Carta ao leitor
Apresentação: O retrato de uma geração
Entrevista: Alissa Quart
Ponto de vista: Içami Tiba
Ponto de vista: Jairo Bouer
Humor: Luis Fernando Verissimo

Sexo: Eles sabem tudo, mas estão confusos
Gravidez: Quando o bebê vem cedo demais
Religião: Os jovens estão mais místicos
Voluntariado: A nova causa é fazer o bem
Drogas: Por que é tão difícil ficar longe delas
Família: Os filhos adiam a saída da casa dos pais
Blogs: O diário do século XXI é público

Nutrição: As regras da boa alimentação
Moda: Saiba o que garotas e rapazes estão usando neste inverno
Estilo: Os jovens e suas tribos
Tatuagem: Símbolo de rebeldia, ela virou sinal de vaidade
Gente: Famosos contam os vexames de sua juventude
Viagem: Férias legais por preços mais legais ainda
Decoração: Meu quarto, meu castelo
Aventura: A galera que curte adrenalina

Profissão: Como escolher a carreira
Vida escolar: Dicas para ser um estudante melhor
Intercâmbio: Uma experiência para toda a vida

Crescimento: Os jovens brasileiros estão mais altos
Ciência: Médicos explicam o aborrescente
Esporte: É melhor não exagerar

Compras: Eles gastam muito

Computadores: A geração pontocom
 

Aventura
A turma da adrenalina

Os esportes de aventura fascinam os jovens
pela liberdade e pela emoção. E ensinam que
é preciso respeitar os próprios limites e não
descuidar da segurança



Cláudio Rossi
PAREDE ACIMA
Mário Sérgio Duarte Garcia, 14 anos, no paredão de 11 metros numa academia paulistana
ESCALADA INDOOR
O que é: escalada de paredões artificiais
Como se aprende e onde praticar: há cursos básicos de uma hora de duração. Pratica-se o esporte em academias especializadas
Equipamento básico: cordas, sapatilha para escalada, capacete e pó de magnésio para passar nas mãos

Junte numa mesma atividade adrenalina, concentração, contato com a natureza e sensação de liberdade. Esses são os ingredientes que fazem dos esportes irados (é assim que são chamados) os preferidos por boa parte dos adolescentes. Para muitos, emoção é pedalar sem parar no meio do mato ou manobrar um barco de borracha corredeira abaixo. Para outros, programa irado é participar de corridas de aventura – uma gincana que mistura de tudo, de caminhada a rappel, atividade em que a pessoa desce paredões pendurada a uma corda. Nas grandes cidades, longe do mar e da natureza, há esportes que substituem o contato com o mato e os barrancos sem abrir mão do sabor de aventura. Um dos mais procurados é a escalada indoor, realizada em paredões artificiais. "É indescritível a sensação de ter chegado lá em cima, de ter conquistado algo", explica Mário Sérgio Duarte Garcia, de 14 anos, que há dois sobe por paredões com 11 metros de altura numa academia especializada em São Paulo.

A busca por atividades sem regras fixas e que fujam do convencional é o maior atrativo para os adolescentes que enveredam pelos exercícios tidos como radicais – termo, aliás, em desuso por causa da restrição e do risco que pressupõe. Muitos pais torcem o nariz a essas modalidades pelo fato de a maior parte delas exigir o uso de equipamentos de segurança. Fica a sensação de que o perigo é um preço alto demais a ser pago pela adrenalina liberada. Para os especialistas, o importante é respeitar os próprios limites e ficar sempre atento à segurança. "O risco não está na modalidade, mas na pessoa", ensina o multiatleta paulista Luiz Makoto Ishibe, de 42 anos, praticante de alpinismo, trekking e mountain bike. O improviso, marca registrada dos esportes de aventura, exige poder de concentração e rapidez de raciocínio para que o atleta saia de situações complicadas. Pelo menos no início, é importante receber a orientação de um instrutor e nunca subestimar a natureza. E, como regra final, saber quando é hora de não se aventurar. "Jamais entro no mar se percebo que vou correr riscos. Meu negócio é o prazer, não o sofrimento", afirma a estudante pernambucana Ana Flávia da Silva Matos, 22 anos, praticante de surfe há nove. Radicalismo, como se vê, é coisa do passado.

 


Fotos Ricardo Correa/Heudes Regis/Leo Feltran/divulgação