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A
hora da escolha
Para
fazer a opção correta no vestibular
é preciso se informar bastante e levar em
conta as paixões. Quem faz isso tem boas
chances de acertar
Montagem sobre ilustração Atílio
e fotos Pedro Rubens
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| O
drama da escolha: há cada vez mais opções
de estudo nas velhas e nas novas áreas profissionais
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O
drama se repete todo ano. Às vésperas do vestibular,
ficha de inscrição na mão, grande parte dos
candidatos continua perdida. Não sabe o que quer, ou quer
tanta coisa que não consegue escolher. Numa pesquisa feita
no início do ano em um colégio paulistano, só
5% dos alunos se consideravam decididos em relação
ao vestibular. As escolas costumam levantar a discussão tarde
demais, só no 3º ano do ensino médio. Já
os pais ora pressionam, ora argumentam que não querem se
meter e deixam de orientar o jovem. Para complicar ainda mais, o
Ministério da Educação (MEC) tem 570 carreiras
catalogadas, que se desdobram em outras tantas ramificações
só engenharias são mais de cinqüenta.
E o número não pára de crescer: a Universidade
de São Paulo, a mais importante do país, já
aprovou dezoito novos cursos para 2005. Assim se percebe por que
é tão difícil escolher.
Mas
não se trata de uma missão impossível. Aos
17 anos, o jovem já é psicologicamente capaz de tomar
uma decisão tão importante para seu futuro como a
seleção do campo de estudos em que pretende se profissionalizar.
E os orientadores profissionais (antes chamados "vocacionais") são
unânimes: faz a melhor escolha quem está mais informado.
O estudante deve começar lendo guias sobre as profissões
e fazendo testes, mas não pode se basear apenas nisso. Depois
de excluir grandes áreas com as quais não simpatiza,
o candidato deve ir além: conhecer o currículo das
carreiras que lhe interessam, visitar universidades e assistir a
pelo menos uma aula do curso. É importante conhecer a realidade
da profissão e entrevistar um profissional da área
(atenção, pais: fazer a ponte entre o jovem e um profissional
conhecido é papel de vocês). Checar as avaliações
dos cursos e das instituições de ensino também
é recomendável. O site do Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais (Inep) disponibiliza essas informações.
Por último, é hora de olhar o mercado e o nível
de empregabilidade da carreira.
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Claudio Rossi

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| A
tensão do vestibular: um em cada cinco alunos que entram
na faculdade desiste no primeiro ano |
Algumas
escolas já incluíram a orientação profissional
no projeto pedagógico desde o ensino fundamental. "Nosso
trabalho é identificar talentos pessoais, e isso demanda
tempo", explica Fernanda Zocchio, diretora do colégio Pueri
Domus, em São Paulo. O processo de orientação
nessas escolas acaba funcionando como oficina de autoconhecimento,
em que o aluno aprende a reconhecer seus talentos, habilidades e
sonhos. "Nosso papel é fomentar condições para
que eles testem suas vontades, e não apenas ajudar a escolher
um curso no vestibular", explica Mônica Timm de Carvalho,
superintendente-geral do Colégio Israelita Brasileiro, em
Porto Alegre (RS).
Quem
pensa em carreira deve pensar também em paixão. Aquele
que faz o que gosta se frustra menos e tem mais chance de alcançar
o sucesso. Numa pesquisa com 1 500 profissionais que cursaram MBA
(mestrado em administração) na década de 80,
o consultor e ex-professor da Universidade Harvard Mark Albion descobriu
101 multimilionários. Apenas um deles havia escolhido a profissão
com base no salário que pretendia ganhar. Os outros 100 decidiram-se
pelo que gostavam.
Também
é bom saber que curso superior não garante emprego.
