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Nova
mulher,
velhas questões
Pesquisa
revela que a maternidade, o casamento e
os cuidados com a aparência estão entre as maiores
preocupações da brasileira

Daniela Pinheiro
Claudio Rossi
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| Salão
em São Paulo: elas fazem de tudo para aprimorar a estampa
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Ela
quer ser mais atraente, deseja um homem que abra a porta do
carro e pague a conta do restaurante e faz o que pode para
ser boa mãe e "esposa". Dá para acreditar
que essas preocupações integram a lista de desafios
da mulher moderna? Calma, feministas! As mulheres não
decidiram voltar a ser o sexo frágil de uma hora para
outra. Não ocorreu uma revolução às
avessas ou coisa parecida. Elas contabilizam incríveis
conquistas no campo social - e se orgulham disso. Chegaram
ao topo das grandes empresas, aos postos de comando da administração
pública e às cadeiras importantes das universidades.
Não se pode mais falar na existência de guetos
masculinos. Foram todos estourados. Também ocorreram
avanços significativos no campo político. A
mulher conquistou a licença-maternidade, o direito
ao aborto em alguns países e leis sérias contra
o assédio sexual. Agora, existe um limite claro entre
a paquera e aquilo que ultrapassa o aceitável no relacionamento
entre chefe e subordinada. Todos esses avanços foram
obtidos graças a uma atuação sem precedentes
dos lobbies feministas.
O que acontece é que as grandes transformações
ocorreram no campo político e social. Mas e no campo
dos temas de natureza pessoal, que independem de projetos
de lei no Congresso Nacional ou de passeatas? Pode-se falar
em grandes mudanças? As mulheres estão discutindo
nos debates da TV o direito a não fingir orgasmo? Tem
havido mobilização nas ruas pedindo mais sexo
e carinho? É justamente aí, em discussões
de cunho individual, que a mulher moderna trava o debate do
momento. Embora os assuntos ligados à vida afetiva
sejam tratados atualmente com um grau de transparência
muito maior que no passado, as mulheres não chegam
à fase adulta com um manual sobre como agir. Precisam
encontrar as próprias respostas.
De acordo com uma pesquisa qualitativa encomendada por VEJA
ao Instituto Vox Populi, a nova mulher quer relacionamentos
estáveis, segurança financeira e reconhecimento
profissional. De acordo com a sondagem, a brasileira dedica
muita atenção à ascensão profissional,
mas temas como maternidade, casamento e sexo são questões
centrais em sua vida. A pesquisa foi realizada com grupos
de mulheres entre 20 e 45 anos, casadas e solteiras, de variadas
classes sociais, de modo a compor uma amostra significativa
do público feminino no país.
Segundo o estudo do Vox Populi, a mulher está dividida
entre valores modernos e tradicionais. De um lado, ela ficou
mais rigorosa na escolha do parceiro e prefere a solidão
a uma má companhia. Isso é novo. Só que,
ao mesmo tempo que rejeita com veemência a idéia
de submissão feminina, mostra a pesquisa do Vox Populi,
ela cultiva valores e práticas repelidas pela geração
que queimou os sutiãs e culpou os homens por tudo o
que a incomodava na relação com o macho da espécie.
Tome-se o caso da velha discussão sobre quem deveria
pagar a conta do restaurante. Até pouco tempo atrás,
vê-lo assinar o cheque seria um momento de humilhação.
Agora, de acordo com a pesquisa, as mulheres acham razoável
que o homem arque com a despesa - mesmo que o saldo bancário
dela esteja no azul.
O ponto forte da pesquisa é o que trata da aparência,
pois mostra que as mulheres decidiram admitir que se sentem
bem quando os outros (homens e mulheres) passam a elogiá-las
segundo atributos físicos. Na pesquisa, beleza é
um valor tão sólido quanto caráter. "Um
dos grandes desafios da mulher atual é ser reconhecida
como competente e inteligente, mas também feminina
e atraente. É uma situação nova, pois
por muito tempo se atribuiu às bonitas certa futilidade
e às descuidadas, uma mente privilegiada", afirma
a psicóloga Magdalena Ramos, da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo. É dessa nova mulher,
mais segura na vida profissional e repleta de dúvidas
no campo sentimental, que trata esta edição
especial. Uma boa leitura!
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