Carta ao leitor
Pesquisa: O que pensa e o que quer a brasileira
  Dos 20 aos 60 anos: Os desafios que envolvem beleza, amor e carreira em cada fase da vida da mulher
  Cinema: As questões femininas na tela
  Beleza: A obsessão feminina pela aparência
Teste: O que você acha de sua aparência?
Gastronomia: Por que cozinhar virou hobby
Luxo: Sete famosas listam seus objetos de desejo
  Sexo: Por que elas continuam fingindo
Teste: Você está satisfeita com sua vida sexual?
Solteiras: Elas dizem estar vivendo muito bem sozinhas
Ídolos: Marília Gabriela e Adriane Galisteu são referências para as brasileiras
Pesquisa: O que as estatísticas revelam sobre os hábitos da brasileira típica
  Roupa: O modelo ideal para cada tipo de corpo
  Maternidade: Por que as mães se sentem sempre culpadas
Relacionamento: Dicas para se dar bem com sua sogra, sua nora ou a ex do seu marido
Babás (exclusivo on-line): É preciso administrar a relação com a babá de seu filho. Sem ela, é difícil ter paz no trabalho
  Dinheiro: Elas querem que os parceiros paguem as contas
Rotina: O que dizem os maridos de mulheres muito bem-sucedidas
Vida a dois: Por que eles não fazem a dupla jornada
  Carreira: A maioria delas detesta ter chefe mulher
Vida profissional: É possível conciliar trabalho e filhos?
Teste: Chefe, fiquei grávida
  Guia: O A a Z da saúde da mulher
  William Bonner e Fátima Bernardes
 
 
   
 

Filhos X carreira

O grande desafio das mulheres é conciliar
a vida familiar com os projetos profissionais


Valeria Rossi


Veja também
Dos arquivos de VEJA
Reportagem de 8/5/2002: "Poder e Solidão"
Reportagem de 16/1/2002: "Entre o bebê e a carreira"
Reportagem de 7/11/2001: "Quanto mais tarde, mais difícil"
Da internet
Isis Women
Christianity today
IVillage

O caminho do sucesso no mundo dos negócios é tortuoso para homens e mulheres, mas elas são obrigadas a enfrentar alguns obstáculos a mais. Um desses obstáculos está ligado à ascensão profissional. As pesquisas feitas sobre o assunto mostram que, se os cargos ocupados pelas mulheres numa companhia fossem distribuídos numa pirâmide, eles apareceriam em maior número na base da organização do que no topo. Como conseqüência dessa distribuição, se a folha salarial pudesse ser dividida por gênero, o bloco do contracheque delas seria mais magro que o deles. Ninguém está autorizado a apontar para a existência de uma conspiração machista que controla as promoções segundo o sexo. Nada disso. Acontece apenas que as mulheres estão há menos tempo no mercado de trabalho e, ainda analisadas como bloco, possuem um currículo menos qualificado que o do bloco masculino. Quando ocupam a mesma função e têm currículo igual, as mulheres recebem o mesmo que os homens.

Guto Seixas

Kika Lobo e as filhas: sacrifício para preservar a carreira


Outro obstáculo real que interfere no desempenho das mulheres nas empresas é a maternidade. Até algum tempo atrás, um homem certamente roubaria a vaga de uma candidata jovem, que tem possibilidade de ficar grávida. Hoje em dia, nenhuma companhia séria cortaria da folha de pagamento uma profissional promissora apenas porque ela ficou grávida. Acontece que, se a funcionária não é tão promissora assim, a maternidade pode ser um problema. Embora as empresas declarem que avaliam a profissional por seu desempenho como um todo e não pelo que deixará de fazer temporariamente durante a licença-maternidade, as mulheres precisam estar preparadas para enfrentar essa discussão quando – ou se – chegar a hora.

A questão central é que o embate entre a maternidade e a profissão acontece antes de mais nada na cabeça da própria mãe. E demora a ser solucionado. O primeiro problema aparece no momento em que a funcionária precisa contar ao chefe que ficou grávida. Durante essa conversa, muitas vezes ela cai em prantos. "Elas se culpam por ficar grávidas, como se estivessem admitindo que a partir daquele momento não serão mais as mesmas funcionárias", diz a psicanalista Magdalena Ramos, de São Paulo. Mostram os estudos que a mulher grávida faz duas promessas que acredita ser capaz de cumprir. Uma em casa, sem que tenha sido cobrada a fazê-la, informando que ninguém vai notar que ela trabalha fora. Faz ainda uma segunda promessa no trabalho, deixando claro ao chefe que ele não vai notar que agora ela virou mãe. "E, como é de esperar, fica difícil desempenhar os dois papéis integralmente", afirma a antropóloga Rosiska Darcy de Oliveira. A empresária carioca Kika Gama Lobo, 38 anos, duas filhas, que comanda uma equipe de dezessete pessoas, arrepende-se de ter exagerado em algumas situações. Por exemplo, ter apoiado um laptop nos pontos de sua operação cesariana, ainda no leito do hospital. "Eu não admitia abrir mão do trabalho nem para ter filho. Era como se eu tivesse fracassado profissionalmente", conta.

