Carta ao leitor
Apresentação: O retrato de uma geração
Entrevista: Alissa Quart
Ponto de vista: Içami Tiba
Ponto de vista: Jairo Bouer
Humor: Luis Fernando Verissimo

Sexo: Eles sabem tudo, mas estão confusos
Gravidez: Quando o bebê vem cedo demais
Religião: Os jovens estão mais místicos
Voluntariado: A nova causa é fazer o bem
Drogas: Por que é tão difícil ficar longe delas
Família: Os filhos adiam a saída da casa dos pais
Blogs: O diário do século XXI é público

Nutrição: As regras da boa alimentação
Moda: Saiba o que garotas e rapazes estão usando neste inverno
Estilo: Os jovens e suas tribos
Tatuagem: Símbolo de rebeldia, ela virou sinal de vaidade
Gente: Famosos contam os vexames de sua juventude
Viagem: Férias legais por preços mais legais ainda
Decoração: Meu quarto, meu castelo
Aventura: A galera que curte adrenalina

Profissão: Como escolher a carreira
Vida escolar: Dicas para ser um estudante melhor
Intercâmbio: Uma experiência para toda a vida

Crescimento: Os jovens brasileiros estão mais altos
Ciência: Médicos explicam o aborrescente
Esporte: É melhor não exagerar

Compras: Eles gastam muito

Computadores: A geração pontocom
 

Crescimento
Estamos mais altos

A altura média dos jovens brasileiros aumentou
5 centímetros em relação à da geração anterior

A diferença entre os adolescentes de agora e os da geração anterior pode ser medida com régua: os meninos estão 5 centímetros mais altos e as meninas, 3. O padrão médio de altura de um jovem adulto hoje é de 1,75 metro. Nas meninas, esse valor fica em 1,65 metro. É um perfil típico de classe média urbana, e há variações consideráveis com relação à população mais pobre e de regiões onde o acesso à variedade de alimentos é menor. Atribui-se o aumento na altura média do brasileiro nos últimos vinte anos a vários fatores. O mais importante é uma alimentação de melhor qualidade. O cardápio nacional é hoje mais nutritivo e variado. Há maior quantidade de proteína, substância presente na carne e no leite que é decisiva no processo de crescimento. Também ajudou a prática de esportes e exercícios físicos com maior freqüência e variedade. Oito em cada dez garotos entre 12 e 20 anos praticam algum tipo de esporte nas principais capitais brasileiras. Entre as meninas, essa proporção é de sete em dez. Por fim, sentem-se agora os bons resultados de décadas de vacinação em massa e da melhoria nas condições sanitárias, que puseram sob controle as doenças infecciosas comuns na infância e que interferem no processo de crescimento.

O jovem brasileiro não está apenas mais alto. Todo o processo de crescimento foi acelerado em relação às gerações anteriores. No início do século XX, a primeira menstruação ocorria aos 15 anos. Hoje, a menarca normalmente acontece aos 12 anos. Há 100 anos, o crescimento dos rapazes só estava completo aos 24 anos. Agora, a estatura adulta é alcançada aos 18. "O crescimento é uma combinação de características genéticas com o meio em que o adolescente vive. Uma coisa não evolui sem a outra", explica o médico Paulo Zogaib, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A prática de exercícios físicos é um dos fatores que têm relação com a espichada juvenil. A ciência não comprovou como se dá exatamente essa influência, mas os médicos apostam em três fatores. O primeiro é que os exercícios estimulam a produção e a secreção de hormônios diretamente ligados a esse processo, como o hormônio do crescimento e a testosterona. O segundo é que a estrutura óssea responde a estímulos como sobrecarga de exercícios. O problema é que, se a sobrecarga for excessiva, pode interromper de vez o processo de crescimento. O último é que, ao fazer exercício, um jovem sente mais fome. Ao comer mais e praticar esporte novamente, acaba gerando um ciclo que favorece o melhor aproveitamento dos nutrientes.

