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Revoluções
em família
Como
os jovens estão contribuindo
para mudar a cultura dentro de casa
Claudio Rossi
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RECICLAGEM
JÁ
Michelly, de 18 anos, é militante ecológica
e convenceu os pais a fazer a coleta seletiva de lixo. Sua mãe
estranhou, mas hoje aprova |
Em
décadas passadas, a relação entre pais e filhos
era uma via de mão única. O papel de transmitir conhecimento
cabia aos adultos o jovem que ousasse revolucionar o ambiente
doméstico com suas idéias corria o risco de sentir
na pele a ira dos mais velhos. Só em algum ponto dos anos
70, graças à liberalização educacional,
os filhos começaram a ter voz ativa nas decisões da
casa. Hoje, pode-se dizer que os jovens assumiram, em muitos casos,
um papel que vai além disso. Mais bem informados que os adolescentes
de qualquer geração anterior, eles se tornaram agentes
de mudanças comportamentais positivas para a família
e para a sociedade. São os grandes introdutores ou,
no mínimo, incentivadores de práticas politicamente
corretas dentro dos lares, como a reciclagem de lixo e as dietas
saudáveis. Ou até mais que isso: algumas vezes, eles
contribuem para a formação cultural dos familiares.
Paulo Santos
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LER
É O MELHOR REMÉDIO
Karen, de 14 anos, é moradora da periferia de
Belém. Leitora de clássicos literários,
ela despertou na família o gosto pelos livros |
Em certos casos, os jovens convencem os pais da importância
das causas nas quais estão engajados. Militante da ONG SOS
Mata Atlântica, a estudante paulistana Michelly Rodrigues
do Prado, de 18 anos, promoveu uma cruzada para instituir a coleta
seletiva de lixo em sua casa. O pai, que é segurança,
e a mãe, funcionária de uma escola pública,
acabaram cedendo aos argumentos pró-ecologia da filha. "Minha
mãe deu trabalho, mas no fim aceitou a novidade", diz Michelly.
Como é próprio dessa fase de idealismo, há
jovens que radicalizam. O universitário paulistano Rodrigo
Damazio, de 21 anos, uniu o conhecimento de tecnologia a suas preocupações
políticas do tipo "antiimperialistas" para mudar o comportamento
dos pais. Aluno de engenharia de sistemas eletrônicos, ele
não descansou até fazê-los trocar o sistema
operacional de seus computadores: em vez de usar o Windows, da Microsoft,
eles agora têm o Linux, um software gratuito. "Bill Gates
ganha muito dinheiro com o Windows e faz de tudo para que continue
assim. Já era hora de mudar", diz Damazio. No começo,
houve resistência de seu padrasto, o representante comercial
Reginaldo Vitullo. "Chiei muito, mas com o tempo me acostumei. Afinal,
sou um neófito em informática e o Rodrigo sempre foi
o especialista da família nessa matéria", resigna-se.
Claudio Rossi
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INFORMÁTICA
ENGAJADA
Rodrigo, de 21 anos, luta pelo uso de programas de computador
gratuitos. Fez seu padrasto trocar o sistema pago Windows pelo
Linux |
Em
camadas sociais mais pobres, não é raro que um adolescente
seja o primeiro a ter uma educação mais rica. Alguns
conseguem levar o que aprenderam para dentro de casa. Tome-se o
exemplo da paraense Karen Karla Ferreira de Souza, de 14 anos. Estudante
da 8ª série, ela provocou uma pequena revolução
em sua família: foi responsável pela iniciação
da mãe e da irmã caçula nos prazeres da literatura.
Karen apaixonou-se pela leitura de histórias de aventura
e clássicos literários há dois anos e hoje
é freqüentadora assídua da biblioteca de sua
escola não passa uma semana sem se debruçar
sobre um livro. De tanto comentar os enredos que lia, despertou
o interesse da mãe, Eliana Ferreira de Souza, desempregada
que cuida da casa e das duas filhas, enquanto o marido trabalha
como garçom num restaurante de Belém. "Foi Karen quem
me apresentou o primeiro romance que li na vida", diz ela. Trata-se
de uma versão de Os Miseráveis, do francês
Victor Hugo, adaptada para crianças. "Muitas vezes eu me
atraso para devolver os livros na biblioteca porque agora minha
mãe quer ler também", conta Karen. Ultimamente, a
estudante retira três exemplares por empréstimo: um
para ela, um para a mãe e outro para a irmã Karoline,
de 10 anos, que também entrou na onda.
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