Selmy Yassuda

A executiva Geraldine Smink: filhos adiados em cinco anos


Não é apenas a gravidez que preocupa as empresas. Uma pesquisa recente feita com empresários paulistas mostrou que cerca de 40% dos patrões ainda encaram a maternidade como um problema. Repare: maternidade, palavra usada para definir a condição de quem é mãe, não se encerra logo após a licença de quatro meses. Ela continua para o resto da vida. Sob a ótica das empresas, há uma espécie de hierarquia velada na preferência por certos tipos de funcionário. Homens levam vantagem. As empresas costumam considerá-los permanentemente disponíveis, dispostos a concordar com transferências de cidade e horas extras sem titubear. Em segundo lugar na escala não escrita das prioridades surgem as solteiras – que a cada dia crescem na preferência dos patrões. Em terceiro lugar estão elas, as mães, com a maior carga de empecilhos. "Por teoricamente não terem disponibilidade para horários alternativos e viagens, elas são as menos elegíveis para uma promoção", afirma Paulo Celso de Toledo Júnior, sócio da consultoria Konsult, em São Paulo.

É impossível negar que a maternidade muda a vida de uma mulher. Muda suas relações com o marido, com os parentes, suas prioridades. Por que não mudaria sua forma de enxergar a vida profissional? A executiva Geraldine Smink, 27 anos, diretora de marketing da Allied Domecq, empresa do setor de bebidas, diz que já refletiu muito sobre o assunto e chegou a uma conclusão. Solteira, não pensa em ter a própria família antes dos 32 anos. "Minha estabilidade financeira não vai acontecer antes disso. Os filhos só virão no momento em que a carreira atingir o ponto que quero, de forma que minha vida pessoal possa ser administrada mais facilmente", afirma. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o número de mulheres que trabalham no Brasil aumentou 180% nos últimos vinte anos.


 

TESTE
Chefe, fiquei grávida

Ao entrar na empresa, você garantiu ao patrão que gravidez não fazia parte de seus planos a curto prazo. Mas agora você vai ser mãe. Veja se sabe tratar o assunto com seus superiores

1. Você está grávida de um mês e foi chamada para uma entrevista em uma empresa. Você...
a) revela sua gravidez. Afinal, é o mais honesto a fazer.
b) não revela sua gravidez. Isso pode impedi-la de continuar no processo seletivo.
c) revela sua gravidez depois da contratação. Para você, isso não deveria ser considerado em processos seletivos.
Confira a resposta correta

2. Você tem uma gravidez com enjôos constantes. O que faz?
a) Acha que seu chefe deveria dar-lhe folga quando você se sentisse mal e entender eventuais atrasos.
b) Apresentaria ao seu chefe atestados médicos para justificar suas ausências, buscando assim a compreensão dele.
c) Não falaria nada e tentaria contornar a situação de modo a não interferir em sua rotina de trabalho.
Confira a resposta correta

3. Você comunicou sua gravidez e foi imediatamente transferida para uma função em que seu bônus é menor. Seu chefe diz que sua atribuição anterior era muito estressante para uma grávida. Você...
a) aceita a nova função, pois entende a preocupação da chefia.
b) não aceita a nova função e pede para seu chefe reconsiderar, pois acredita que pode continuar exercendo suas tarefas com o mesmo empenho.
c) consulta um advogado ou procura auxílio jurídico em algum órgão apropriado, pois não aceita a redução no bônus.
Confira a resposta correta

4. Depois que você descobrisse estar grávida, qual seria sua postura no ambiente de trabalho?
a) Continuaria a mesma.
b) Iria se resguardar, evitando envolver-se em novas tarefas, pois, afinal, você agora tem outras prioridades.
c) Tentaria ser mais receptiva, afinal você goza de certa vantagem pela estabilidade empregatícia gerada pela gravidez e se sentiria melhor se pudesse colaborar mais.
Confira a resposta correta

5. Sabendo da situação de reestruturação da companhia, qual sua postura em relação ao período de licença-maternidade?
a) Tiraria os 120 dias garantidos pela lei trabalhista, só retomando o contato com a empresa após esse período.
b) Tiraria os 120 dias garantidos pela lei trabalhista e procuraria estar em contato periódico com seu chefe para mostrar seu comprometimento com a empresa e tentar ajudar em algum momento crítico.
c) Você considera 120 dias muito tempo para estar afastada da empresa e volta a trabalhar antes do período, mesmo que seja meio período ou em casa.
Confira a resposta correta

Fonte: Cristina Almeida, headhunter