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Filhos
X carreira
O
grande desafio das mulheres é conciliar
a vida familiar com os projetos profissionais

Valeria Rossi

Veja também |
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O
caminho do sucesso no mundo dos negócios é tortuoso
para homens e mulheres, mas elas são obrigadas a enfrentar
alguns obstáculos a mais. Um desses obstáculos
está ligado à ascensão profissional.
As pesquisas feitas sobre o assunto mostram que, se os cargos
ocupados pelas mulheres numa companhia fossem distribuídos
numa pirâmide, eles apareceriam em maior número
na base da organização do que no topo. Como
conseqüência dessa distribuição,
se a folha salarial pudesse ser dividida por gênero,
o bloco do contracheque delas seria mais magro que o deles.
Ninguém está autorizado a apontar para a existência
de uma conspiração machista que controla as
promoções segundo o sexo. Nada disso. Acontece
apenas que as mulheres estão há menos tempo
no mercado de trabalho e, ainda analisadas como bloco, possuem
um currículo menos qualificado que o do bloco masculino.
Quando ocupam a mesma função e têm currículo
igual, as mulheres recebem o mesmo que os homens.
Guto Seixas

Kika
Lobo e as filhas: sacrifício para preservar a carreira
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Outro obstáculo real que interfere no desempenho das
mulheres nas empresas é a maternidade. Até algum
tempo atrás, um homem certamente roubaria a vaga de
uma candidata jovem, que tem possibilidade de ficar grávida.
Hoje em dia, nenhuma companhia séria cortaria da folha
de pagamento uma profissional promissora apenas porque ela
ficou grávida. Acontece que, se a funcionária
não é tão promissora assim, a maternidade
pode ser um problema. Embora as empresas declarem que avaliam
a profissional por seu desempenho como um todo e não
pelo que deixará de fazer temporariamente durante a
licença-maternidade, as mulheres precisam estar preparadas
para enfrentar essa discussão quando ou se
chegar a hora.
A
questão central é que o embate entre a maternidade
e a profissão acontece antes de mais nada na cabeça
da própria mãe. E demora a ser solucionado.
O primeiro problema aparece no momento em que a funcionária
precisa contar ao chefe que ficou grávida. Durante
essa conversa, muitas vezes ela cai em prantos. "Elas se culpam
por ficar grávidas, como se estivessem admitindo que
a partir daquele momento não serão mais as mesmas
funcionárias", diz a psicanalista Magdalena Ramos,
de São Paulo. Mostram os estudos que a mulher grávida
faz duas promessas que acredita ser capaz de cumprir. Uma
em casa, sem que tenha sido cobrada a fazê-la, informando
que ninguém vai notar que ela trabalha fora. Faz ainda
uma segunda promessa no trabalho, deixando claro ao chefe
que ele não vai notar que agora ela virou mãe.
"E, como é de esperar, fica difícil desempenhar
os dois papéis integralmente", afirma a antropóloga
Rosiska Darcy de Oliveira. A empresária carioca Kika
Gama Lobo, 38 anos, duas filhas, que comanda uma equipe de
dezessete pessoas, arrepende-se de ter exagerado em algumas
situações. Por exemplo, ter apoiado um laptop
nos pontos de sua operação cesariana, ainda
no leito do hospital. "Eu não admitia abrir mão
do trabalho nem para ter filho. Era como se eu tivesse fracassado
profissionalmente", conta.
Selmy Yassuda

A
executiva Geraldine Smink: filhos adiados em cinco anos
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Não é apenas a gravidez que preocupa as empresas.
Uma pesquisa recente feita com empresários paulistas
mostrou que cerca de 40% dos patrões ainda encaram
a maternidade como um problema. Repare: maternidade, palavra
usada para definir a condição de quem é
mãe, não se encerra logo após a licença
de quatro meses. Ela continua para o resto da vida. Sob a
ótica das empresas, há uma espécie de
hierarquia velada na preferência por certos tipos de
funcionário. Homens levam vantagem. As empresas costumam
considerá-los permanentemente disponíveis, dispostos
a concordar com transferências de cidade e horas extras
sem titubear. Em segundo lugar na escala não escrita
das prioridades surgem as solteiras que a cada dia
crescem na preferência dos patrões. Em terceiro
lugar estão elas, as mães, com a maior carga
de empecilhos. "Por teoricamente não terem disponibilidade
para horários alternativos e viagens, elas são
as menos elegíveis para uma promoção",
afirma Paulo Celso de Toledo Júnior, sócio da
consultoria Konsult, em São Paulo.
É
impossível negar que a maternidade muda a vida de uma
mulher. Muda suas relações com o marido, com
os parentes, suas prioridades. Por que não mudaria
sua forma de enxergar a vida profissional? A executiva Geraldine
Smink, 27 anos, diretora de marketing da Allied Domecq, empresa
do setor de bebidas, diz que já refletiu muito sobre
o assunto e chegou a uma conclusão. Solteira, não
pensa em ter a própria família antes dos 32
anos. "Minha estabilidade financeira não vai acontecer
antes disso. Os filhos só virão no momento em
que a carreira atingir o ponto que quero, de forma que minha
vida pessoal possa ser administrada mais facilmente", afirma.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho,
o número de mulheres que trabalham no Brasil aumentou
180% nos últimos vinte anos.

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TESTE
Chefe,
fiquei grávida
Ao
entrar na empresa, você garantiu ao patrão
que gravidez não fazia parte de seus planos a
curto prazo. Mas agora você vai ser mãe.
Veja se sabe tratar o assunto com seus superiores
Fonte:
Cristina Almeida, headhunter
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