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Não
é fácil ser modelo
O
mercado de moda cresceu nos últimos anos.
Mas isso não quer dizer que o caminho para o
sucesso na profissão seja simples
Alcir N. da Silva
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Reprodução
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mineira Liliane em Nova York (à esq.) e numa campanha:
revelada em concurso aos 14 anos |
A
menina da foto ao lado é um fenômeno. Com 15 anos,
pouco mais de um dedicado à profissão, a brasileira
Liliane Ferrarezi figura entre as vinte modelos mais importantes
do mundo. Seu rosto adolescente já ilustrou editoriais nas
principais revistas de moda e campanhas de grifes como a francesa
Hermès, a americana Gap e a italiana Miu Miu. Antes que alguém
pudesse dizer "Gisele Bündchen", a mineirinha já havia
trocado a Pampulha por Nova York... Liliane simboliza uma nova realidade.
Nos últimos anos, o mercado da moda cresceu e se profissionalizou
no Brasil. Paralelamente, o sucesso de Gisele e de outras beldades
daqui fez com que o país se firmasse no mapa das grandes
agências internacionais, o que ampliou as oportunidades para
as meninas brasileiras. Mas atenção: o fato de as
oportunidades serem maiores não significa que o caminho se
tornou mais fácil. A concorrência é brava, e
há uma série de requisitos que separam a menina sonhadora
da modelo em potencial.
O
primeiro requisito é o biotipo: o corpo tem de ser magro
e longilíneo. Já foi pior. Hoje ninguém mais
confere se uma menina se encaixa na fórmula 90-60-90
as medidas de busto, cintura e quadris que costumavam ser consideradas
ideais nem a descarta por causa de algum traço mais
exótico. Também ruiu a ditadura dos "padrões
de beleza", que obrigava a modelo a mudar a cor do cabelo ou as
formas do corpo para se adaptar às fantasias dos estilistas
e produtores de moda. Aprendeu-se a valorizar a diversidade. Ainda
assim, é imprescindível que a candidata a modelo seja
alta e magra. Quem não tem mais de 1,70 metro ou encontra
dificuldade para manter o peso deve pensar duas vezes antes de lutar
por um espaço na carreira, para evitar sofrimento e frustrações.
É
essencial que a candidata a modelo seja perseverante e tenha firmeza
para encarar privações. No começo, os trabalhos
são raros, o dinheiro é curto e a saudade de casa
aperta. São Paulo é a plataforma de lançamento
para uma carreira, e quem não nasceu na cidade terá
de mudar-se para ela, provavelmente dividindo apartamento com uma
porção de desconhecidas, contratadas pela mesma agência.
Se a carreira deslancha, é hora de transferir-se para o exterior
e quase todas as garotas nessa situação gastam
um bom dinheiro em telefonemas para o Brasil e em outras maneiras
de afastar a solidão. A empresária e consultora de
moda Costanza Pascolato indica a arma com que as modelos brasileiras
têm conseguido se dar bem: uma qualidade que ela batizou de
"ginga psicológica". "É essa capacidade de rir de
si mesma, essa leveza de espírito que contrasta com a rigidez
de caráter das americanas e européias", escreve Costanza
no livro Como Ser uma Modelo de Sucesso. Mas não é
fácil manter essa ginga, ainda que as agências hoje
em dia proporcionem alguma ajuda para as novatas. "Quem não
tem estrutura nem apoio da família não agüenta",
diz a psicóloga Miriam Tawil, que acompanha modelos em adaptação.
Até
recentemente, havia duas formas comuns de dar o primeiro passo no
mundinho das modelos: as candidatas eram descobertas por olheiros
nas ruas e nos shopping centers ou faziam álbuns de fotografias
os famosos books que enviavam às agências.
Hoje, esses métodos perderam importância. A principal
porta de entrada são os concursos. A preferência por
esse tipo de seleção se explica de maneira simples:
ele alcança mais meninas, saídas de todo o Brasil.
"O celeiro está em todo lugar", diz Eli Hadid, diretor da
agência Mega. Liliane Ferrarezi, por exemplo, foi descoberta
num evento desses, promovido em 2002 pela agência Ford. Em
julho, estarão abertas as inscrições para o
maior concurso do país, o Tic Tac Mega Models. Os organizadores
esperam atingir a marca de 1 milhão de participantes, vindas
de 850 cidades. Quem se encaixa no biotipo necessário, e
se sente preparada para enfrentar a pressão, só precisa
apresentar duas fotos, de rosto e de corpo inteiro.
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O
bê-á-bá para as novatas do ramo |
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Oito fatos que todas as aspirantes a modelo devem
saber
1.
A
melhor maneira de entrar no mundo das modelos
são os concursos promovidos pelas grandes
agências. Inscrever-se em um deles é
mais eficiente que bater de porta em porta.
2.
Algumas
agências de renome, como a Marilyn, ainda
trabalham com olheiros (chamados scouters),
que fazem buscas em shoppings, praias e parques.
Esse tipo de profissional tem de ter um cartão
de apresentação. É a garantia
de que não se trata de um engodo.
3. O biotipo
das modelos continua rígido. A altura deve
passar de 1,70 metro, o corpo tem de ser magro
e longilíneo. A boa notícia é
que estilo, personalidade e atitude passaram a
contar tanto quanto os padrões de beleza.
4.
Nem só de gaúchas vive o mundo das
modelos. Brasileiras de todas as regiões
têm chances iguais. Basta lembrar que, entre
as supermodelos, Caroline Ribeiro é paraense,
Fernanda Tavares é potiguar e Adriana Lima,
baiana.
5. Nem sempre
a modelo está pronta para a profissão.
O tempo de maturação de uma new
face (recém-chegada) é de cerca
de dois anos. Durante esse período, os
trabalhos são raros, o dinheiro falta e
a solidão é grande. Para encarar,
é preciso persistência.
6. Ao contrário
do senso comum, a candidata não precisa
de um book (conjunto de fotos) enquanto está
buscando espaço em agências e concursos.
Bastam duas fotos: de corpo e de rosto. Quanto
mais natural, melhor.
7. Modelo
com mãe a tiracolo tornou-se raridade.
Com a profissionalização avançada
da carreira, a principal conselheira e amiga da
modelo hoje é a agência. As mães
acompanham apenas as primeiras viagens das filhas.
Depois, é cada uma por si.
8.
Mesmo entre as finalistas dos concursos, só
uma em cinco realmente "acontece", ou seja, consegue
ganhar a vida como modelo. A sorte pode ser determinante.
Assim como a simpatia de um cliente ou de um editor
de moda.
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