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Casamento e sociedade
Alianças tardias
As
brasileiras se casam mais hoje
que há
quinze anos mas agora tendem a adiar
um
laço que deixou de ser eterno
Guy Rryecart /D.K. /Getty Images
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Casar, tudo bem
mas não agora. Em 1998, revelam as estatísticas do Registro Civil
compiladas pelo IBGE, as mulheres entre 25 e 29 anos que trocavam alianças
representavam 19,4% do total em 2008, passaram a ser 28,4%. Nas faixas
etárias entre 20 e 24 anos e 15 e 19 anos, ocorreu queda no número
de casamentos. Os homens também se casam mais entre 25 e 29 anos
a taxa masculina foi de 29,3% em 1998 e agora está em 32,7%. O que isso
significa? A instituição vai bem, obrigado, mas não custa
nada retardá-la um pouco, especialmente
quando se trata de mulheres.
Os brasileiros gostam mais de casar do que de descasar.
Em 2008, houve 959 901 uniões legais. No mesmo ano, foram 290 963
separações judiciais e divórcios. Há um dado interessante
nessa estatística, a mais recente divulgada pelo IBGE, que ajuda a mostrar
como o divórcio, inexistente em 1967, aprovado apenas em 1977, deixou de
ser tabu. Até 2004, as taxas de crescimento de divórcios e de separações
legais subiam ou desciam em ritmo muito semelhante em 2008, pela primeira
vez, os divórcios se descolaram. Esse fenômeno comprova uma maior
aceitação desse recurso legal e a ampliação do acesso
à Justiça em relação ao tema. Contribuiu também
a possibilidade de realizar divórcios em tabelionatos, sem burocracia.
É um Brasil que não existia no fim dos anos 1960. Em 1967 foram
registrados escassos 5 626 desquites, a figura jurídica de então,
o equivalente a apenas 0,12% da população de 15 anos ou mais. Atualmente,
1,75% da população nessa faixa etária já tirou as
alianças.
Como instituição, tão
vilipendiada, tão criticada, o casamento segue firme embora não
mais até que a morte separe os noivos. Em 2008, a taxa de uniões
atingiu o maior patamar desde 1995, que foi 6,8. A chamada taxa de nupcialidade
legal chegou a 6,7 pontos o número mais alto tinha sido 6,6 pontos, em 1999. A taxa de nupcialidade é obtida pela divisão
do número de casamentos pelo de habitantes acima de 15 anos, multiplicando-se
o resultado por 1 000. Tudo em ordem? Não exatamente. A pesquisa Ibope Inteligência/VEJA revela que 62% das solteiras querem subir
ao altar mas 78% das que já se casaram pelo menos uma vez preferem
ficar sozinhas.
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