uma nação deslumbrada, ela informa que só cogitaria se fosse coisa acima de 2 milhões de reais. "Se não for assim, vão ficar sem ver a minha...", diz, repetindo uma frase que já se tornou um clássico, na qual um simpático anfíbio brasileiro faz as vezes de, bem, aquilo que as revistas masculinas mostram em detalhe.

Por falar o que lhe vem à cabeça, Luana alimenta a fama de metida – e faz a alegria das páginas de celebridades. Sobre seu próprio corpo, onde vê uma sombra de imperfeição ali naquele pedacinho em que a perna acaba e começa o derrière, ela declara: "Se eu quisesse, parava a minha vida, passava três horas por dia numa academia, tomava todas aquelas coisas e virava uma Feiticeira. Então, tenho celulite por opção". Depois que trocou Rodrigo Santoro pela pimenta do baiano Cristiano Rangel, ela admitiu que foi uma falha de caráter, uma escorregada feia – embora inevitável, como sabe qualquer pessoa que já tenha se enrolado nas teias da paixão. Luana é evidentemente do tipo de se enrolar, e sempre com homens bonitos. Sua lista de ex é de dar inveja. Além dos já citados, ela inclui ainda o empresário João Paulo Diniz, os atores Guilherme Fontes e Paulo Vilhena e o modelo Caco Ricci. Com Marcos Pasquim, seu parceiro de cenas tórridas na minissérie de época O Quinto dos Infernos, não teve nada, nadinha. Só beijos técnicos. Quando foi anunciado que ela faria uma peça com outro Marcos, o Palmeira, as bolsas de fofoca cravaram 100% de probabilidade de que não teria nada dessa história de beijos técnicos. Estava claro que o encontro da loura incandescente com o moreno sedutor, ambos com interessantíssimos currículos amorosos, acabaria como acabou.

Luana não resiste a contar como começou o romance que estava escrito em todas as estrelas. Os dois ensaiavam a peça Mais uma Vez Amor, em que vivem um casal. Ensaio vai, ensaio vem, e as cenas de beijo eram sempre deixadas para depois. Até que chegou o dia – e foi melhor do que o esperado. "Senti a língua dele! E não existe língua em beijo técnico", descreve. "Meu coração disparou e lembro que pensei assim: 'Deus, não permita que ele esteja sentindo o meu coração disparado'. Porque, se percebesse, ia entender que aquilo mexeu comigo." Estabelecido que ambos estavam mexidos, acabaram praticamente morando juntos. Como acontece quando embarca num relacionamento mais duradouro, Luana começou a pensar em ter filhos (quer três próprios e um adotado). "Toda mulher pensa nisso. Não é à toa que a gente brinca tanto de casinha", diz, num de seus momentos de ternura, que incluem surtos de carência, horror à solidão e ataques de choro. "Sou muito dependente de carinho, não fico bem sozinha", informa. "Não sou a Mulher Maravilha. Ninguém é."

Divulgação
Leonardo Lemos
Roberto Valverde
Wagner Santos
Luana tem cabeça feita para os negócios e corpo feito para o pecado. Fala o que quer e alimenta a fama de metida. Gosta de coisas normais: Carnaval em Salvador, festas, homem bonito (acima, com Santoro, Rangel, Vilhena e Palmeira)

As coisas de que Luana gosta são perfeitamente normais. Homem bonito, amor, carinho, brincar o Carnaval em Salvador, dar superfestas de aniversário, tomar champanhe, acordar tarde, namorar na cama, dançar em boate gay ("A música é ótima e não tem homem fazendo buzuzum no meu ouvido."). O que impressiona é a gana com que assume isso tudo, especialmente para uma menina criada na severa Igreja Adventista do Sétimo Dia, denominação protestante originária dos Estados Unidos. Luana nasceu em Jaboticabal, tórrida cidade do interior de São Paulo, mãe bancária, padrasto a quem considera pai engenheiro agrônomo. "Minha família era de classe média baixa. Nunca tive nada de mão beijada", diz.

Nem os homens, acreditem. Já houve quem rejeitasse, sim, os 60 quilos de curvas distribuídos em 1,78 metro, hipnotizantes olhos verdes, seios originais de fábrica, sorriso cativante e todo o resto. O namoro com o milionário João Paulo Diniz acabou de uma maneira que já entrou para o folclore das crônicas do coração. "Tomei o maior pé. Passei seis meses chorando", lembra. Coisa de menina de 17 anos, ainda no limiar da fama? Que nada, há desilusões muito mais recentes. No fim de junho, a rejeição se repetiu: ela foi solenemente dispensada por Marcos Palmeira. O que fez Luana Piovani, a maravilhosa não-Mulher Maravilha, a musa pós-moderna, o furacão de autoconfiança? "Fiquei muito triste porque, além de gostar dele, idealizei muita coisa", admite, com comovente sinceridade. E depois? "Tive de engolir o sapo e ir em frente." É assim que se faz.