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A
a Z da saúde da mulher
Paschoal Rodrigues
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Aids
De acordo com a Organização Mundial de Saúde,
45% dos portadores do HIV são mulheres. O vírus
tem avançado em ritmo bem mais acelerado entre o sexo
feminino. No Brasil, em quatro anos, as notificações
de novos casos cresceram 10,2% entre os homens e 75,3% entre
as mulheres. A principal razão da propagação
da doença entre elas é a falta de proteção
na hora do sexo. A maioria absoluta das brasileiras tem contraído
o vírus por via sexual (meio de transmissão
de 70,1% dos casos femininos de 2000), e não pelo uso
de drogas injetáveis ou por transfusão de sangue.
Álcool
É crecente o consumo de bebidas alcoólicas
entre as mulheres. Estudos recentes mostram que 8,7% delas
costumam beber além da conta, enquanto entre os homens
22% extrapolam na bebida. "O álcool passou a fazer
parte do processo de interação com o sexo oposto",
observa o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal
de São Paulo. Está provado que as mulheres são
mais sensíveis que os homens aos efeitos do álcool.
Além de correrem mais risco de desenvolver alguns tipos
de câncer e osteoporose, as mulheres tendem a apresentar
doenças no fígado entre dez e quinze anos antes
dos homens, mesmo que consumam só uma parte do que
eles ingerem diariamente.
Baixo teor (cigarro de)
Mulheres são as maiores consumidoras de cigarros light
em todo o mundo. De acordo com a entidade Smoke Free London,
40% delas dizem preferir cigarros com baixos teores de alcatrão,
nicotina e monóxido de carbono por acreditar que eles
prejudicam menos o organismo. Uma tremenda bobagem. Ao contrário
do que pensam, os light causam câncer, problemas cardíacos
e outras doenças, da mesma maneira que os cigarros
regulares. O Ministério da Saúde proibiu a impressão
dos rótulos light, ultralight e baixos teores nos maços
de cigarros para evitar que o consumidor tenha uma interpretação
equivocada quanto aos danos do cigarro.
Causas de morte
No Brasil, as doenças do aparelho circulatório
são a maior causa de morte entre as mulheres. Três
em cada dez delas morrem no país em decorrência
desse mal, como infarto do miocárdio e derrame. Outro
foco preocupante é o câncer. A incidência
do de mama, por exemplo, cresceu 68% entre 1979 e 1998 e é
hoje o que mais afeta o sexo feminino, matando dez em cada
100 000 mulheres. O segundo tipo de câncer mais letal
entre elas é o de pulmão, cuja incidência
teve o surpreendente crescimento de 108% nas décadas
de 80 e 90 no Brasil.
Xico Buny
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Camisinha feminina
Sucesso nas pesquisas, fracasso nas vendas. Esse paradoxo
traduz com precisão o que acontece com os preservativos
femininos no Brasil. Embora aprovada por sete em cada dez
mulheres, segundo pesquisa do Centro Brasileiro de Análise
e Planejamento (Cebrap) e de outras três entidades,
a camisinha para mulheres continua encalhada nas prateleiras
das farmácias. O preço, em média 12 reais,
e a desconfortável estética depois de colocada
atrapalham sua propagação. "Além
disso, a colocação requer um treinamento, o
que torna o uso mais restrito", afirma o ginecologista
Ricardo Oliveira, presidente da Sociedade de Ginecologia e
Obstetrícia do Rio de Janeiro.
Doenças cardiovasculares
As mulheres passaram a ter infarto dez a quinze anos
mais cedo. A proporção de nove infartos masculinos
para um feminino caiu para três por um e tende a se
igualar rapidamente nos dois sexos. Essas são duas
conclusões de uma pesquisa feita por Rita Simone Lopes,
do departamento de enfermagem da Universidade Federal de São
Paulo. O crescimento no número de mulheres que desenvolvem
doenças cardiovasculares é visível nos
consultórios de cardiologistas. Segundo o estudo, o
tabagismo é o principal responsável pelos infartos
em mulheres de 35 a 45 anos. "A nicotina compete com
o estrógeno e tem vários efeitos nocivos ao
organismo, como o aumento do colesterol", lembra.
