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São Paulo
Concreto, gravatas e diversão

André Fontenelle


Adriana Zebrauskas/Sambafoto

Dez anos atrás, quando o tráfego no acanhado aeroporto doméstico de Congonhas, em São Paulo, atingiu 5 milhões de passageiros por ano, acreditava-se que o ponto de saturação tinha sido atingido. Hoje o total é de 15 milhões de passageiros, mais até que o do maior aeroporto paulista, o gigantesco internacional de Guarulhos. Uma série de reformas vem aumentando a capacidade de Congonhas, mas em certos horários o congestionamento é tanto que já mereceu até menção em um discurso presidencial: "O sacrifício para chegar e sair (de lá) é um negócio maluco", disse Lula no mês passado.

O crescimento espantoso do tráfego em Congonhas não se deve a uma súbita descoberta dos encantos paisagísticos da capital paulista – embora eles até existam –, mas, sim, à importância do turismo de negócios. A cidade recebe anualmente 7,5 milhões de visitantes. Três quartos dessas pessoas chegam para trabalhar. São elas que mantêm um índice de 50% de ocupação nos hotéis, que somam 45 000 leitos. "A cidade não pode nem deve se desfazer dessa imagem de centro de negócios", diz Orlando de Souza, presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau, órgão encarregado de atrair eventos para a capital. "Essa é a sua vocação."

A expressão "turismo de negócios" pode parecer um paradoxo, mas não é. Por mais que seja criticada pela poluição e pelo caos, São Paulo tem muito a oferecer a quem está a trabalho e quer se distrair nas horas vagas: tem os melhores restaurantes, teatros e museus do país. O difícil é atrair turistas que venham exclusivamente para lazer. Hoje são 2 milhões, um número excelente para os padrões brasileiros, mas composto em grande parte de paulistas do interior. Promoções recentes para atrair gente de outros estados não decolaram. Mas para negócios, pelo menos, São Paulo continua imbatível.

 

QUANDO IR: entre o réveillon e o Carnaval ou nos fins de semana, quando muitos paulistanos desertam, o trânsito fica civilizado e é possível desfrutar melhor de tudo.

PECHINCHA: o Formule 1, que tem três hotéis próximos à Avenida Paulista, com quartos pequenos, mas confortáveis, e diárias a partir de 63 reais para até três pessoas.

MORDOMIA: a noite de sábado para casal nas suítes do sofisticado Emiliano por 1166 reais, com direito a garrafa de vinho e massagem.

VOCÊ MERECE: uma happy hour nos restaurantes com vista panorâmica, como o Skye, do Hotel Unique, e o tradicional Terraço Itália.

NINGUÉM MERECE: o engarrafamento para chegar ao setor de embarque do Aeroporto de Congonhas.

O QUE TEM DE MELHOR: compras na chique Rua Oscar Freire ou na popular 25 de Março; espetáculos ao estilo Broadway, como O Fantasma da Ópera, no Teatro Abril (do grupo que publica VEJA); a badalação noturna na Vila Madalena; os restaurantes.

NÃO ESQUEÇA: do rodízio, se estiver de carro – não se trata de uma churrascaria, e sim da proibição de circular nos bairros centrais em determinados horários e dias da semana, conforme o último número da placa.

MANCADA: ir a uma partida de futebol vestindo a camisa de um time paulista. Em dias de jogo são comuns os confrontos entre torcidas.

PARA SABER MAIS: (11) 6226-0400 e www.spturis.com.br (São Paulo Turismo); e (11) 3289-7588 e www.spcvb.com.br (Convention Bureau).

 

HOTÉIS RENAISSANCE E HYATT


Alexandre Schneider
Quartos do Renaissance (acima) e do Hyatt: os melhores hotéis para negócios, pelo júri de VEJA
Divulgação

PREÇOS: de 1050 reais a 4046 reais (diária no Renaissance) e de 960 reais a 10000 reais (diária no Grand Hyatt).

INESQUECÍVEL: uma noite de sábado com "aquela" companhia. No Renaissance, com ingressos para a peça em cartaz no teatro do hotel, drinque, jantar e café-da-manhã (616 reais). No Hyatt, com ingressos para o musical O Fantasma da Ópera e direito de usar o spa (780 reais).

VOCÊ MERECE: deitar e rolar nos spas dos dois hotéis. O do Renaissance foi eleito por uma revista especializada o melhor de hotel na América Latina. O do Hyatt oferece tratamentos da marca suíça La Prairie.

ESTRUTURA PARA NEGÓCIOS: espaço para eventos de 3000 metros quadrados, com videowall e telões, no Hyatt, e de 2700 metros quadrados, com catorze salas e anfiteatro para 500 pessoas, no Renaissance. O acesso à internet de banda larga sem fio, oferecido nos dois, é cobrado à parte.

BARES E RESTAURANTES: no Renaissance, ficam o bar Havana Club, que oferece shows de jazz e MPB, e o restaurante Terraço Jardins, com brunch aos domingos. O Hyatt tem três restaurantes, um francês, um japonês e um italiano, além de um bar de bossa nova e jazz, o Upstairs.

RESERVAS: 0800-703-1512 e www.marriott.com.br (Renaissance); 0800-880-1234 e www.hyatt.com.br (Grand Hyatt).