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O amor
e a felicidade
eternos são possíveis

Tania
Menai, da Califórnia
O
psicólogo americano Connell Cowan, 62 anos, é
dono de uma clínica em Beverly Hills, na Califórnia,
cujo divã acolhe diversas celebridades de Hollywood.
É co-autor do best-seller mundial
Mulheres
Inteligentes, Escolhas Insensatas (leia
trechos). Traduzido para 26 idiomas, incluindo
o português, o livro derruba o mito de que homens gostam
de mulheres submissas, explica como os homens reagem às
mulheres poderosas e ainda de quebra ensina como elas devem
agir para se envolver em relações saudáveis.
Escreveu outros livros que tratam da mesma questão
sob ângulos diferentes. Um deles aplica a filosofia
do estrategista de guerra chinês Sun Tzu ao relacionamento
amoroso. Divorciado duas vezes, pai de dois filhos, Cowan
vive há quinze anos com a atriz americana Susan Sullivan,
de 58 anos. É um defensor ardoroso da felicidade a
dois. De sua clínica, ele conversou com VEJA:
Veja
Existe um parceiro ideal inato, uma alma gêmea
que precisa ser encontrada para trazer felicidade?
Cowan
Em
primeiro lugar, ser um bom parceiro é saber desmistificar
o que é romantismo. O romantismo mostrado no cinema
e na TV é bastante diferente da intimidade do dia-a-dia.
Depois, a melhor qualidade de um parceiro é a aceitação
do outro. É esta a qualidade que constrói a
confiança, o conforto e a sensação de
segurança. Outro aspecto importante é que a
pessoa saiba responsabilizar-se pela própria satisfação
de vida. Não devemos esperar que uma união nos
proporcione isso. O problema é que as pessoas acreditam
que relacionamentos foram feitos para consertar algo errado
em sua vida. Felicidade, realização, equilíbrio
são metas que se alcançam individualmente.
Veja
Por que tantos casamentos terminam em divórcio
e cada vez mais rapidamente?
Cowan
Uma das grandes causas é a falsa expectativa. As pessoas
se casam com expectativas que não podem ser preenchidas,
então acabam desiludidas e desapontadas. Os casados
despejam a culpa de seus problemas no casamento. Freqüentemente
os separados acabam afundados nos mesmos problemas que tinham
quando eram casados.
Veja Por que mulheres inteligentes fazem escolhas
tolas no campo afetivo?
Cowan Existem
milhares de razões. Às vezes elas são
atraídas pelo desafio de conquistar homens que não
se comprometem facilmente. Esse sentimento é de ânsia,
não de amor. Esse tipo de relacionamento amarra as
mulheres a relações estranhas e vazias. Fiquei
bastante impressionado com a vida de várias de minhas
clientes. Todas eram inteligentes, bonitas, moravam bem e
tinham belas carreiras. Moldaram sua vida de uma forma na
qual tudo dava certo, exceto o relacionamento com homens.
Era um paradoxo. Por que elas não eram capazes de usar
sua inteligência nos relacionamentos amorosos? Isso
me intrigou.
Veja Seu livro foi best-seller em diferentes
países, inclusive naqueles onde as mulheres são
oficialmente consideradas inferiores aos homens. Como o senhor
explica esse sucesso?
Cowan
Fiquei chocado ao saber que meu livro foi publicado na China,
na Hungria, no Japão, em Israel e até na Bósnia.
Pensei: "O que essas mulheres estão fazendo, lendo
esse livro em plena guerra?". Aprendi que elas desejam entender
suas relações com os homens de maneira mais
profunda, além de compreender melhor os próprios
homens e algumas das razões que levam a erros. Esse
tema transborda culturas. Certa vez, recebi uma mulher japonesa
em meu consultório mas quem marcou a consulta
foi o marido. Eles vieram do Japão e passamos uma tarde
juntos. O marido participou da sessão como tradutor.
Horas depois, percebi que ela entendia tudo o que eu falava
e era capaz de responder em inglês. A partir daí,
passei a me dirigir diretamente a ela, o que tornou a conversa
bem mais interessante. Esse caso me chamou a atenção,
pois, apesar de o marido controlar a situação,
essa mulher é uma grande executiva, dona de uma cadeia
de joalherias no Japão. Inclusive, nesse país,
meu livro foi adaptado para o teatro cabúqui, com produção
de Nova York no estilo da Broadway.
Foto Pedro Rubens
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Veja
Há poucos meses, um jovem professor judeu
americano, de Denver, colocou uma foto de si mesmo num jornal
israelense. Nela, ele segurava um cartaz escrito a mão
em hebraico onde se lia: "Procuro uma mulher para casar e
ter filhos". Seis mil mulheres responderam. Será que
homens assim são tão raros que a proporção
chegue a 6 000 para uma?
Cowan
Seis
mil? Isso é impressionante. Deve ter sido a menção
a filhos. Normalmente, anúncios pessoais na internet
ou em revistas têm um tom bastante egoísta. Os
que me dão raiva são aqueles que dizem "Estou
na faixa dos 50, procuro uma mulher branca, entre 22 e 28
anos", em vez de "Quero me casar e construir uma família".
Isso é muito mais atraente para as mulheres.
Veja
Quais são as principais reclamações
que o senhor escuta de suas pacientes quando elas falam sobre
homens?
