Carta ao leitor
Pesquisa: O que pensa e o que quer a brasileira
  Dos 20 aos 60 anos: Os desafios que envolvem beleza, amor e carreira em cada fase da vida da mulher
  Cinema: As questões femininas na tela
  Beleza: A obsessão feminina pela aparência
Teste: O que você acha de sua aparência?
Gastronomia: Por que cozinhar virou hobby
Luxo: Sete famosas listam seus objetos de desejo
  Sexo: Por que elas continuam fingindo
Teste: Você está satisfeita com sua vida sexual?
Solteiras: Elas dizem estar vivendo muito bem sozinhas
Ídolos: Marília Gabriela e Adriane Galisteu são referências para as brasileiras
Pesquisa: O que as estatísticas revelam sobre os hábitos da brasileira típica
  Roupa: O modelo ideal para cada tipo de corpo
  Maternidade: Por que as mães se sentem sempre culpadas
Relacionamento: Dicas para se dar bem com sua sogra, sua nora ou a ex do seu marido
Babás (exclusivo on-line): É preciso administrar a relação com a babá de seu filho. Sem ela, é difícil ter paz no trabalho
  Dinheiro: Elas querem que os parceiros paguem as contas
Rotina: O que dizem os maridos de mulheres muito bem-sucedidas
Vida a dois: Por que eles não fazem a dupla jornada
  Carreira: A maioria delas detesta ter chefe mulher
Vida profissional: É possível conciliar trabalho e filhos?
Teste: Chefe, fiquei grávida
  Guia: O A a Z da saúde da mulher
  William Bonner e Fátima Bernardes
 
 
   
 

A vida sexual das mulheres

Os desafios da nova geração que ainda
está longe de se satisfazer na cama


Alexandra Gonzales


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Da internet
Grupo de orientação de descasados

Durante muito tempo atribuiu-se à educação rígida e aos severos padrões de comportamento a insatisfação das mulheres com sua vida sexual. Pensava-se que, por serem reprimidas, fingiam orgasmo e tinham dificuldade em atingir o prazer na cama. Pois essa idéia não se sustenta mais. A novíssima geração de mulheres foi criada viajando com os namorados, dormindo na casa deles, conversando com os pais sobre o uso de preservativos e gravidez. E, mesmo assim, elas engrossam as estatísticas sobre a dificuldade de se satisfazer debaixo dos lençóis. De acordo com uma pesquisa do Instituto Vox Populi feita a pedido de VEJA, a maioria das jovens solteiras e casadas já fingiu prazer para agradar a seu parceiro. E mais: grande parte das mulheres delega o controle sobre sua vida sexual ao homem. É ele quem escolhe a hora, o local, a freqüência e mesmo a duração da relação sexual.

Antonio Milena

A empresária Rosana Souza: medo de magoar os namorados


É curioso notar que não se trata de um fenômeno nacional. Levantamentos produzidos na Holanda e nos Estados Unidos – líderes mundiais em estudar o assunto – mostram que 40% das mulheres estão muito insatisfeitas com sua vida sexual. Diante dos dados, indaga-se: afinal, o que impede a mulher de chegar ao prazer? "Em geral, ela própria", afirma a psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, autora da maior pesquisa sobre sexualidade já feita no país. "Até hoje, ela não procura saber o que lhe dá satisfação, não se expõe, não procura entender o que se passa com ela. Ser informada só na teoria é a mesma coisa que nada", diz.

A pesquisa de Carmita Abdo revelou que menos de 10% das jovens sentem prazer no início da vida sexual. A razão é que a maioria, ao contrário dos meninos, ignora os meandros sobre como chegar lá. "É comum ver famílias conversando sobre o uso de preservativos na hora do jantar, mas vai ser difícil achar algum pai ou mãe com coragem para debater a importância das preliminares. Sexo ainda é um supertabu", afirma o psicanalista paulista Ronaldo Pamplona da Costa. Em geral, as fontes de informação continuam sendo os livros especializados em tirar dúvidas sobre sexo e as amigas. Os especialistas dizem que os livros ajudam muito, mas o autoconhecimento e o diálogo com o parceiro são fundamentais na busca da sexualidade.

Nos últimos anos, processaram-se mudanças relevantes e irreversíveis na vida da mulher. Sabe-se que os avanços coletivos, como as conquistas para se igualar aos homens no mercado de trabalho, foram muito mais eficientes que o que se obteve no âmbito individual. A diferença é que, quando se trata de sexo, um assunto particularíssimo, não existe uma postura previsível ou exata. Tudo depende de cada um. Não interessa muito se sua mãe pregou o amor livre ou se foi interna em um colégio de freiras. Dificilmente, nesse departamento, assume-se um comportamento com base no que se leu ou se viu sobre o assunto. É por isso que diante de levantamentos minuciosos sobre o tema é comum deparar com questões aparentemente ultrapassadas.

