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Conquistas
coletivas,
vitórias individuais
A
luta das mulheres por conquistas individuais é mais
árdua do que a batalha por avanços no campo social
Bruno Veiga
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Ana Araujo
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retrato das estrelas e Daniela Pinheiro: sessão de fotos
durou catorze horas |
Durante
um bom tempo, as mulheres contabilizaram pelo menos uma transformação
significativa no campo social por geração. No
fim do século XIX, chegaram à universidade.
Na década de 30, passaram a votar. E, por ocasião
da II Guerra Mundial, começaram a trabalhar. São
conquistas irreversíveis, porém coletivas. A
partir dos anos 60, as mulheres se envolveram numa batalha
de outra grandeza, no campo do autoconhecimento. Essa luta,
que está longe de terminar, é individual, pois
é disputada em cada lar, em cada família. Com
a ajuda da pílula anticoncepcional e do aborto, praticado
legal ou livremente em diversos países, as mulheres
chocaram o mundo machista com o amor livre e com a desconfortável
(para eles) busca do prazer. O resultado parcial é
a maior revolução de costumes de que se tem
notícia.
Nesta edição especial de VEJA, você vai
ter a oportunidade de conferir o grau de avanço das
mulheres em várias áreas: na carreira, no namoro,
no casamento e no campo sexual. Para mergulhar nesse universo,
VEJA destacou uma equipe de onze repórteres, chefiados
pela editora Daniela Pinheiro. O grupo trabalhou durante quatro
meses e entrevistou mais de 100 pessoas. Foram ouvidos artistas,
empresárias, cientistas, especialistas em saúde
e psicologia. Para escapar do risco de preparar uma revista
apenas teórica, longe da realidade das pessoas, VEJA
encomendou uma pesquisa qualitativa ao Instituto Vox Populi.
Em
alguns momentos, o projeto demandou maratonas de trabalho
exaustivas, como a confecção do belo retrato
com as cinco estrelas que, de certa forma, resumem os desafios
das mulheres na faixa dos 20 aos 60 anos. Produzi-lo consumiu
catorze horas dos preparativos à execução
final. O resultado do esforço é um conjunto
de reportagens que retrata as transformações
pelas quais passaram a mulher. Percebe-se que, diferentemente
dos avanços coletivos, as conquistas individuais andam
devagar. Um exemplo é o debate em torno do orgasmo,
surgido na pesquisa Vox Populi. Mesmo com todas as mudanças
registradas no papel da mulher, mesmo que nunca se tenha discutido
sexo tão abertamente quanto nos dias de hoje, elas
confidenciaram que ainda fingem prazer apenas para agradar
aos homens. Como nos tempos da vovó.
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