Os pais costumam acompanhar com orgulho o desenvolvimento precoce dos filhos, mas é preciso ficar atento aos efeitos decorrentes. A abreviação da infância é um deles, principalmente no caso das meninas. É comum garotas na faixa de 12 anos, ainda interessadas em brincar com boneca, começarem a sofrer assédio do sexo oposto pelo fato de ostentarem um corpo de adulto. Elas são pressionadas a agir como adolescentes, quando não têm maturidade para isso. Por outro lado, há recursos para os jovens que estão com o relógio biológico atrasado ou demonstram alguma limitação orgânica para crescer. Tratamentos à base de hormônio do crescimento sintético são muito utilizados. O importante, nesses casos, é estar atento ao ritmo de crescimento logo no início da adolescência, porque o sucesso do tratamento depende do diagnóstico precoce.

 

São coisas da idade
 

Soluções para os problemas que surgem na adolescência

DENTES DESALINHADOS
O problema: os molares nascem tortos e pressionam os dentes da frente, entortando-os
Solução: uso de aparelho ortodôntico. O tratamento dura dois anos, em média
Passam com a idade? Não

Priscila Prade


ACNE

O problema: obstrução e inflamação dos poros provocadas pelo aumento na oleosidade da pele. Incomoda meninos e meninas
Como tratar: antiinflamatórios para os casos mais leves, remédios mais fortes para os casos graves. Tratamentos a laser diminuem a oleosidade da pele
Passa com a idade? Sim, por volta dos 20 anos

ESTRIAS
O problema: marcas na pele, parecidas com cicatrizes, provocadas pelo crescimento rápido ou pelo aumento de peso
Solução: injeção de produtos que preenchem as marcas, esfoliação e abrasão da pele. Funcionam melhor quando aplicados assim que as marcas surgem
Passam com a idade? Não

MÁ POSTURA
O problema: a falta de massa muscular faz com que os jovens fiquem com os ombros e a barriga para a frente
Solução: prática de exercícios físicos, como musculação, natação, vôlei e muito alongamento
Passa com a idade? Sim, a partir dos 16 anos

 

Com a ajuda do cirurgião plástico
 
Rafael Campos

SEIOS MAIS FARTOS
A atriz Nathalia Rodrigues, 22 anos, a vilã do seriado Malhação, da Globo, implantou silicone nos seios no ano passado: "Como vivia de regime, meus seios tinham murchado", diz

 

EXCLUSIVO ON-LINE
Leia o depoimento de Nathalia Rodrigues na íntegra
Dicas para encontrar um bom cirurgião



Dos 360 000 pacientes que fizeram operações plásticas no Brasil no ano passado, 50 000 eram adolescentes. O exame dessa estatística nos permite saber o que os jovens brasileiros mais querem mudar na própria aparência. Cerca de metade das intervenções foi de reformas estéticas no nariz. Essa é uma cirurgia quase que só feminina. Não porque seja pouco másculo se incomodar com a feiúra do próprio nariz. Mas porque o resultado é uma aparência artificial, visto que o nariz masculino é naturalmente mais avantajado (lembre-se do que aconteceu com Michael Jackson). Como a configuração nasal só se define lá pelos 15 anos, não é recomendável a plástica precoce nessa área. A segunda cirurgia mais procurada é nas mamas – e para ambos os sexos. É isso mesmo: é comum, durante a puberdade, a mama masculina crescer demais, o que provoca constrangimento. Entre as meninas, a procura por seios maiores (com implante de silicone) ganha por margem estreita das reduções. Em geral, são feitas após os 16 anos. Antes disso, há a possibilidade de as mamas voltarem a crescer e a cirurgia precisar ser refeita. Outra intervenção cada vez mais comum é a lipoaspiração nas laterais do abdômen (pneus), na barriga e no culote. Antes de se decidir pela plástica, é bom pesar prós e contras. Toda cirurgia envolve riscos. Depois, por mais perfeita que fique, sempre haverá uma pequena cicatriz. Além disso, o resultado não é imediato. São necessárias semanas de pós-operatório, período penoso em que não se pode fazer ginástica nem tomar banhos de sol.