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Ensaio Moda
Era
uma vez no cinema (e ainda é)
Nas
telas mais até que nas ruas das grandes cidades, no cotidiano ,
as transformações femininas das últimas quatro décadas
ganharam sua real dimensão
"Existem dois tipos de mulheres, as lunares e as solares", diz Paulo,
vivido por Paulo José, quase no final de Todas as Mulheres do Mundo. "Maria
Alice era uma mulher solar." A professorinha vivida por Leila Diniz (1945-1972),
ensolarada, virou ícone da liberdade feminina no fim dos anos 1960. O filme,
autobiografia mal disfarçada da conturbada relação do diretor
com a atriz, é o mais bem-acabado retrato da juventude do Rio na infância
da revolução sexual. O casamento clássico, pouco antes de
subirem os letreiros, foi um toque de realidade em um Brasil que, afinal, não
havia mudado tanto assim.
O cinema sempre foi o mais
adequado palco das mudanças de nosso tempo. Por meio dele, sabemos
quem e o que está na moda que cores fazem sucesso, que canções
estão nas paradas, para onde vai o humor da sociedade. Nas telas, assistimos
ao crescimento de importância das mulheres em um mundo predominantemente
masculino.
A convite de VEJA, o fotógrafo Jairo Goldflus
reconstruiu cenas marcantes de quatro filmes que foram produzidos ou lançados
no Brasil em 1967, quando a revista REALIDADE, que inspira esta edição,
foi tirada de circulação. Todas as Mulheres do Mundo, A
Primeira Noite de um Homem e A Bela da Tarde, cada um a seu feitio,
são registros das reviravoltas femininas (e também masculinas, é
natural) na virada dos anos 1960 para os 1970. A releitura dos filmes pode ser
vista como um ensaio de moda do século XXI mas também
como uma delicada inspiração para entender quatro décadas
de história.
Carlos Penfiel
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TODAS AS MULHERES DO MUNDO
Diretor: Domingos de Oliveira
"Existem dois tipos de mulheres, as lunares e as solares", diz Paulo,
vivido por Paulo José, quase no final de Todas as Mulheres do Mundo. "Maria
Alice era uma mulher solar." A professorinha vivida por Leila Diniz (1945-1972),
ensolarada, virou ícone da liberdade feminina no fim dos anos 1960. O filme,
autobiografia mal disfarçada da conturbada relação do diretor
com a atriz, é o mais bem-acabado retrato da juventude do Rio na infância
da revolução sexual. O casamento clássico, pouco antes de
subirem os letreiros, foi um toque de realidade em um Brasil que, afinal, não
havia mudado tanto assim. |
Jairo Goldflus
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AS NOIVAS DE HOJE, COMO ONTEM
Véu,
grinalda e buquê de rosas vermelhas. As mulheres brasileiras ainda gostam
de se casar dessa maneira. E consideram
o rito da igreja atualíssimo.
34,8% foi o porcentual de crescimento dos casamentos de pessoas maiores de 15 anos de
1998 a 2008
7,4% dos casamentos são de homens
divorciados que trocaram alianças com solteiras
4,1% dos casamentos são de mulheres divorciadas que se uniram a solteiros
Fonte:
IBGE/Pnad |
Corbis/Latinstock
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A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM
Diretor: Mike Nichols
As imensas pernas de Anne
Bancroft (a senhora Robinson), sensualmente expostas ao olhar assustado de Dustin
Hoffman (Benjamin Braddock), compõem uma das cenas mais conhecidas do cinema.
A iniciação sexual dos jovens, tema central do filme, era assunto
tabu no fim da década de 60. Hoffman tinha
30 anos nas telas, fez um personagem de 21 ao som da
magnífica trilha sonora de Simon & Garfunkel.
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Jairo Goldflus
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INICIAÇÃO
SEXUAL PRECOCE
O
sexo desponta cada vez mais cedo no Brasil, especialmente nas camadas de
menor poder aquisitivo.
32,6% das mulheres em 2006 disseram
ter tido a primeira relação até os 15 anos; em 1996 foram
apenas 11%. Entre os homens, a idade da iniciação é 14 anos
44,8% é o porcentual de jovens meninas entre 15 e 19 anos que se declararam virgens
em 2006; em 1996 a taxa era de 67,2%
21 anos é
a idade média no nascimento do primeiro filho (dados
de 2006); em 1996 era de 22,4 anos
Fonte: IBGE/Pnad |
London Features
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A BELA DA TARDE
Diretor: Luis Buñuel
Séverine (Catherine Deneuve,
no auge da beleza) é uma mulher do lar casada com um cirurgião
bem-sucedido. Vive um casamento aparentemente tranquilo, mas é profundamente
infeliz. Às tardes busca consolo num bordel. A vida dupla é
o retrato do desconforto feminino em tempo de severas mudanças. A personagem
de Deneuve foi comparada à de Madame Bovary, de Gustave Flaubert, lançado
110 anos antes.
Ambas provocaram polêmica. |
Jairo Goldflus
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A FELICIDADE
QUE NÃO SE SUSTENTA
As
conquistas dos últimos quarenta anos deram às mulheres um status
que nunca tinham alcançado apesar das desvantagens profissionais
ainda evidentes em relação aos homens. A pesquisa Ibope Inteligência/VEJA
revela a felicidade feminina, mas um segundo olhar é suficiente para mostrar que a realidade é outra.
Você se considera
feliz?
Sim 95% Não 5%
Falta
alguma coisa para a plena felicidade?
Sim
58% Não 42%
O que falta?
Casa
própria 18%
Emprego 10%
Concluir
a faculdade 9%
Ter filhos 7%
Viajar 6% |
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