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A
vida sexual das mulheres
Os
desafios da nova geração que ainda
está longe de se satisfazer na cama

Alexandra Gonzales

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Durante
muito tempo atribuiu-se à educação rígida
e aos severos padrões de comportamento a insatisfação
das mulheres com sua vida sexual. Pensava-se que, por serem
reprimidas, fingiam orgasmo e tinham dificuldade em atingir
o prazer na cama. Pois essa idéia não se sustenta
mais. A novíssima geração de mulheres
foi criada viajando com os namorados, dormindo na casa deles,
conversando com os pais sobre o uso de preservativos e gravidez.
E, mesmo assim, elas engrossam as estatísticas sobre
a dificuldade de se satisfazer debaixo dos lençóis.
De acordo com uma pesquisa do Instituto Vox Populi feita a
pedido de VEJA, a maioria das jovens solteiras e casadas já
fingiu prazer para agradar a seu parceiro. E mais: grande
parte das mulheres delega o controle sobre sua vida sexual
ao homem. É ele quem escolhe a hora, o local, a freqüência
e mesmo a duração da relação sexual.
Antonio Milena

A
empresária Rosana Souza: medo de magoar os namorados |
É curioso notar que não se trata de um fenômeno
nacional. Levantamentos produzidos na Holanda e nos Estados
Unidos líderes mundiais em estudar o assunto
mostram que 40% das mulheres estão muito insatisfeitas
com sua vida sexual. Diante dos dados, indaga-se: afinal,
o que impede a mulher de chegar ao prazer? "Em geral, ela
própria", afirma a psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto
Sexualidade do Hospital das Clínicas de São
Paulo, autora da maior pesquisa sobre sexualidade já
feita no país. "Até hoje, ela não procura
saber o que lhe dá satisfação, não
se expõe, não procura entender o que se passa
com ela. Ser informada só na teoria é a mesma
coisa que nada", diz.
A pesquisa de Carmita Abdo revelou que menos de 10% das jovens
sentem prazer no início da vida sexual. A razão
é que a maioria, ao contrário dos meninos, ignora
os meandros sobre como chegar lá. "É comum ver
famílias conversando sobre o uso de preservativos na
hora do jantar, mas vai ser difícil achar algum pai
ou mãe com coragem para debater a importância
das preliminares. Sexo ainda é um supertabu", afirma
o psicanalista paulista Ronaldo Pamplona da Costa. Em geral,
as fontes de informação continuam sendo os livros
especializados em tirar dúvidas sobre sexo e as amigas.
Os especialistas dizem que os livros ajudam muito, mas o autoconhecimento
e o diálogo com o parceiro são fundamentais
na busca da sexualidade.
Nos últimos anos, processaram-se mudanças relevantes
e irreversíveis na vida da mulher. Sabe-se que os avanços
coletivos, como as conquistas para se igualar aos homens no
mercado de trabalho, foram muito mais eficientes que o que
se obteve no âmbito individual. A diferença é
que, quando se trata de sexo, um assunto particularíssimo,
não existe uma postura previsível ou exata.
Tudo depende de cada um. Não interessa muito se sua
mãe pregou o amor livre ou se foi interna em um colégio
de freiras. Dificilmente, nesse departamento, assume-se um
comportamento com base no que se leu ou se viu sobre o assunto.
É por isso que diante de levantamentos minuciosos sobre
o tema é comum deparar com questões aparentemente
ultrapassadas.
De acordo com a pesquisa do Vox Populi, a maioria das mulheres
diz ficar constrangida quando tem de falar sobre suas preferências
com o parceiro, mesmo nos casos de relações
estáveis e duradouras. A principal razão, segundo
disseram, é o temor de parecer vulgar. "Eu sempre tive
vergonha, medo talvez de ouvir a pergunta: 'onde você
aprendeu isso?'.", relata a advogada brasiliense Anita Chamma,
de 29 anos, que freqüentemente falava de sexo com a família.
"Sou ótima teórica. Com os namorados, travo",
diz.
É
verdade que alguns homens encaram o assunto de forma preconceituosa.
"Aquela que experimenta sua sexualidade, que assume seu orgasmo,
ganha a alcunha de fácil e outros adjetivos menos elegantes
criados por homens e pelas próprias mulheres", afirma
a socióloga mineira Agenita Ameno, autora do livro
Crítica à Tolice Feminina. A empresária
paulista Rosana Martin de Souza, de 29 anos, passou pela experiência
algumas vezes. "Já fingi orgasmo muitas vezes. Confessar
isso a um namorado poderia ser interpretado como um fracasso
dele. Eu nunca quis humilhar ninguém", afirma. É
curiosa, se não estarrecedora, a quantidade de mulheres
que adotam postura semelhante. Elas preferem passar por cima
de sua realização sexual a desagradar ao parceiro.
Para o terapeuta paulista Eduardo Ferreira-Santos, do Hospital
das Clínicas, isso ocorre por razões que vão
da carência feminina por um relacionamento estável
ao medo de que, se ele não conseguir agradar-lhe na
cama, irá buscar outra para fazê-lo, colocando
em risco seu casamento ou namoro.
Outro motivo de frustração acontece quando o
homem quer manter uma relação sexual, mas a
mulher não. Diante dessa situação, elas
dificilmente desapontam os companheiros. Na pesquisa do Vox
Populi, as mulheres contam que um eventual "não" da
parceira pode funcionar como uma carta branca à traição.
"Elas supõem que o companheiro vá pensar que
não querem se relacionar porque já se satisfizeram
com algum outro", comenta Carmita Abdo. Em sua pesquisa, dentre
os 3.000 entrevistados, 70% das mulheres não tomam
iniciativa para o sexo e esperam ser abordadas pelo parceiro.
"O que está faltando é mais sexo oral, ou seja,
mais conversa entre os parceiros", diz Carmita.

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TESTE
Você
está satisfeita com sua vida sexual?
Em
comparação ao relato de suas amigas, sua
vida sexual parece uma história da carochinha?
Menos
de 18 pontos –
Morna
Barreiras
sociais ou psicológicas impedem que você
tenha uma vida sexual mais satisfatória. Respeite
seus limites, mas não deixe de viver o sexo de
uma maneira plena e saudável.
Entre
27 e 18 pontos – Quente
Para se satisfazer ainda mais, substitua
a ânsia de chegar ao clímax e aproveite
todos os momentos de um relacionamento, que envolvem
carícias, desejo e excitação.
Entre
30 e 45 pontos – Fervendo
Você está em sintonia com os
sinais sexuais de seu corpo e não os ignora.
Sabe o que a satisfaz. Sexo é uma atividade bem
desfrutada em sua vida.
Fonte: ivillage.com
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