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Fernando de Noronha
Longe e caro, mas paradisíaco

Nahara Bauchwitz

Marcos Piffer /Sambaphoto

Guarita do Forte dos Remédios (acima) e o Morro Dois Irmãos, em Noronha: azul no céu e águas cristalinas

Ana Cÿe/Sambaphoto

As melhores praias e o hotel mais atraente da costa brasileira, garantem os jurados de VEJA O Melhor do Brasil, estão em Fernando de Noronha. Ou seja, o maior paraíso das férias de verão fica longe de tudo e tem preços que selecionam drasticamente quem pode ou não usufruir suas belezas.

Arquipélago de origem vulcânica, Noronha foi descoberto em 1503 pelo navegador Américo Vespúcio. Tem 21 ilhas e rochedos, terra e mar protegidos pelo Ibama e declarados Sítio do Patrimônio Mundial Natural pela Unesco. Por mais de dois séculos esteve quase abandonado. Abrigou fortes e serviu de desterro -- para desordeiros, no século XVIII, e para presos políticos, na primeira metade do século passado. Na II Guerra Mundial, a Marinha americana ergueu ali uma base.

Foi a partir de 1988, após a reintegração do território a Pernambuco, que o fluxo de turistas cresceu e acirrou-se a discussão entre conservacionistas e empresários interessados em explorar o lugar. Os primeiros defendem taxas altas para quem vai lá (hoje são 30,24 reais por dia) e pregam a manutenção de acomodações rústicas, em casas de ilhéus. Pretendem gerar renda para os 3 000 habitantes e manter um volume turístico ecossustentável. O outro grupo sonha com resorts superequipados, à moda do Caribe, e fluxo turístico dez vezes maior do que o atual, em torno de 55 000 pessoas ao ano.

Enquanto se digladiam, ainda bem, as 105 pousadas da ilha procuram evoluir. Uma classificação estabelecida em 2001 (de um a três golfinhos) criou padrões mínimos de funcionamento, mas, hoje, algumas ultrapassam o exigido e oferecem confortos inesperados, como acesso à internet. Antes raros, água quente e ar-condicionado se tornaram comuns. Agora, Noronha tem calçadão para exercícios, um novo píer no porto e aeroporto climatizado. A ampliação do dessalinizador marinho deve acabar, em breve, com a falta de água.

Ainda assim, o turista tem de alugar bugues capengas ou cansar de esperar pelos três ônibus que circulam na ilha. A noite continua um marasmo, apesar de alguns novos restaurantes, e os preços são duas vezes mais altos que os do continente. Construção e ampliação de pousadas estão suspensas. "Aguardamos para 2006 um estudo de capacidade de carga da ilha para fazer um plano de gestão turística", explica o administrador, Edrise Aires. Safaram-se da suspensão alguns empreendimentos luxuosos que já tinham seus projetos aprovados. Um deles é a Pousada Maravilha, eleita pelo júri de VEJA como o melhor entre os hotéis de praia de todo o país (veja texto na pág. 33). Para quem pode pagar, é uma maravilha, mesmo.