Roberto Stelzer
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Dietas
Estima-se que oito em cada dez pessoas que fazem dieta
são mulheres. O que explica essa diferença é
que, desde meninas, elas se preocupam mais que eles em ter
uma silhueta esbelta. Nos últimos anos, dietas ricas
em proteínas, como a do doutor Atkins, seduziram muitas
mulheres, embora não haja comprovação
científica de sua eficácia na prometida perda
de peso a longo prazo. Na verdade, a Associação
Americana do Coração adverte que esses regimes
podem trazer mais danos que benefícios ao organismo,
uma vez que estimulam o consumo de gordura e reduzem importantes
fontes de vitaminas, minerais e fibras.
Enxaqueca e dor de cabeça
É muito comum confundir a dor de cabeça
mais corriqueira com enxaqueca. Esta última conta com
um forte componente genético - 75% dos pacientes têm
parentes que sofrem do mesmo mal. Além da dor latejante,
o enxaquecoso é acometido por náuseas, vômito,
hipersensibilidade à luz, ao barulho e a odores fortes.
São sintomas muito mais desconfortáveis que
a dor de cabeça usual, aquela que atinge quase 30 milhões
de brasileiros. O fato é que as mulheres são
as que mais sofrem. Culpa das alterações hormonais,
especialmente no período pré-menstrual.
Fumante passiva
O risco de um fumante ter um ataque cardíaco é
pouco maior que o registrado em não-fumantes que estão
expostos à fumaça do cigarro, adverte um estudo
da Escola de Saúde Pública de Harvard. Assim
como o coração, o pulmão é outro
órgão seriamente atingido pela fumaça
do cigarro em locais fechados. Nos Estados Unidos, 53 000
não-fumantes morrem por ano por fumo passivo, sendo
3 000 de câncer do pulmão. Mulheres grávidas
devem estar cientes de que a fumaça do cigarro pode
causar danos genéticos ao feto e deixá-lo predisposto
a doenças, como leucemia infantil e outros tipos de
câncer.
Gravidez
As pressões do mercado de trabalho têm feito
as mulheres adiar a gravidez. No entanto, o chamado do relógio
biológico merece ser ouvido. Quanto mais tarde se pensa
em ter filhos, mais difícil se torna a gravidez. Na
faixa dos 35 anos, a probabilidade de uma mulher engravidar
naturalmente durante uma única relação
é de 15%. Aos 40, esse número cai para 5%. Aos
45, ele beira 1%.
HPV
O vírus HPV é conhecido pelas mulheres por ser
a principal causa do câncer de colo do útero.
A grande maioria das mulheres infectadas pelo HPV não
desenvolve o tumor. Na verdade, homens e mulheres (mais de
20 milhões só nos Estados Unidos) estão
infectados pelo vírus e muitos nem sabem disso. Coceira,
sangramento anormal e dor durante o ato sexual são
alguns sinais da doença. A contaminação
ocorre pelo contato sexual e pode causar verrugas, geralmente
nos órgãos genitais. "Em cerca de metade
dos casos, só aparece uma infecção transitória
e o vírus é logo eliminado pelo organismo",
afirma o ginecologista Mauro Romero Leal Passos, da Universidade
Federal Fluminense.
Inseminação artificial
Estima-se que um em cada cinco casais tenha problema de infertilidade.
Nos últimos anos, a inseminação artificial
tornou-se uma saída esperançosa para quem não
pode ter filhos. A fertilização in vitro é
um procedimento caro - entre 6 000 e 12 000 reais - e arriscado.