"Estará garantido o sujeito que for empreendedor", explica
a orientadora profissional Rosane Schotgues Levenfus. Antigamente,
falava-se em ter conhecimentos de informática e conhecer
a língua inglesa. Hoje, o profissional bem qualificado é
aquele que tem autoconfiança e sabe aproveitar as brechas
do mercado para criar oportunidades. E a faculdade nem sempre é
a melhor escolha. Um curso técnico pode dar mais frutos em
determinadas áreas, como eletrônica, radialismo e estilismo
de moda.
Mas
agora imagine um estudante que tomou todos os cuidados descritos
acima, passou no vestibular, virou calouro e descobriu que
cometeu um engano. O importante nesses casos é saber o seguinte:
não se trata de uma tragédia. "Ninguém deve
carregar nos ombros o peso de que é absolutamente necessário
acertar na primeira vez", explica o psicólogo Leo Fraiman,
especialista em educação. Aquela velha idéia
de que se está diante da escolha de uma vida caiu em desuso.
Cerca de vinte por cento dos alunos de universidades públicas
desistem no primeiro ano e esses números se repetem
há décadas. Mudar de rumo é a regra para um
em cada cinco estudantes. Exemplos de quem fez isso e se deu bem
não faltam (veja
depoimentos). Em outras palavras, uma guinada radical
na escolha da carreira é possível, e às vezes
muito saudável.
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As
mais procuradas |
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Carreiras tradicionais lideram
as escolhas no
principal vestibular do país, a Fuvest.
Mas,
mesmo entre as profissões clássicas,
há
novas especializações
Medicina
O
vestibular é concorrido e o curso, puxado.
Mesmo assim, a medicina continua a ser a carreira
preferida dos vestibulandos: 13 400 tentaram a
sorte em 2003. No mercado, os salários
estão caindo, mas a perspectiva de empregabilidade
continua elevada. Além de especialidades
clássicas como ginecologia e cardiologia
(em alta), há demanda por profissionais
aptos a gerenciar instituições médicas
e trabalhar com novas tecnologias.
Curso recém-lançado em universidade:
física médica (USP, Ribeirão
Preto, 2000). Forma profissionais para interpretar
dados técnicos e criar novos instrumentos
de diagnóstico.
Direito
O
curso permite que o recém-formado escolha
entre diversas áreas de atuação
dentro ou fora da advocacia. Só depois
do período inicial o estudante dirige sua
especialização. No ano passado,
12 000 alunos procuraram a carreira no vestibular
da Fuvest. No mercado de trabalho, há demanda
por especialistas em bioética, direito
eletrônico e administração
legal.
Curso recém-lançado em universidade:
direito com especialização na área
empresarial (Escola de Direito da Fundação
Getúlio Vargas, São Paulo, 2005).
Aulas de economia, administração
e contabilidade são as novidades desse
currículo.
Engenharia
O
curso continua baseado em ciências exatas,
mas hoje tem mais de cinqüenta ramificações
para receber a grande quantidade de interessados.
Para o vestibular da Fuvest em 2003, foram 9 600
inscritos só na carreira principal. Os
engenheiros são vistos no mercado como
profissionais de visão ampla, raciocínio
lógico e capacidade de pensar estrategicamente.
Em destaque, cursos nas áreas de alimentos,
meio ambiente e tecnologia.
Curso recém-lançado em universidade:
engenharia ambiental (USP, São Carlos,
2002). Capacita profissionais no desenvolvimento
de projetos para a proteção e a
avaliação de impacto no meio ambiente.
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Eles
mudaram de idéia |
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O
caminho para uma carreira de sucesso
nem sempre é em linha reta. O importante
é nunca deixar de estudar
Renato Chaui
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"Cursei
as faculdades de comunicação, publicidade
e psicologia, e abandonei os cursos assim que
comecei a estagiar e a trabalhar
24
horas por dia. Na verdade, ainda freqüentava
algumas aulas que me interessavam, mas desisti
de ter um diploma. Foi a decisão certa
naquele momento específico, já que
minha dedicação ao trabalho me tornou
rapidamente um profissional reconhecido. Apesar
de ter largado a
vida acadêmica, nunca
abandonei minha obsessão por aprender,
estudar e ler."
