Carta ao leitor
Apresentação: O retrato de uma geração
Entrevista: Alissa Quart
Ponto de vista: Içami Tiba
Ponto de vista: Jairo Bouer
Humor: Luis Fernando Verissimo

Sexo: Eles sabem tudo, mas estão confusos
Gravidez: Quando o bebê vem cedo demais
Religião: Os jovens estão mais místicos
Voluntariado: A nova causa é fazer o bem
Drogas: Por que é tão difícil ficar longe delas
Família: Os filhos adiam a saída da casa dos pais
Blogs: O diário do século XXI é público

Nutrição: As regras da boa alimentação
Moda: Saiba o que garotas e rapazes estão usando neste inverno
Estilo: Os jovens e suas tribos
Tatuagem: Símbolo de rebeldia, ela virou sinal de vaidade
Gente: Famosos contam os vexames de sua juventude
Viagem: Férias legais por preços mais legais ainda
Decoração: Meu quarto, meu castelo
Aventura: A galera que curte adrenalina

Profissão: Como escolher a carreira
Vida escolar: Dicas para ser um estudante melhor
Intercâmbio: Uma experiência para toda a vida

Crescimento: Os jovens brasileiros estão mais altos
Ciência: Médicos explicam o aborrescente
Esporte: É melhor não exagerar

Compras: Eles gastam muito

Computadores: A geração pontocom
 

Profissão

Na hora de escolher a carreira, é bom
se informar, planejar a longo prazo e
não temer uma guinada no futuro

DOS ARQUIVOS DE VEJA
O sucesso na profissão
Os gênios do vestibular
Teste vocacional

  EXCLUSIVO ON-LINE
Conselhos para passar nos melhores vestibulares
  DA INTERNET
Ranking dos melhores cursos - Guia do Estudante 2003

Assustados, confusos, indecisos. É assim que muitos jovens se sentem na hora de escolher sua profissão, às vésperas das inscrições para os vestibulares. Aquela certeza desde pequeno do que se vai ser quando crescer não rolou. Surge o medo de não dar certo. E a angústia aperta mais diante do variado leque de alternativas de curso superior. São mais de 150 e, a cada dia, surgem novas opções de carreiras e de oportunidades de trabalho. O que fazer? Esse turbilhão de dúvidas não deve ser encarado como um problema grave. Especialistas garantem que a insegurança diante da escolha profissional é um sintoma saudável e produtivo. Com vários caminhos abertos à sua frente, o indeciso tem maiores chances de escolher melhor do que quem apóia sua certeza em fantasias. Por isso, recomenda-se que essa fase da vida seja enfrentada com tranqüilidade pelos jovens e sua família. Afinal, toda decisão pressupõe incertezas e uma dose de risco. E esse é o primeiro grande desafio do jovem diante do novo e do desconhecido.

Uma forma de diminuir a pressão é saber que essa escolha profissional não é necessariamente definitiva. Novos caminhos vão surgir durante a faculdade, o mercado de trabalho pode exigir adaptações ou uma grande guinada na carreira. "A faculdade deve ser encarada como a escolha de uma plataforma, um alicerce para a construção da vida profissional", afirma Rubens Gimael, especialista em desenvolvimento de carreira da NeoConsulting. É comum encontrar engenheiros trabalhando na área de finanças, arquitetos se dedicando à área comercial, economistas cuidando de marketing. A mudança não significa fracasso nem frustração, mas sim a aceitação de desafios que a vida vai trazendo. Escolher uma profissão representa esboçar um projeto de vida, questionar valores, as habilidades, o que se gosta de fazer, a qualidade de vida que se pretende ter. E esse momento de reflexão pode render bem mais quando é compartilhado com a família. Mas, por excesso de liberalismo, muitos pais se omitem com a desculpa de não querer interferir na vida dos filhos.

Um passo importante para o jovem indeciso é investigar, reunindo informações sobre as profissões e cursos oferecidos pelas faculdades. Há ainda a opção de buscar apoio em empresas de orientação vocacional. As transformações econômicas que atingiram o mundo de forma global impulsionaram novas e promissoras carreiras. São as profissões que envolvem inovações tecnológicas e áreas de inteligência e conhecimento. As carreiras tradicionais, como medicina, direito, engenharia, letras e administração, ainda são as mais procuradas nos vestibulares. Elas se renovaram e ganharam áreas de atuação que prometem sucesso e bons rendimentos, como o campo de biotecnologia para os advogados e o de meio ambiente para engenheiros. É bom também ficar antenado com o crescimento dos setores de serviços, lazer e entretenimento, meio ambiente e projetos sociais. Eles abriram oportunidades atraentes de trabalho para os profissionais com formação em biologia e educação física, que andavam em baixa, e valorizaram cursos que antes eram considerados de segunda linha, como relações internacionais, turismo e hotelaria.