As chances de uma tentativa resultar em gravidez completa
não chegam a 35%. Há casais que chegam a fazer
até sete tentativas sem êxito. Ainda assim, a
procura é intensa. O Brasil tem hoje 7 000 bebês
de proveta (no mundo são 300 000). "Apesar do
preço, essa prática cresceu muito", afirma
o ginecologista Ricardo Oliveira, presidente da Sociedade
de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro.
Ilustração
Lúcia Brandão
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Insônia
"A mulher é um ser hormonal. A tensão pré-menstrual
e o uso de pílulas anticoncepcionais, por exemplo,
podem perturbar seu sono", explica o neurologista Raimundo
Nonato Rodrigues, do Hospital Universitário de Brasília.
As estatísticas confirmam que as mulheres são
quem mais sofre de insônia. De cada quatro insones crônicos,
três são mulheres, segundo recente pesquisa do
Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo.
Libido
Estima-se que um terço da população feminina
adulta apresente alguma alteração no desejo
sexual. Nos últimos anos, a medicina tem-se empenhado
em pesquisar remédios para tratar o problema. O Wellbutrin,
recém-lançado no Brasil, é um deles.
Estudos preliminares revelam que o medicamento pode aumentar
a libido e a satisfação sexual da mulher. Mesmo
a ingestão do Viagra pode ter efeito positivo entre
elas. "Não existe comprovação farmacológica
de sua eficácia, mas há casos resolvidos por
esses remédios", diz o ginecologista Paulo Canella,
da Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro.
Mal de Alzheimer
As mulheres correm um risco maior que os homens de desenvolver
essa doença de causa desconhecida que afeta cerca de
1,5 milhão de pessoas no Brasil. Como vivem mais que
eles, estão mais sujeitas ao mal, que acarreta a perda
progressiva das funções intelectuais, como a
memória, a capacidade de tomar decisões e a
atenção. "Mesmo corrigindo essa distorção
por longevidade, as mulheres desenvolvem o Alzheimer mais
que os homens. Só não sabemos por quê",
diz o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal
de São Paulo. Segundo ele, a reposição
hormonal pode ajudar a prevenir a doença.
Osteoporose
Doença grave, sem cura e tipicamente feminina (são
200 milhões de doentes no mundo, cerca de 10 milhões
só no Brasil), a osteoporose atinge principalmente
mulheres brancas, baixas e magras. Seu principal sintoma é
a perda de massa óssea, o que pode provocar fraturas
graves durante um tombo rotineiro. A partir dos 40 anos, as
mulheres devem fazer periodicamente o exame de densitometria
óssea. A fórmula de prevenção
continua simples: leite, sol e ginástica. Outra droga
promissora que em breve chega ao mercado é o Fortéo,
a versão sintética do hormônio PTH 1-34,
que estimula a formação de ossos - e o faz numa
velocidade superior ao ritmo com que a doença corrói
o esqueleto.
Eduardo
Pozella
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Ovário
Cenouras e tomates podem ser grandes aliados das mulheres
na prevenção do câncer de ovário.
Segundo estudo recentemente publicado no International
Journal of Cancer, alimentos ricos em caroteno e licopeno
podem reduzir o risco da doença, considerada a mais
difícil de ser diagnosticada, por conseqüência
a mais perigosa (é letal em 60% dos casos). A aspirina
também é apontada como nova arma contra esse
mal. Um estudo com mulheres que tomaram aspirina até
quatro vezes por semana durante seis meses revelou uma incidência
40% menor que a verificada em outras pacientes.
Plástica
Sabe-se que as brasileiras são as campeãs de
plástica per capita no mundo. Só no ano passado
foram feitas 350 000 cirurgias no país. A Academia
Americana de Plástica Facial elegeu o rosto da atriz
Catherine Zeta-Jones como o ideal de beleza perseguido pelas
americanas. No Brasil, dez dos melhores cirurgiões
plásticos do país, ouvidos por VEJA, foram unânimes
em dizer que suas clientes não têm um padrão
específico. "As brasileiras estão mais
educadas que as americanas em relação à
plástica: elas buscam somente uma harmonia interna",
garante o renomado cirurgião Ivo Pitanguy.
