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A
volta ao lar
Abandonar
uma carreira profissional para
cuidar
só da família em casa pode ser
um retrocesso,
mas é um caminho que
muitas mulheres estão
tomando por
necessidade ou opção
O
movimento pela libertação da mulher, ou pela
igualdade entre os sexos, criou uma esquisitice. Passou-se
a considerar que para ser gente de verdade, respeitada por
seus pares, a mulher tinha de trabalhar e investir em sua
carreira. As que preferiam permanecer em casa, cuidando da
família, eram menosprezadas. Muitas passaram a se sentir
culpadas, por não dar atenção devida
aos filhos ou por não conseguir se dedicar ao trabalho
como gostariam. "Hoje se sabe que a mulher pode muito bem
trabalhar e cuidar da família sem se sentir culpada
por coisa alguma. Sabe-se também que ela pode se
manter atualizada e jovial mesmo sem trabalhar fora de casa.
As que optam pela dedicação total à família
não perdem o brilho social necessariamente", diz Maria
Rita Lemos, psicóloga clínica que se dedica
ao estudo de famílias.
Não deve espantar ninguém o fato de não
existir estatística sobre mulheres que deixaram a profissão
para se dedicar ao lar. Sabe-se que elas não são
muitas. Mas a impressão de psicólogos especialistas
em família é que o número vem aumentando.
"Há mulheres que não gostam de se sentir dependentes
financeiramente. Outras convivem bem com isso. Estas estão
mais à vontade para escolher o que fazer da vida, como
se sentirão mais felizes", explica a psicóloga
Magdalena Ramos, da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo, co-autora do livro
E
Agora, o que Fazer? A Difícil Arte de Criar os Filhos
(leia
trechos).
Para mulheres cujo trabalho é pouco instigante, burocrático
e mal remunerado, a opção não é
assim tão complicada. Para outras, é uma revolução.
Maria Beatriz Raposo tem 33 anos e duas filhas: uma com 2
anos e meio e a outra recém-nascida. Seu marido é
administrador de empresas e trabalha num banco. Ela, também
administradora de empresas, era diretora financeira e auditora
e recebia um salário de cerca de 4 000 reais três
anos atrás. Então desistiu do escritório
e resolveu dedicar-se ao lar. "Minha prioridade sempre foi
a família. Nunca a profissão. Quando engravidei,
não tive dúvida: larguei tudo." Problemas, é
claro, existem. Agora que Beatriz fica o dia inteiro em casa,
tudo tem de estar sempre perfeito: a comida, a roupa, a limpeza.
"De vez em quando tenho de engolir alguns sapos, mas não
me arrependo da decisão que tomei", diz.
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Por
fora do mundo
Claudio Rossi
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Andrea
e a família: o filho já não
chora quando ela sai de casa

Ouça depoimento
de Andrea |
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Andrea
De Callis é formada em marketing e tem pós-graduação
em administração de empresas pela Fundação
Getúlio Vargas, uma das mais conceituadas do
país. Por dez anos trabalhou na montadora de
automóveis Ford. Organizava os eventos promocionais
da empresa e ocupava cargo de executiva. Permanecia
no batente mais de doze horas por dia, e seu marido,
que é médico, ficava mais tempo em casa
que ela. Quando abandonou o emprego, há mais
de um ano, ganhava 4 000 reais por mês. Hoje,
aos 34 anos de idade, com um filho de 4, diz que está
feliz com a decisão que tomou. "Vivia atormentada
e sob pressão. Meu filho chorava sempre que eu
saía de casa, e eu me sentia culpada por não
ficar a seu lado", explica. Prejuízos que ela
percebe que sofreu: sua família tem menos dinheiro
para gastar em viagens e passeios, ela perdeu a independência
financeira e já não sabe direito o que
ocorre pelo mundo. "Estou meio desinformada", observa.
E as vantagens: o relacionamento familiar melhorou,
o filho parece estar mais tranqüilo e seguro e,
com mais tempo, a casa é administrada com maior
eficiência.
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Dona-de-casa
e
poetisa
Antonio Milena
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| Adriana
e sua família: sem remorso |
A paulista Adriana Costa Camillo Palandi, de 38 anos
de idade, era bancária na época em que
se casou, aos 23 anos. Seu marido, professor universitário,
sempre ganhou mais que ela. Não havia problema
quanto a isso, mas quando Adriana engravidou, dois anos
após o casamento, a opção pela
família foi fácil. Ela não teve
dúvida: largou tudo para cuidar da casa. "Eu
me sentia mal só de pensar em deixar minha filha
com estranhos", lembra-se. "Hoje faço cursos,
escrevo poesias e cuido da casa. Não penso em
voltar a trabalhar. Gosto de ser dona-de-casa", confessa.
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