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Elas
querem
um chefe homem
No
escritório, as mulheres têm pavor de
ser comandadas por alguém do mesmo sexo

Alice Granato
Claudio Rossi
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| A
paulista Martha Terenzzo: atritos com a ex-chefe "gorda
e recalcada" |
O que as mulheres esperam de um chefe? Em geral, sonham com
uma pessoa simpática, compreensiva e justa, alguém
que saiba delegar tarefas e estimular a equipe. Mas que, sobretudo,
possua uma característica particular: seja homem. Pesquisa
qualitativa feita pelo Instituto Vox Populi, a pedido de VEJA,
aponta para a existência de uma predileção
por parte das mulheres por receber ordens de alguém
do sexo masculino. Uma parcela menor das entrevistadas respondeu
não se importar se quem manda usa gravata ou não.
Na pesquisa, as mulheres atribuem às chefes características
pouco lisonjeiras, como "lentas", "metidas"
e "traiçoeiras". Muitas dizem acreditar que
as superioras não se preocupam em motivar subordinados
do sexo feminino, e, pior, afirmam ter certeza de que critérios
pouco profissionais serão levados em conta para julgá-las,
tais como beleza e juventude.
A
diretora de marketing de alimentos da Bombril, Martha Terenzzo,
de 39 anos, se diz convencida de que enfrentou uma experiência
profissional ruim apenas porque era chefiada por uma mulher,
que, segundo afirma, teria agido motivada pela inveja. Martha
descreve sua ex-chefe como (atenção, segure-se)
"uma mulher gorda, de aparência esquisita, solteira
e visivelmente recalcada". A tal chefe a obrigou a trabalhar
até as 4 da manhã sem levar em conta o fato
de que ela havia acabado de voltar da lua-de-mel. "Aquilo
não era produtivo. O fato de ela não ter família
nem vida própria, com certeza, influenciava. Ela sabia
que eu era recém-casada e ficava claro que havia certa
inveja", lembra. Martha acredita que um homem seria mais
compreensivo e que respeitaria esse seu momento especial.
Não
se pode dizer que as mulheres sejam melhores ou piores chefes,
até porque as pesquisas já feitas sobre o assunto
mostram que os homens não demonstram prevenção
alguma e aceitam o comando de uma executiva. O que fica claro
é que a relação entre mulheres tem potencial
explosivo quando se estabelece uma subordinação
entre elas. Ao que tudo indica, as subordinadas se decepcionam
porque esperam que sua superior seja sempre mais legal que
o chefe homem. Quando isso não acontece, elas as demonizam.
E, com uma chefe mulher, não há cara feia nem
biquinho que comova.
À
primeira vista, estabeleceu-se uma contradição.
Estudiosos e consultores são praticamente unânimes
em dizer que o mundo corporativo melhorou muito com a inclusão
de valores femininos nas empresas, entre os quais a cooperação
no lugar da competição. Ou seja, o mundo empresarial,
considerado "machista", acredita que as mulheres
reduzem a taxa de competição nociva "própria
do homem". Mas, pelo visto, o mundo "feminista"
clama pela presença de chefes homens para evitar a
competição que é "própria
da mulher". Quem entende isso? "Ao contrário
do que se pensa, embora o conjunto das mulheres modernize
valores, as executivas não demonstram a menor intenção
de lutar pela causa feminina", afirma o consultor de
empresas Julio Lobos, que acaba de lançar o livro Mulheres
que Abrem Passagem, em que traça um panorama das
superexecutivas no Brasil. "E isso passa às subordinadas
a impressão de que estão sendo discriminadas."
Ele admite que, num primeiro momento, ficou "chocado"
com a postura individualista das mulheres poderosas. Depois
de 120 entrevistas e um ano de trabalho escrevendo seu livro,
ele concluiu que elas são exatamente como os homens,
sem nenhuma diferença: "Elas são mesmo
egoístas e ególatras. Sabem quanto custou para
subirem sozinhas e não se interessam pela causa feminina",
afirma.
É
desanimador imaginar que as próprias mulheres representem
mais um empecilho para a escalada feminina nas empresas. Apesar
da crescente presença das mulheres (preenchem sete
em cada dez novas vagas no mercado), elas ocupam apenas 6%
dos cargos de chefia nas 500 maiores empresas brasileiras.
Nos debates, muitas mulheres defendem uma teórica união
entre elas para derrubar barreiras, como se fosse razoável
e possível que todas subissem em bloco na organização.
A promoção é uma conquista individual,
não coletiva. Quanto a essa relação ruim
entre as mulheres, os estudiosos dizem que se trata de uma
fase. "A postura atual das mulheres no mercado de trabalho
ainda é muito masculinizada. Elas querem se impor,
como fizeram os homens anos atrás", diz o paulista
Leopold Nosek, da Sociedade Brasileira de Psicanálise.
"Mas essa agressividade passa."

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