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É
melhor pegar leve
Fazer
academia é bom, mas os adolescentes devem
ficar atentos aos riscos da obsessão pelo corpo
Carol Quintanilha
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paulistano Neto, de 12 anos: ele faz musculação
para melhorar a postura, sob a supervisão de um professor
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Até
alguns anos atrás, o adolescente praticava esporte na rua,
na escola, no clube ou na área de lazer do condomínio.
Cada vez mais, no entanto, o público dessa faixa etária
vem se deixando seduzir pelas academias. Na vida de muitos meninos
e meninas, freqüentar esses lugares virou atividade corriqueira.
Academias já oferecem, inclusive, programas específicos
para eles. Os especialistas julgam que esse cultivo do corpo é
positivo, porque se trata de um contraponto a práticas como
a alimentação à base de fast food e o hábito
de gastar horas diante do computador. Mas os jovens devem ficar
atentos aos riscos a que estão expostos. Como seu corpo e
sua identidade estão em formação, o adolescente
é naturalmente inseguro com a aparência. E a comparação
com os físicos malhados ao redor em geral de adultos
que já completaram o desenvolvimento do corpo pode
aumentar suas angústias. Os garotos querem ficar tão
musculosos quanto os veteranos do local. As garotas almejam ter
a silhueta esbelta das mulheres. Quando viram obsessão, esses
desejos prejudicam a saúde, causam transtornos psíquicos
e até levam ao caminho das drogas (veja
quadro).
Os
jovens estão freqüentando a academia cada vez mais cedo.
No caso dos garotos, o chamariz é a musculação.
Embora se recomende que esse público dê preferência
a esportes como o vôlei e a natação, o exercício
de levantar pesos pode ter efeito benéfico, se bem orientado.
O estudante paulistano Octacílio Costa Neto, de 12 anos,
é um exemplo. Ele pratica musculação há
cinco meses, sob a supervisão de um professor, para corrigir
sua postura. "Já sinto a diferença", diz Neto. Mas
a musculação na adolescência deve ser vista
com cautela. Quando observam os mais crescidos pegarem pesado nos
halteres, muitos tendem a imitá-los e isso pode ter
conseqüências graves. A prática precoce pode prejudicar
o crescimento do adolescente. "Há riscos de lesões
e de atrofia dos músculos", diz o professor de educação
física Mauro Celio do Carmo, da academia paulistana Fórmula.
Ao
freqüentarem esses ambientes de culto ao físico, os
adolescentes têm de tomar cuidado para não entrar numa
espiral de neuroses. Os garotos que praticam musculação
são suscetíveis a um transtorno psíquico conhecido
como vigorexia. Apesar de musculoso, o rapaz se olha no espelho
e acha que está flácido. Isso leva ao ganho exagerado
de massa muscular e à tentação dos anabolizantes.
O contrário disso a obsessão de perder peso
não é um perigo menor. Uma pesquisa do Instituto
Central do Hospital das Clínicas de São Paulo mostrou
que, num universo de 588 jovens de 11 a 18 anos, 47% tinham feito
dieta mais de oito vezes. "Quase 5% deles recorreram a métodos
nada ortodoxos para perder peso, como o uso de laxantes e diuréticos
e o vômito auto-induzido", diz a psicanalista Mara Cristina
de Lucia, que coordenou o estudo. As meninas são as maiores
vítimas da obsessão pela magreza. No caso das garotas
que freqüentam academia, gastar mais tempo que o recomendável
na esteira pode ser um indício de que a preocupação
passou dos limites. Num extremo e aí já se
trata de distúrbios que requerem apoio de terapia ,
a fixação pode levar a males como a anoxeria e a bulimia.
Não custa lembrar: preocupar-se com o corpo faz bem, mas
é melhor pegar leve.
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