Cowan
Reclamam
de homens que não assumem um papel ativo na criação
dos filhos e na tomada de decisões. Outras se queixam
de que não têm tempo para si mesmas. É
mais fácil para os homens ficar sozinhos de vez em
quando. As mulheres precisam de privacidade tanto quanto os
homens, mas não têm sossego. Outras mulheres
reclamam de não ser ouvidas. Nem sempre elas querem
que o homem resolva seus problemas, querem apenas que as escute.
Veja
O senhor diz que, em relacionamentos, os homens
têm prioridades diferentes. Quais são elas?
Cowan
Existe uma gama de prioridades, muitas delas bem estranhas,
mas vou falar das relações saudáveis.
Os homens procuram mulheres que os alimentem emocionalmente
e que os aceitem. Geralmente, eles não buscam mulheres
que cuidem deles financeiramente. As mulheres ainda buscam
homens que elas julguem capazes de ser bem-sucedidos, protetores,
poderosos. O poder é um grande atrativo, pois é
uma idéia que remete à segurança. Essa
é a prioridade das mulheres. Já os homens não
procuram, necessariamente, mulheres poderosas. Não
que elas não sejam atraentes, mas o poder não
é o suficiente elas devem ter algo mais. O poder
puro e simples seria um pouco amedrontador para um homem.
De alguma forma, os homens podem sentir-se intimidados por
uma mulher poderosa.
Veja Que tipo de homem se intimida com mulheres
fortes?
Cowan
Acredito que sejam os homens fracos. Apenas homens inseguros
se sentem ameaçados por mulheres com algum poder, porque
eles se vêem inferiores diante delas, em vez de celebrar
o sucesso das parceiras. Esse sucesso ameaça sua autoconfiança
e seu próprio sucesso. Já os homens fortes gostam
de mulheres fortes. Um homem forte não vê problemas
em celebrar o sucesso, a força e as realizações
de sua mulher. Por isso é importante que mulheres fortes
busquem homens fortes.
Veja Então mulheres mais femininas, delicadas
e com menos iniciativa não necessariamente atraem mais
os homens...
Cowan
Exato.
Um homem inseguro provavelmente vai sentir-se mais atraído
por uma mulher que ele possa controlar, que seja condescendente,
que não alcance algo na vida maior ou mais importante
que ele. Assim ele se sentirá mais confortável.
Mas um homem seguro, eficiente e bem-sucedido pode sentir-se
atraído por uma mulher tão ou até mais
bem-sucedida que ele no mundo do trabalho
Veja Por exemplo...
Cowan
Tive um casal de pacientes em que a mulher tinha um diploma
de mestrado em administração de empresas pela
Universidade Harvard e o marido era um advogado. Ela era apaixonada
pela carreira. Já ele, que trabalhava numa empresa
de entretenimento, não morria de amores pelo emprego
então pediu demissão para ficar em casa
cuidando dos dois filhos. Ela está no mundo, sendo
promovida e trazendo dinheiro para casa, enquanto ele está
se transformando no "Senhor Mamãe". Trata-se de um
homem extremamente inteligente, capaz, forte e que não
se sente ameaçado pelo sucesso de sua mulher. Ele adora
o fato de ela ser promovida, pois isso significa mais dinheiro
e uma vida mais confortável. As mulheres sempre foram
capazes de gerar renda suficiente para sustentar uma família.
Agora podem fazer isso com classe.
Veja
Depois de movimentos feministas e conquistas no
mercado de trabalho, as mulheres mudaram?
Cowan
Elas mudaram em alguns aspectos. No campo profissional, vemos
muito mais mulheres médicas, advogadas, por exemplo.
Mas ainda há uma insatisfação. Percebi,
por exemplo, que várias advogadas lidavam com homens
de alto escalão em ambientes em que se trabalha dezesseis
horas por dia, numa atmosfera competitiva, desequilibrada
e exaustiva. Muitas delas perceberam que não queriam
competir ou fazer parte desse ambiente. Hoje está havendo
uma mudança. Há mulheres deixando a carreira
para cuidar das crianças. Isso é um movimento
saudável.
Veja
Como os homens reagiram à invasão
de mulheres no mercado de trabalho e ao fato de receber ordens
de alguém de saias?
Cowan
No
início desse movimento, eles sentiram-se ameaçados.
Inclusive surgiram regulamentações que obrigam
as empresas a ter um número determinado de mulheres
no quadro de funcionários. Mas os homens se acostumaram
a conviver com supervisoras. A idéia hoje é
de confiança os homens aceitam com mais facilidade
o fato de ter uma chefe, se acharem que ela é qualificada
para tal. Eles buscam profissionais mais pela capacidade do
que pelo sexo. E é assim mesmo que deve ser.
Veja Será que nas próximas gerações
ainda veremos casais de idosos caminhando de mãos dadas
pelas ruas ou celebrando suas bodas de ouro?
Cowan Acredito
que sim. Hoje, conheço mais gente envolvida em relações
bem-sucedidas do que em qualquer outra época de minha
vida. Elas se gostam. Acho que essas pessoas serão
esses casais aos quais você está se referindo.
É lindo ver esses velhinhos juntos, não? Transmitem
algo de amor persistente. Ainda acredito nisso. Se formos
realistas, generosos e responsáveis, essas relações
são possíveis.
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