De acordo com a pesquisa do Vox Populi, a maioria das mulheres diz ficar constrangida quando tem de falar sobre suas preferências com o parceiro, mesmo nos casos de relações estáveis e duradouras. A principal razão, segundo disseram, é o temor de parecer vulgar. "Eu sempre tive vergonha, medo talvez de ouvir a pergunta: 'onde você aprendeu isso?'.", relata a advogada brasiliense Anita Chamma, de 29 anos, que freqüentemente falava de sexo com a família. "Sou ótima teórica. Com os namorados, travo", diz.

É verdade que alguns homens encaram o assunto de forma preconceituosa. "Aquela que experimenta sua sexualidade, que assume seu orgasmo, ganha a alcunha de fácil e outros adjetivos menos elegantes criados por homens e pelas próprias mulheres", afirma a socióloga mineira Agenita Ameno, autora do livro Crítica à Tolice Feminina. A empresária paulista Rosana Martin de Souza, de 29 anos, passou pela experiência algumas vezes. "Já fingi orgasmo muitas vezes. Confessar isso a um namorado poderia ser interpretado como um fracasso dele. Eu nunca quis humilhar ninguém", afirma. É curiosa, se não estarrecedora, a quantidade de mulheres que adotam postura semelhante. Elas preferem passar por cima de sua realização sexual a desagradar ao parceiro. Para o terapeuta paulista Eduardo Ferreira-Santos, do Hospital das Clínicas, isso ocorre por razões que vão da carência feminina por um relacionamento estável ao medo de que, se ele não conseguir agradar-lhe na cama, irá buscar outra para fazê-lo, colocando em risco seu casamento ou namoro.

Outro motivo de frustração acontece quando o homem quer manter uma relação sexual, mas a mulher não. Diante dessa situação, elas dificilmente desapontam os companheiros. Na pesquisa do Vox Populi, as mulheres contam que um eventual "não" da parceira pode funcionar como uma carta branca à traição. "Elas supõem que o companheiro vá pensar que não querem se relacionar porque já se satisfizeram com algum outro", comenta Carmita Abdo. Em sua pesquisa, dentre os 3.000 entrevistados, 70% das mulheres não tomam iniciativa para o sexo e esperam ser abordadas pelo parceiro. "O que está faltando é mais sexo oral, ou seja, mais conversa entre os parceiros", diz Carmita.


Veja também
Trecho dos livros
Relatório Hite
Kama Sutra
A Verdade sobre o Clitóris


TESTE
Você está satisfeita com sua vida sexual?

Em comparação ao relato de suas amigas, sua vida sexual parece uma história da carochinha?

1. Para você, o sexo começa quando:
a) é precedido de brincadeiras, beijos e carícias
b) ocorre a penetração
c) sente a primeira pontada de desejo

2. Fingir orgasmo é:
a) dispensável para mim, eu sempre chego ao clímax
b) o último recurso quando ele realmente não vai acontecer
c) uma prática comum em minhas atividades sexuais

3. Falar sobre sexo com o parceiro é:
a) saudável e ajuda a melhorar o relacionamento sexual
b) assustador. Desejaria ter coragem para fazê-lo com mais freqüência
c) fora de questão, esse tipo de coisa não deve ser discutida

4. Masturbação:
a) é algo ultrajante
b) às vezes você gosta e se sente confortável fazendo
c) tentou algumas vezes, mas não se sente confortável

5. Qual das alternativas abaixo combina mais com você?
a) Alugar um filme erótico
b) Fantasiar durante o sexo
c) Sexo com as luzes apagadas

6. Qual frase é a mais verdadeira para você:
a) Evito sexo, pois me dá mais trabalho que prazer
b) Não me imagino sem fazer sexo por muito tempo
c) Eu não me importo de abdicar do prazer para manter meu relacionamento

7. Antes de atingir o orgasmo, qual seu pensamento mais freqüente?
a) Chegar logo ao orgasmo
b) Que, apesar de tudo, você não irá conseguir atingir o clímax
c) Fazer com que aquele sentimento de prazer dure ao máximo

8. O que você faria para tentar incrementar seu relacionamento?
a) Escreveria uma carta de amor a meu parceiro
b) Não sei o que poderia melhorar nossa vida sexual
c) Gostaria de assistir a um vídeo erótico durante o ato sexual

9. O que te deixaria mais excitada?
a) Observar o parceiro nu
b) O parceiro dizer "eu te amo"
c) Um banho de banheira

Pontuação:

Menos de 18 pontos Morna
Barreiras sociais ou psicológicas impedem que você tenha uma vida sexual mais satisfatória. Respeite seus limites, mas não deixe de viver o sexo de uma maneira plena e saudável.

Entre 27 e 18 pontos – Quente
Para se satisfazer ainda mais, substitua a ânsia de chegar ao clímax e aproveite todos os momentos de um relacionamento, que envolvem carícias, desejo e excitação.

Entre 30 e 45 pontos – Fervendo
Você está em sintonia com os sinais sexuais de seu corpo e não os ignora. Sabe o que a satisfaz. Sexo é uma atividade bem desfrutada em sua vida.

Fonte: ivillage.com