Reposição hormonal
Com a divulgação recente, pela Associação
Médica Americana, de que comprimidos à base
dos hormônios estrógeno e progesterona aumentam
a
possibilidade de uma mulher sofrer um infarto ou um derrame,
é preciso ficar atenta a todas as formas de terapia
de reposição hormonal. Converse com seu médico
antes de optar por um tratamento específico.
Savvy
A revista Vogue americana o anunciou como "a melhor
notícia depois da pílula". O medicamento
Savvy está sendo considerado uma revolução
no que diz respeito à contracepção e
prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
O produto vem na forma de gel, creme e supositório.
Aplicado na vagina, impede a gravidez e cria um meio hostil
para vírus e bactérias. Ou seja: pode matar
o HIV. "É uma descoberta estrondosa", diz
o ginecologista Mauro Passos, da Universidade Federal Fluminense.
A previsão é que o Savvy seja comercializado
nos próximos cinco anos.
Ilustração Negreiros
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Stress
Estudos desenvolvidos no Laboratório de Stress da PUC-Campinas
mostram que as brasileiras têm um nível de stress
sempre superior ao dos homens. Em geral, mulheres costumam
ter seu stress associado a problemas afetivos, enquanto nos
homens as causas estão ligadas ao trabalho. A boa notícia
é que elas se recuperam melhor do stress que eles.
É o que diz um levantamento da filial brasileira da
associação internacional de controle do stress
(Isma), que prova a melhor capacidade das mulheres para lidar
com o problema.
TPM
Há inacreditáveis 150 sintomas que acompanham
a tensão pré-menstrual. Ao contrário
do que se pensa, a TPM não é fruto de desequilíbrio
hormonal. Estudo da Universidade Federal de São Paulo
mostra que os níveis dessas substâncias são
idênticos em mulheres com e sem a síndrome. Acredita-se
que ela seja um distúrbio neuroendócrino, isso
sim, que surge da ação dos hormônios sobre
os neurotransmissores.
Útero
Fortes cólicas menstruais, dor na relação
sexual e dificuldade de engravidar. Esses são sintomas
da endometriose, doença cada vez mais freqüente
que atinge cerca de 15% das mulheres em idade fértil.
Caracterizada pela presença do endométrio (o
tecido que reveste internamente o útero) em outros
locais do corpo, como ovário e trompas de Falópio,
é uma das doenças ginecológicas mais
estudadas nos últimos anos, e suas causas ainda não
estão claras. "A hipótese cada vez mais
comprovada é que ela esteja relacionada ao stress",
afirma o ginecologista José Aristodemo Pinotti, da
Universidade de São Paulo.
Vida (expectativa de)
A vida dos brasileiros está mais longa. Na última
década, a expectativa de vida no país cresceu
2,6 anos, passando de 66 anos em 1991 para 68,6 em 2000. Fazendo
a distinção do sexo, tem-se que a expectativa
de vida da mulher é de 72,6 anos e a do homem, 64,8
anos.
Zoloft
A depressão afeta duas vezes mais mulheres que homens
em todo o planeta. Embora se desconheçam suas causas,
a oscilação hormonal é considerada a
mais forte delas. Entre os 40 e 50 anos, quando o organismo
começa a dar os primeiros sinais da menopausa, a depressão
é comum. No entanto, o pico ocorre entre os 15 e 25
anos, quando a mulher tem de encarar súbitas mudanças,
que dizem respeito tanto à sexualidade quanto à
vida profissional. O Zoloft é a última palavra
em medicamento, pois atua diretamente na serotonina, que rege
nosso estado de motivação, energia e atenção.
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