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Eles
não vivem sem celular
O
jovem é o grande desbravador dessa
tecnologia.
Mais que um telefone, o aparelho virou um item
definidor de sua personalidade
Pedro Rubens
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Cena
número 1: uma turma de adolescentes reunidos na área
de lazer de um shopping center ou durante o recreio no colégio,
todos falando pelo celular ao mesmo tempo. Cena número 2:
numa casa noturna, garotos e garotas a poucos metros uns dos outros
se azaram por meio de torpedos as mensagens de texto enviadas
pelo telefone. Já faz algum tempo que situações
como essas se tornaram corriqueiras nos grandes centros do país.
Assim como ocorreu no Japão ou nos Estados Unidos, os celulares
viraram itens de consumo essenciais para uma parcela significativa
dos jovens brasileiros. Uma pesquisa do Instituto Ipsos em nove
capitais mostra que a proporção de adolescentes que
possuem o aparelho saltou de 31% em 2002 para 38% no ano passado.
De acordo com o Ibope, os jovens de 16 a 24 anos já representam
um quarto dos usuários de celulares nos onze maiores mercados
do país. Mais que qualquer outro grupo social, são
eles que abraçam a tecnologia com maior entusiasmo. Numa
época em que os celulares deixaram de ser meros telefones
para se tornar engenhocas de caráter multimídia, capazes
de gravar e enviar imagens e até baixar músicas da
internet, os adolescentes assumiram o papel de desbravadores. Enquanto
muitos adultos ficam atônitos com os recursos cada vez mais
avançados dos aparelhos, estima-se que no Brasil os jovens
sejam responsáveis por algo próximo de 90% do uso
de serviços diferenciados, como as mensagens de texto. Mas
não é só isso: a juventude está imersa
numa certa cultura da era do celular. A linguagem cifrada dos torpedos,
repleta de figuras de expressão e abreviaturas, é
parte dela. Há até mesmo um reflexo físico
sobre os jovens: eles desenvolveram uma destreza incrível
para teclar mensagens no telefone em alta velocidade, com uma mão
só.
Nascida e criada em plena explosão do uso do celular, a geração
atual é protagonista de uma revolução de comportamento.
O celular alterou facetas da relação entre jovens
e pais. Com seu advento, esses últimos passaram a ter a possibilidade
de monitorar seus filhos em qualquer horário e lugar. Isso
teve uma contrapartida: como os pais ficaram mais tranqüilos
em relação às saídas de seus rebentos,
os jovens ganharam autonomia. O celular representou também
uma forma de os adolescentes aumentarem sua privacidade. Eles preferem
que os amigos liguem para seu aparelho, e não para o telefone
fixo de casa. As conversas por meio dos torpedos também ajudam
a manter seus assuntos fora da órbita dos adultos. Na escola,
no entanto, os torpedos têm sido utilizados para um fim dos
mais condenáveis: a cola. A coisa ficou tão brava
que os colégios estão proibindo seus alunos de portar
celulares nas aulas.
De acordo com uma pesquisa entre consumidores japoneses, a posse
de um celular atende a um desejo do jovem de estar conectado a alguém
o tempo todo. As operadoras registram o pico de tráfego de
mensagens de texto à noite, quando os adolescentes participam
de salas de bate-papo e azaração que são acessadas
por meio desse serviço. A carioca Camilla Moreira Rebello,
de 15 anos, é uma usuária contumaz. A estudante, que
ganhou seu primeiro celular há quatro anos e desde então
trocou de aparelho seis vezes, hoje tem um cuja tecnologia lhe permitiu
criar uma página pessoal na internet ou seja, ela
mantém um blog pelo celular. Todo o texto e as fotografias
que aparecem no site foram criados e colocados na rede por meio
do aparelho, graças a um serviço oferecido por sua
operadora. "Fico plugada em meu blog e nas salas de bate-papo em
qualquer situação, até quando saio com meus
amigos", diz Camilla, cuja conta telefônica já chegou
a 500 reais em um mês.
