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60
ANOS
Beleza = suor + bisturi
Sessentona
e com um corpaço de parar o trânsito,
Ligia Azevedo ensina como atingir a excelência
na maturidade
Foto Bruno Veiga
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Ligia
Azevedo, 61 anos, empresária
Roupa: Maison Saad |
Dá para acreditar que, em três anos e meio,
a empresária carioca Ligia Azevedo vai ter direito
a meia-entrada no cinema, desconto em farmácia,
passe livre em ônibus e metrô e prioridade
em fila de bancos? É verdade. Aos 61 anos, ela
está a um passo de se tornar o que o senso comum
considera uma anciã. É evidente que a
palavra só se encaixa ao perfil de Ligia no que
diz respeito aos benefícios burocráticos
próprios de sua idade. Seu modo de vida, seus
projetos e, sobretudo, seu corpo são de alguém
muito mais jovem. "Adoro quando perguntam quantos anos
tenho. É muito engraçado ver a cara de
espanto. É a minha grande vaidade", diz. Pode-se
dizer que Ligia reinventou o que é a mulher na
terceira idade. Poucas de sua geração
conseguiram chegar tão bem à fase madura.
Ela é a prova acabada do que a combinação
entre dedicação e uma natureza generosa
pode fazer por uma mulher. Sim, porque não se
deve achar que é tudo obra do divino. O corpaço
de valquíria foi conseguido com muito regime
e malhação. E, claro, alguns dólares
para o doutor Ivo Pitanguy.
A diferença é que Ligia soube fazer o
certo na hora exata, e com comedimento. Muitas mulheres
de 60 anos sofrem de um mal batizado de "síndrome
da muita": muita maquiagem, muita plástica,
muita tintura no cabelo. Ela, ao contrário,
adotou um estilo equilibrado. Fez plásticas.
Nos últimos vinte anos, foram cinco no rosto.
Mas nenhuma muito radical. "Meu amigo Pitanguy sempre
diz que o melhor é fazer pequenos retoques ao
longo da vida do que uma grande plástica de uma
vez", explica. Segundo seu relato, o macete ensinado
por Pitanguy é passar pela primeira intervenção
cirúrgica aos 40 anos para corrigir as pálpebras
e tirar as bolsas debaixo dos olhos. Cinco anos depois,
é hora da correção da linha do
queixo e do pescoço. Aos 50 anos, é preciso
dar aquela puxadinha para esticar o rosto. Aos 58 retoque
geral, inclusive nas regiões já operadas.
Mesmo com o corpo malhado, Ligia levantou os seios e
fez uma lipo para acentuar o contorno da cintura. "Em
dois anos, vou ver o que fazer", conta.
Ela, que nos anos 80 encarnou a Jane Fonda brasileira,
a rainha da ginástica aeróbica no país,
fez do cuidado com o corpo uma religião. Há
dezoito anos, Ligia Azevedo é uma das mais bem-sucedidas
empresárias da área de beleza no Brasil.
O spa Ligia Azevedo, em Búzios, um dos precursores
no país, já afinou a silhueta de mais
de 8.000 pessoas. Nos últimos
anos, o sucesso a obrigou a abrir duas filiais, uma
em Foz do Iguaçu e outra em Santo André,
na Bahia. E não é só. Seus domínios
já se estenderam a academias de ginástica
(já teve quatro), mas agora investe em uma clínica
de rejuvenescimento, vídeos de ginástica
facial e livros de receitas light. Enquanto a maioria
das mulheres pega elevador para subir um andar, até
os 45 anos Ligia fez oito horas de aeróbica por
dia. A maratona lhe permitiu usar minissaias mesmo aos
50. Mas também deixou marcas incômodas,
como uma crônica dor nas costas, que a acompanha
há anos. "Arrebentei minha coluna. Agora faço
antiginástica para colocar vértebra por
vértebra, músculo por músculo,
no lugar."
Um dos sinais da chegada da maturidade foi desistir
de casamentos. "Para mim, chega. Finalmente, sou dona
de mim", diz. Com um currículo de três
uniões (uma delas com um homem dezoito anos mais
moço), ela passou a seguir uma tendência
adolescente. Não namora mais, "fica". "Eu não
quero nada sério. Mas, para mim, ficar pode ser
só encontrar para bater papo e ter um namorico,
sem ir para a cama", conta. Foi mais ou menos assim
o que se passou entre ela e o senador petista Eduardo
Suplicy, com quem foi flagrada há alguns meses
em um jantarzinho romântico. "Conversamos muito
e só. Nunca mais nos vimos", diz. Segundo ela,
a grande dificuldade de se relacionar com mais intimidade
em sua idade é a resistência dos homens
mais velhos em usar preservativo. "Sou a rainha da camisinha.
Ando com ela na bolsa. Mas tente fazer um homem de 60
anos usar. Não tem jeito. Os de 47, 48 anos relutam,
mas acabam concordando." Depois dos 60, ela diz, também
ficou mais difícil encontrar homens solteiros
e interessantes. "Se até os 55 anos eu tinha
um namorado a cada três meses, agora é
um a cada oito", afirma. Foi no começo do ano
que Ligia acredita ter se dado conta de que realmente
estava na terceira idade. "Só agora vou ser avó",
diz. Sua única filha, Andréa, de 38 anos,
vai dar à luz em dezembro. "Agradeço a
Deus por não ter sido antes. Ia ser uma confusão
na minha cabeça", observa.
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