Em meio a tantas opções, o estudante deve ficar atento a algumas armadilhas. A primeira delas é acreditar que cursar uma boa faculdade vai livrá-lo do desemprego e assegurar o sucesso profissional. Uma boa escola pode até abrir portas no início da carreira, mas vale lembrar que existem muitos profissionais em altos cargos nas empresas que não vieram de cursos de primeira linha. Para os especialistas em recursos humanos, o sucesso numa profissão depende de 30% de conhecimento e 70% de atitude. Da mesma forma, decidir-se por uma carreira apenas porque ela está em alta no mercado normalmente é o caminho mais rápido para o abandono de uma profissão. "Quem não leva em conta sua afinidade com uma carreira ao fazer uma escolha fatalmente desistirá dela quando a oferta de trabalho cair", afirma a psicóloga Renata Mello, da equipe de orientação profissional do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), de São Paulo. O cuidado deve ser redobrado em carreiras com um campo de atuação restrito e que não possibilitam ao estudante mudar facilmente de área de trabalho, como oceanografia, odontologia e telecomunicações. No fim da década de 90, a expectativa de um mercado de trabalho promissor na área de telecomunicações levou à ampliação de vários cursos, como engenharia de telecomunicações, que agora não conseguem preencher todas as vagas. Há trabalho para profissionais de nível técnico e de manutenção, mas poucas vagas para cargos de direção e gerência. Ao mesmo tempo, o jovem que já se decidiu por uma carreira não deve desistir dela por causa do temor do desemprego – fantasma que ronda todas as profissões. "Quem faz a escolha certa tem mais autoconfiança, sobressai e chega ao sucesso", diz Renata Mello, do CIEE.

 

  Profissionais de sucesso contam
como escolheram sua carreira
 

Daniela Picoral
Fernando Reinach, 47, paulista
Profissão: biólogo e geneticista, diretor executivo da Votorantim Ventures, professor da Universidade de São Paulo e da Cornell University, nos Estados Unidos
  "Eu tinha 16 anos quando me apaixonei pela biologia, depois de uma aula fascinante sobre a origem da vida. Decidi cursar biologia e ser geneticista. Meu pai, um engenheiro, me acusou de estar fugindo do vestibular de medicina. Acabei entrando nos dois cursos e tranquei medicina por dois anos antes de desistir. Fiz doutorado nos Estados Unidos e depois fui pesquisador em Cambrigde, Inglaterra. Voltei em 1986 para ser professor na USP. A grande preocupação do meu pai era como eu ia ganhar dinheiro. Em 1990, abri a primeira empresa de engenharia molecular no Brasil, Biotec, e agora comando um fundo de investimento em biologia, a Votorantim Ventures. Quando um dos meus filhos me disse que ia fazer ciências sociais, eu respondi que achava ótimo."


Renato Chaui
Danielle Dahoui, 34, carioca
Profissão: restaurateur, dona do bistrô Ruella, em São Paulo, e do Bar D'Hôtel, no Rio
  "Ainda estudante no Rio, gostava de cozinhar, mas meu sonho era fazer jornalismo. Em 1987, entrei em jornalismo na PUC e, logo depois, ganhei uma bolsa de estudos na Sorbonne, em Paris. Não cheguei a completar o primeiro ano do curso. Para pagar as despesas, fui ser ajudante de cozinha. Vi que era aquilo que queria fazer. Aprendi muito trabalhando em vários restaurantes na França, durante quatro anos. Eu não tirava o olho do chef de cozinha. Estagiei em padaria para aprender a fazer pães e doces, hoje uma das minhas especialidades. Em 1995 arrendei o horário do almoço em um restaurante em São Paulo. Foi um sucesso. Alguns investidores me procuraram e assim consegui abrir meu primeiro restaurante, o Ruella. Não fiz nenhum curso, mas se pudesse voltar no tempo eu teria cursado uma faculdade de gastronomia em Paris."


Ana Araujo
Carla Amorim, 38, brasiliense
Profissão: designer de jóias, dona de seis lojas no Brasil e duas no exterior
  "Sou apaixonada por moda e beleza desde criança, mas, sei lá por que, acabei cursando a faculdade de letras e virando funcionária pública. Nas horas livres, desenhava e montava brincos e colares, que eu mesmo usava. Até que um dia caiu a ficha: por que não transformar o que eu mais gostava numa profissão? Comecei aos poucos. Fazia algumas peças e as vendia a colegas de trabalho. Finalmente tomei coragem, joguei o emprego para o alto e resolvi me dedicar inteiramente ao design de jóias. Diziam que eu estava louca, que os brasileiros não tinham dinheiro para comprar jóias... Fiz um curso de desenho e outro de ourivesaria. Meu pai entendeu e me deu dinheiro para começar. O mais importante é que eu amo meu trabalho. Quando isso acontece, nada pode dar errado."


Marcelo Gleiser, 43, carioca
Profissão: professor de física e astronomia do Dartmouth College em New Hampshire, nos Estados Unidos
  "Eu jogava vôlei no Rio e fui até campeão brasileiro no colegial. Também estudava muito e, desde os 15 anos, já tinha um grupo de estudos de física. Queria estudar física, mas meu pai dizia que ninguém iria me pagar pra contar estrelas. Acabei cursando dois anos de engenharia química. Mas minha cabeça não era para engenharia. Terminei me transferindo para o curso de física e me formei em 1981. Depois fiz mestrado antes de sair para um doutorado na Inglaterra. Hoje, sou professor titular em uma das universidades mais conceituadas dos Estados Unidos e trabalho ativamente em pesquisa e divulgação científica. Acredito que só iremos fazer muito bem aquilo que realmente queremos fazer. Escolher uma profissão 'viável', que não seja realmente desejada, pode até dar certo, mas é um compromisso arriscado com a vida."