No mundo inteiro, os gastos dos jovens com os celulares têm
sido limitados em razão dos preços, já que
boa parte desses consumidores depende de mesada. Tornou-se clássico
o celular "pai-de-santo" aparelho pré-pago que só
recebe chamadas, pois não dispõe de créditos.
Mas a carteira curta não impede que os jovens fiquem ligados
nas últimas novidades e elejam os modelos mais avançados
como objetos de desejo. Para esse público, o celular passou
a representar um acessório definidor da personalidade. Um
indício disso é o comportamento das garotas que consomem
com voracidade capas coloridas, adesivos, chaveiros tudo
que confira ao celular a sua cara. Ambos os sexos também
são seduzidos pelos toques de campainha que se podem baixar
no celular. "A compulsão por esses toques é uma busca
de personalização e se verifica mesmo entre as patricinhas,
a mais padronizada de todas as tribos", diz a psicanalista Diana
Corso.
A venda de trechos de músicas para uso como campainha é
um dos serviços mais populares da telefonia celular. E os
jovens são a força motriz desse mercado. Prova disso
é que o ranking das canções mais procuradas
é dominado por artistas bem cotados entre eles, como Charlie
Brown Jr. e Felipe Dylon. A alta procura são 4 milhões
de acessos a esse tipo de serviço por mês fez
da principal fornecedora de canções para celulares,
a empresa mineira Takanet, uma das maiores pagadoras de direitos
autorais do país. Não é difícil entender
por que isso ocorre: como os modismos juvenis são efêmeros,
as operadoras precisam disponibilizar novas músicas para
seus clientes a toda hora. O adolescente não resiste aos
encantos do celular mas o mercado de celulares também
tem de se curvar a seus caprichos.
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Os
mais procurados
Fotos divulgação
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LG
Access
Um
dos mais procurados pelos adolescentes,
é um telefone leve, com 83 gramas.
Além de disparar torpedos, possui
agenda que comporta 995 números,
conexão rápida com a internet
e identificador de chamada sonoro. O modelo
pré-pago custa de 300 a 400 reais.
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| Nokia
1100
Simples
e de baixo custo, é usado por pré-adolescentes
com mesada curta. O teclado possibilita
discagem rápida de torpedos. Envia
cartões virtuais e vem com joguinhos.
O preço do pré-pago é
de 200 reais.
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Siemens
A50
É
um celular básico, mas com boa relação
custo-benefício. Tem um teclado em
que é fácil digitar torpedos
e oferece uma série de capas decorativas.
Pode-se baixar melodias e roteções
de tela da internet e adicionar sons e figuras
às mensagens. O pré-pago custa
220 reais.
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Os
objetos de desejo
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Samsung
Twist
Traz uma câmera embutida capaz de
dar um giro de 180 graus (detalhe). É
dotado de zoom, recursos multimídia
e tela que exibe quatro imagens simultaneamente.
O preço: 2 000 reais.
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Kyocera
Slider
Trata-se de um aparelho luxuoso e bem ao
gosto das garotas. Possui discagem ativada
por voz e envia torpedos com grafismos e
sons. Também permite ao usuário
criar melodias de campainha personalizadas.
O modelo pré-pago custa 1 300 reais.
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Motorola
E380
Cobiçado pela turma que curte música
eletrônica, permite fazer remixes
dos toques de campainha. Quando exposto
a sons, o aparelho vibra e as luzes em suas
laterais, teclado e display piscam de acordo
com o ritmo da música. O pré-pago
custa 800 reais.
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Os
futuristas
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Nokia
7600
Com
design que lembra o de um computador de
bolso, possui tela de alta resolução
e tem capacidade de gravar e exibir vídeos
não só os feitos
pelo usuário como também
aqueles recebidos via internet. Permite
ainda baixar músicas da rede. Sem
data de lançamento no país.
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| Samsung
P730
Lançado
recentemente na feira de tecnologia de
Hannover, na Alemanha, é capaz
de fazer fotos com resolução
de 1 megapixel. Grava até 100 minutos
de imagens, toca música em formato
MP3 e tem entrada para cartão de
memória. Sem data de lançamento
no país.
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