Washington
Olivetto,
52, publicitário e
diretor de criação da agência
W/Brasil
Alexandre Schneider
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"Aos 17 anos, eu era apaixonada por desenho
e escolhi o curso de arquitetura. Procurei uma
faculdade que valorizasse a criatividade e desse
menos importância para matérias exatas.
Cheguei a fazer estágio num escritório
de arquitetura, mas aos poucos comecei a me dedicar
às artes plásticas e a pintar roupas.
Quando me formei, já estava naturalmente
envolvida com a moda, outra de minhas paixões.
Fiz um curso de desenho específico para
estilismo, durante três meses, e logo depois
lancei a marca com minha sócia, Fernanda
de Goeye."
Paula Raia,
27, é estilista da marca Raia de Goeye
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As
promessas |
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Nos últimos vinte anos,
novas profissões foram
criadas. Cinco áreas cresceram espetacularmente
Meio ambiente
Entender o meio ambiente e saber como uma empresa
pode se desenvolver de maneira sustentável
virou importante e promissor campo de estudo
Carreiras: gestão
ambiental, ecologia, economia ambiental
Como são os
cursos: combinam ciências humanas
e biológicas. As universidades têm
posto igual ênfase na formação
de profissionais e de jovens pesquisadores
Cursos recém-lançados
nas universidades: ciências
ambientais (Universidade Federal de Pernambuco,
Recife, 2001) e gestão ambiental (USP,
Piracicaba, 2002)
Multimídia
A habilidade de trasmitir uma idéia em
diferentes meios de comunicação
é hoje valorizada. Grandes empresas investem
boa parte do orçamento no design de seus
novos produtos
Carreiras: design
gráfico, audiovisual, publicidade
Como são os
cursos: a formação é
multidisciplinar, com noções de
criação de texto, som e imagem.
Ênfase nas aulas práticas e na criação
de portfólio (o aluno sai da faculdade
com trabalhos para mostrar no mercado)
Cursos recém-lançados
nas universidades: design de games
(Universidade Anhembi Morumbi, São
Paulo, 2002) e design (USP, São
Paulo, 2005)
Biotecnologia
As indústrias de alimentação,
medicamentos e cosméticos absorvem grande
parte dos profissionais da área. A pesquisa
científica em universidades também
ganha força
Carreiras: genética,
ciências biomédicas
Como são os
cursos: misturam matérias de
áreas tecnológicas com as de ciências
biológicas. Grande parte das aulas é
feita nos laboratórios
Cursos recém-lançados
nas universidades: engenharia de
bioprocessos e biotecnologia (Universidade
Federal do Paraná, Curitiba, 2000) e
informática biomédica (USP,
Ribeirão Preto, 2005)
Aeroespacial
Nas
empresas do setor, cresce a demanda por profissionais
que supervisionem operações aéreas
e controle de qualidade. Há ainda a opção
de formar-se piloto da aviação civil
Carreiras:
ciências
aeronáuticas, aviação civil
Como são os
cursos: A formação é
teórica, prática e experimental.
Em cursos voltados para gestão, a ênfase
é em marketing, administração
e informática. A carga é pesada
nas matérias de exatas
Cursos recém-lançados
nas universidades: aviação
civil (Universidade Anhembi Morumbi, SP, 2001)
e engenharia aeronáutica (USP, São
Carlos, 2002)
Eletrônica
A informatização das empresas fez
crescer a procura por especialistas em eletrônica,
especialmente na área de telecomunicações
e redes
Carreiras: automação
elétrica e industrial, telecomunicações
Como são os
cursos: Matemática e física
são as bases. O foco é em mecânica,
eletricidade e no estudo de redes de computadores
e sistemas de telefonia
Cursos recém-lançados
nas universidades: tecnologia em
redes de comunicações (Universidade
Gama Filho, Rio de Janeiro, 2001) e tecnologia
em telecomunicações (Unicamp,
Limeira, 2004)
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